Censura da internet na China continua se fortalecendo

Por Redação | em 10.05.2016 às 18h45

Censura na China

Em 2010, uma tentativa de ataque hacker chinês ao Google e outras 20 empresas norte-americanas levou o gigante da internet a remover a autocensura das buscas feitas na China. Após seis anos, tanto o Google como Facebook, Twitter, Instagram Youtube e algumas das maiores organizações mundiais, como o New Yotk Times, continuam bloqueados no país, e as restrições parecem só aumentar.

Mesmo nos buscadores permitidos, o Great Firewall (GFW), a censura online chinesa, bloqueia conteúdos que comprometam o país ou seus líderes, como o Massacre na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen), de 1989. Mais recentemente, por exemplo, o sistema impediu o acesso à cobertura dos Panama Papers assim que estes apontaram líderes chineses e seus familiares usando paraísos fiscais, incluindo a família do presidente Xi Jinping.

A censura da internet não é novidade na China, mas o impasse com o Google, que atingiu seu ápice em 2014 quando todos os serviços da empresa foram bloqueados, foi um divisor de águas. Até então, haviam constantes disputas entre empresas tech e o governo, mas a investida contra o Google mostrou bem as intenções do poder público chinês.

Desde então, a liberdade na internet foi de mal a pior e, em março de 2016, nem o acesso via VPN escapou. Enquanto no resto do mundo pessoas falam de assuntos triviais como futebol ou o clima, na China o assunto é VPN, quais estão operantes, novidades, velocidade de conexão, etc. Não é à toa que alguns dos melhores VPN foram programados por chineses.

"A internet é o calcanhar de Aquiles para muitos profissionais e empresas chinesas. Muitos chineses que têm negócios internacionais e viajam bastante também reclamaram. Então, de alguma maneira, o governo está atirando no próprio pé impedindo empresas nacionais de terem alcance global", comenta o arquiteto residente em Shangai, Hisham Youssef.

A questão é que, se o governo quisesse impedir o acesso VPN totalmente, ele conseguiria. Sabe-se que milhares de usuários conectam por esse sistema, tanto em conexões domésticas quanto em públicas. No entanto, especula-se que a razão para que os acessos VPN não sejam interrompidos se dá em  função das empresas internacionais que precisam deles para sobreviverem.

É muito difícil medir o impacto que estas ações restritivas têm sobre a economia do país, mas o governo chinês não se mostra abalado. Em abril de 2016, um jornal do país publicou uma matéria intitulada "Por que a mídia ocidental odeia o GFW", defendendo as próprias medidas adotadas. O conteúdo inclui trechos como: "a mídia ocidental publicou muitos artigos políticos a respeito da China nos últimos anos, na tentativa de atrair a atenção da sociedade chinesa e programar uma agenda de discurso para nós. A GFW abalou essas intenções".

Há alguns pontos que reforçam positivamente as ações governamentais. Por exemplo, ao bloquear o Google, Facebook, WhatsApp e Twitter, empresas chinesas cresceram exponencialmente, como o buscador Baidu, o mensageiro WeChat e o Weibo.

Para o governo, se companhias estrangeiras estão de acordo com a censura e dispostas a compartilharem informações com as autoridades, elas são bem-vindas no país, como no caso da Apple e do LinkedIn. Para eles, se fosse um caso de protecionismo econômico, eles teriam tirado essas empresas do país há muito tempo. 

Considerando que a China tem se provado irredutível na postura da censura digital, mesmo às custas de investimentos bilionários de grandes empresas tech, há pouca esperança de mudança em um futuro próximo. No entanto, a frustração da população é crescente e o governo poderá começar a sentir pressão daqui para frente.

Via Business Insider

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