Esqueça a Apple: por que o Google é o novo grande rival da Samsung?

Por Redação | em 30.03.2017 às 10h48

Galaxy S8

Por muito tempo, a maior briga no mundo mobile foi entre a Samsung e a Apple. As duas gigantes representavam o que havia de melhor entre os smartphones, uma guerra nada fria entre Android e iOS que chegou a ter alguns capítulos escritos na Justiça. Não foram poucas as vezes que vimos Galaxy e iPhone trocando farpas em campanhas publicitárias mundo afora. No entanto, essa disputa parece ter ficado para trás e, hoje, a gigante sul-coreana já encara outros concorrentes. E, por incrível que pareça, ela está mais disposta a disputar com a Google do que com a velha Maçã.

Isso ficou bem claro durante o anúncio do Galaxy S8 na tarde da última quarta-feira (29). Embora o smartphone seja realmente um colosso em termos de hardware, a fabricante não usou isso como seu maior trunfo para se destacar da concorrência, como acontecia anteriormente. Desta vez, o foco foi outro, se preocupando muito mais com o modo como esse pequeno monstro de bolso consegue conectar todos os serviços da empresa — ao mesmo modo como o Google faz com seus produtos.

Essa noção de que o ecossistema é muito mais interessante para o usuário do que quem tem o melhor processador ou tela é algo que muda completamente as regras do jogo, até porque é essa parte prática que mais interessa ao usuário. Embora a Apple goste muito de falar das novidades técnicas de seu iPhone, sempre foi o modo como seus produtos se comunicavam que atraia o consumidor. E a Samsung começou a se dar conta disso agora, mas visando a Google como exemplo a ser seguido.

Isso já começou a ser desenhado há algum tempo quando Samsung Pay e Android Pay começaram a disputar espaço. E o que vimos ontem foi que boa parte dos anúncios da fabricante sul-coreana tem seu equivalente no Google. O Bixby, assistente digital que acompanha o Galaxy S8, é uma versão melhorada do que o Google Assistant já faz, incluindo comandos de voz, execução de aplicativos e pesquisas rápidas. A diferença aqui é que a Samsung foi um pouco além e trouxe uma comunicação maior com a câmera, o que é uma avanço e tanto.

Algo semelhante acontece com o Samsung Connect Home, que parece uma mistura do Google Wi-Fi e Google Home. Ele integra todos os seus dispositivos inteligentes em torno de um único gadget, o que facilita o gerenciamento e o acesso a essas funções. E essa novidade funciona integrada ao Bixby, o que reforça essa ideia de um ecossistema inteiramente conectado. Isso tende a fazer com que você, como usuário de um produto da Samsung, adquira outros aparelhos da marca para aproveitar essa conectividade.

Isso é algo que o Google sempre fez muito bem. Embora ele ainda esteja começando a aplicar essa lógica com hardware, sobretudo com o Google Pixel, o Android e demais serviços sempre estiveram muito conectados. Muita gente sempre preferiu o sistema pela maneira como ele se conectava com Gmail, Docs, Fotos e todas as demais plataformas da companhia. E a ideia tanto do Google quanto da Samsung é levar esse raciocínio para outros produtos.

Um dos exemplos mais claros disso está no Samsung DeX, que transforma seu Galaxy S8 em um minicomputador de bolso. A ideia de usar um sistema operacional móvel para criar um ambiente navegável não é necessariamente nova, mas o acessório apresentado ontem faz isso de maneira natural até mesmo para quem não está habituado a essa transição. E a proposta é fazer com que essa integração bata de frente com o que o Google quer fazer com Android e Chrome OS.

Sobra até mesmo para a realidade virtual, tecnologia que ainda tem muito o que amadurecer. As melhorias do Gear VR são pensadas para que o Daydream não prevaleça nesse nicho ainda pouco desenvolvido.

Desafios e barreiras

Como dito, essa briga pode ainda estar no começo, já que somente agora a Samsung começou a ir com força total para essa nova estratégia. Contudo, é possível perceber alguns desafios que podem dificultar a vida da empresa caso ela queria realmente desbancar o Google. A principal delas é o alcance.

Fato é que o Google sempre trabalhou muito bem com serviços e nunca os limitou às suas plataformas. Seus aplicativos funcionam muito bem tanto no Android quanto no iOS e isso ajudou a criar uma base de usuários monstruosa que é virtualmente impossível de a Samsung alcançar sozinha. Isso sem falar de confiança, acessibilidade e tantas outras variáveis que a empresa de Mountain View construiu ao longo dos últimos anos. Ao contrário de especificações técnicas, que podem ser superadas a cada nova semana, esse tipo de coisa demora a ser construído — e a Samsung tem um longo caminho pela frente.

Via: The Verge

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