Algoritmos de redes sociais formam "bolha política" em torno dos usuários

Por Redação | em 29.03.2016 às 07h00

redes sociais

As redes sociais foram utilizadas de diversas formas durantes as várias manifestações que ocorreram recentemente no Brasil. Seja para compartilhar opinião, divulgar vídeos ou informar sobre as próximas manifestação, as mídias sociais vêm desempenhando um papel importante na união de pessoas com os mesmos ideais e pensamentos. A cada compartilhamento de conteúdo ou a cada vídeo assistido, os algoritmos utilizados por sites como Twitter, Facebook e YouTube se alimentam dessas informações para oferecer mais conteúdo que o usuário deverá gostar.

De acordo com especialistas consultados pelo jornal O Estado de S.Paulo, a tecnologia que ajuda os usuários a encontrarem conteúdo mais relevante para o seu perfil na internet está criando uma "bolha" em torno das pessoas. Em relação à política, o usuário é cercado por aqueles que compartilham sua visão, o que o faz achar que sempre está certo.

Desde 1996 o Google utiliza algoritmos para exibir os conteúdos mais relevantes em sua pesquisa. Desde então, outras empresas que atuam na internet adotaram o mesmo método para ajudar o usuário a passar mais tempo consumindo algum conteúdo nos sites. No final dos anos 2000, o Facebook também adotou algoritmos que aprendem de acordo com as ações dos usuários. A rede social considera ações dentro como curtir, comentar, compartilhar ou bloquear conteúdos para exibir apenas o que considera relevante para determinada pessoa. O restante é exibido no fim do feed de notícias ou é desconsiderado.

Segundo o professor de ciência da informação da Universidade de Michigan, Christian Sandvig, "o algoritmo e o usuário coproduzem o feed". Ele ainda explica que "o computador te observa e aprende com o que você clica. Ao mesmo tempo, você decide como responder ao que ele mostra a você". Para o Facebook, o algoritmo ajuda o usuário a aproveitar melhor o conteúdo publicado na rede. "O volume de conteúdo criado é proporcional ao número de usuários. Assim, o algoritmo é uma forma de permitir que cada pessoa tenha acesso ao que julga mais importante", disse a empresa em nota.

"O Facebook tende a filtrar aquilo que é socialmente relevante para um grupo. Isso dá a sensação de que toda a rede social concorda com você", disse a professora e pesquisadora de mídias sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Raquel Recuero. Isso se torna preocupante quando os códigos começam a influenciar a visão política das pessoas. Em um estudo da Universidade da Califórnia, as eleições presidenciais norte-americanas foram simuladas e o resultado obtido pela instituição foi que cerca de 340 mil pessoas mudaram de voto após verem uma postagem positiva sobre um candidato no topo do feed de notícias. "Seria bastante simples para uma rede social como o Facebook manipular uma eleição", diz Sandvig.

Via Estadão

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