Polícia Federal prende grupo que planejava atendados terroristas nas Olímpiadas

Por Redação | em 21.07.2016 às 11h44 - atualizado em 21.07.2016 às 12h39

Polícia Federal

A Polícia Federal realizou hoje (21) a primeira prisão com base na lei antiterror e o alvo da ação policial foi justamente um grupo extremista brasileiro que ganhou notoriedade nos últimos dias declarando apoio ao Estado Islâmico e também divulgando na internet material instrutivo sobre como realizar ações terroristas durante as Olimpíadas do Rio 2016.

As prisões ocorreram nos estados de Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. De acordo com o jornalista Filipe Coutinho, da revista Época, a chamada Operação Hashtag envolveu a participação de cerca de 130 policiais que cumpriram mandados judiciais expedidos pela 14ª Vara Federal de Curitiba, com 10 prisões temporárias, duas conduções coercitivas e 19 buscas e apreensões.

A operação deflagrada nesta quinta-feira é resultado de uma investigação que acontece desde abril deste ano, quando a Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal (DAT) começou a monitorar, nas redes sociais, os grupos suspeitos de envolvimento com terrorismo. Ainda segundo o jornalista da Época, os suspeitos se autodenominavam Defensores da Sharia e planejavam adquirir armas para a realização de crimes no Brasil e no exterior. 

Investigação minuciosa

"A ação foi progredindo. Nós rastreamos, com site de armas clandestinas no Paraguai, para uma AK-47. Tudo isso mostra um ato preparatório, não há informação de que tenham conseguido algo. A informação estava circulando entre eles", explicou o ministro da Justiça Alexandre Moraes em entrevista coletiva realizada no final da manhã de hoje. "Eles pretendiam comprar, isso é um ato preparatório que deve ser combatido. Várias mensagens mostram degradação dessas pessoas comemorando os atentados em Orlando e em Nice, postando e circulando as execuções que foram feitas pelo Estado Islâmico".

Na entrevista coletiva, o ministro explicou que os investigadores chegaram a trocar mensagens com os suspeitos pela internet e também que eles não foram bem-sucedidos na tentativa de comprar armas.

"Houve novas trocas de mensagens, que reafirmaram que o Brasil não fazia parte da coalizão contra Estado Islâmico. Mas por conta da proximidade da Olimpíada, como ia receber vários estrangeiros, o país passaria estar dentro do alvo dessas pessoas. Foi necessária a pronta atuação com cumprimento de prisões", explicou Moraes. 

O ministro da Justiça declarou ainda que a investigação da Polícia Federal contou com mapeamento e rastreamento dos suspeitos e foi fruto de um esforço conjunto da PF, da Agência Brasileira de Inteligência e também de agências de informação internacionais. Moraes pediu também para que informações não checadas não sejam divulgadas a fim de não prejudicar as investigações.

"Qualquer informação, pedimos que chequem conosco para não ser divulgada informação errônea. Uma informação, mesmo verdadeira, divulgada um dia antes, dois dias antes, atrapalha a investigação. Se for verdadeira a informação, é necessário aguardar para não atrapalhar", finalizou. 

Mais investigados

Além do grupo preso hoje, uma ONG (cujo nome não foi revelado) também vem sendo investigada por possível participação no caso. Todos os 10 indiciados tiveram decretadas as suas prisões preventivas pelo período de 30 dias (renováveis por mais 30) e poderão responder individualmente pelos crimes de promoção de organização terrorista (pena de cinco a oito anos de prisão e multa) e realização de atos preparatórios de terrorismo (pena de três a 15 anos de prisão).

Fonte: Lauro Jardim/O Globo, Filipe Coutinho/Época, UOL

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