PlayStation VR [Análise/Review]

Por Leandro Souza RSS | em 08.02.2017 às 14h54

Realidade virtual promete ser uma das grandes ondas do futuro quando se trata de experiências mais imersivas nos games. Entretanto, até o momento, somente quem tinha óculos caros como o Oculus Rift ou HTC Vive, e PCs com alto poder gráfico eram capazes de ter esta experiência com maior qualidade. No final do ano passado, porém, a Sony entrou na briga com uma alternativa mais acessível, o Playstation VR. Mas será que já vale a pena investir neste conceito?

O QUE É O PS VR?

De maneira semelhante a outros headsets de realidade virtual, o Playstation VR usa duas lentes para produzir duas imagens simultâneas diretamente nos olhos de quem o está usando, criando um ambiente 3D em primeira pessoa. No caso do óculos da Sony, basicamente ele usa o processador gráfico do Playstation 4 para esta tarefa.

Basicamente o kit do PS VR consiste em um headset, a câmera do PS4 e uma unidade extra de processamento que fica ligada diretamente ao headset. Esta unidade adicional é o que permite a outras pessoas, que não estão usando o headset, ver a ação do jogo na tela da TV. Isso também é usado em games de mutiplayer assimétrico, em que uma pessoa joga com o VR e outras a televisão.

O óculos e a câmera formam o kit básico para desfrutar da realidade virtual junto com o PS4, mas também é possível ter um setup mais completo comprando os controles de movimento do Playstation Move. Alguns jogos, aliás, são experiências dedicadas para motion control.

Infelizmente não estamos lidando com um sistema wireless, o que é compreensível diante do peso das informações transmitidas, que exigem baixa latência - e os cabos são bem extensos, o que ajuda bastante. De qualquer forma, para os mais empolgados, é bom estar preparado para lidar com fios, muitos fios, seja na hora de sua instalação - que pode ser um tanto confusa - quando em seu uso.

DESIGN E USABILIDADE

O PS VR tem um design futurista, um tanto dissonante do estilo do PS4, mas ele é mais funcional do que se imagina olhando para este trambolhão. Com acabamento em um plástico de boa qualidade, ele pesa cerca de 600 gramas, o que parece muito, mas não chega a incomodar tanto assim em uma sessão de jogo. No seu cabo, ele possui um botão de liga e desliga, regulagem de volume e mudo para o microfone embutido no headset, assim como uma entrada para fone de ouvido.

O óculos da Sony usa um ajuste um pouco diferente de outros headsets, não usando elásticos e sim uma espécie de sistema mecânico, que fixa bem o equipamento. O headset parece mais como um visor posicionado sobre os olhos do que pressionado contra o rosto do usuário. Por conta disso, pode acontecer dele perder estabilidade verticalmente, caindo pra cima ou pra baixo no seu campo de visão dependendo dos movimentos que você faz. Além disso, o vazamento de luz para dentro do campo de visão é algo que ocorre frequentemente.

Por não estar tão apertado contra o rosto do jogador, ele até não incomoda tanto quando se trata do calor que é criado em torno dos olhos do usuário. Mesmo assim, não é incomum que você venha a suar bastante com o PS VR nos olhos, assim como embaçar as suas lentes.

Mesmo assim, ele tem diversos ajustes para ficar confortável nos mais diversos formatos e tamanhos de cabeça. Para travar o ajuste, basta apertar um botão na traseira do óculos. Qualquer ajuste anatômico do VR é feito em dois botões, um modelo bem mais simples que o de outros headsets para gamers. Apenas os fios - sim, os fios - podem ser um empecilho em games que possam exigir um pouco mais de movimento do usuário.

Por falar em movimento, é preciso dizer que, diferentemente de outros headsets de VR, que usam basicamente sensores de movimento para simular a sensação de movimento em um ambiente virtual, o PS VR precisa da Playstation Camera para funcionar precisamente.

É através da câmera que o óculos é rastreado e os movimento do jogador são registrados, através de luzes em azul na frente, lados e traseira. São LEDs semelhantes aos que são encontrados no joystick do PS4 e também nos controles "sorvete" do Playstation Move. Aliás, eles também são usados nos jogos com base nesse rastreamento.

Portanto, para usar o Playstation VR sem maiores problemas de detecção de movimento, a dica é simples: sempre se mantenha no campo de visão da câmera e garanta que ela esteja bem calibrada antes de qualquer jogatina.

RESOLUÇÃO

O Playstation VR vem com um display OLED com uma resolução de 1920 por 1080 pixels dividido em duas lentes - ou seja, são 960 por 1080 para cada olho. Ele não tem uma resolução tão boa quanto a de um Oculus Rift, que tem 1080 x 1200 pixels em cada lente, mas estamos falando do Playstation 4, um console de mais de três anos e um hardware que não se equipara ao de um PC poderoso. Para compensar, entretanto, o óculos da Sony alcança uma taxa de atualização de frames de até 120 hertz, enquanto os concorrentes ficam nos 90 hertz. Quanto melhor a taxa de atualização, mais a imagem se torna próxima do que enxergamos no dia a dia com nossos olhos.

Quando se coloca o óculos, entretanto, se percebe claramente que o PS VR não é um primor na resolução de suas imagens. Em muitos jogos, os gráficos tem detalhes borrados e não tem imagens tão vívidas, ainda mais no caso de títulos que podem ser jogados tanto em VR quanto de forma normal.

A explicação para isso é simples. Estamos falando o PS4, um console com mais de três anos de idade, e seu poder gráfico não compete com um PC de última geração quando se trata de renderizar ambientes virtuais em tempo real. E sim, testamos ele no PS4 Pro, versão do console com melhor processamento. De acordo com a Sony, usar o VR no Pro resulta em experiências com melhores gráficos e texturas. Tiramos a prova a aqui e as diferenças existem, mas não são assim tão significativas a ponto de mudar a experiência.

Para os jogos tradicionais do PS4, que não tem compatibilidade com o VR, até é possível jogá-los no óculos, mas fica somente naquele modelo de tela flutuante. Não é nada de mais, e só piora se levarmos em consideração a menor resolução do headset.

EXPERIÊNCIA E JOGOS

Agora, a parte boa. Mesmo com uma qualidade de imagem inferior, o óculos de realidade virtual da Sony entrega experiências bastante satisfatórias em suas lentes, ainda mais quando se trata de uma opção gamer muito mais barata que outras por aí.

Realidade virtual é algo ainda em seu início, mas é inegável o seu apelo e sua capacidade de entregar novas experiências ao jogador - neste quesito o Playstation VR cumpre muito bem o seu papel. Nos seus primeiros meses de lançamento, a Sony investiu pesado para que desenvolvedoras entregassem um recheado catálogo de títulos. Foram cerca de 50 até o final de 2016.

As opções são variadas, desde games de simulação corrida [Drive Club VR], um jogo em que é possível controlar o Batman nas ruas de Gotham City [Batman Arkham VR], simulação de batalhas entre robôs em que o jogador fica no cockpit em primeira pessoa [RIGS], ação e outros. Até para quem não é muito de jogar, alguns títulos oferecem apenas experiências apenas de exploração do ambiente em 360 graus.

Um dos grandes destaques da plataforma foi lançado agora em janeiro. Considerado o primeiro grande jogo a chegar para o Playstation, o terror Resident Evil 7 pode ser jogado do início ao fim no óculos da Sony. É uma experiência realmente assustadora, mesmo que um tanto confusa na sua jogabilidade usando o VR. Vale a pena jogar em alguns trechos, mas não durante as suas seis horas de duração. É uma receita certa para levar sustos e ficar enjoado.

Quer outra dica? Use fones de ouvido com um bom isolamento acústico. Isso aumenta ainda mais a imersão no ambiente.

Até o momento, boa parte dos games lançados para o PS VR oferecem modelos simples de jogabilidade, que não estendem o tempo de jogo por muito tempo. São títulos para jogar em sessões mais rápidas, pois afinal de contas, não é indicado usar óculos de realidade virtual por períodos prolongados. Aliás, diversas pessoas podem passar mal ao experimentar estes equipamentos por muito tempo. É a Cinetose, também conhecida como "enjôo de movimento".

Óculos de realidade virtual podem enganar os seus olhos e cérebro, dizendo que você está em outro lugar, mas seu corpo está sentado em uma poltrona. Esse conflito de sensações pode causar desconforto dependendo da pessoa, principalmente em casos de exposição excessiva à experiências de realidade virtual. Enfim, jogar com o PS VR é muito legal, mas se você sentir que não está muito legal, pare imediatamente de jogar.

VALE A PENA?

Comparado com outros óculos de realidade virtual com apelo gamer no mercado, a vantagem do PS VR é inegável. Ele é com certeza a opção mais barata, custando 399 dólares no exterior ou cerca de salgados 3 mil reais no Brasil para quem importá-lo. Acrescente ao bolo o preço de um Playstation 4, que atualmente fica na casa dos mil e quinhentos reais e temos um equipamento de VR abaixo dos cerca de 8 a 10 mil reais que sai para ter um Oculus Rift e um PC poderoso capaz de rodar jogos em VR.

Mesmo assim, jogar com o Playstation VR é uma experiência assim tão imperdível que justifica a compra de um equipamento caro como este? Na nossa opinião, ainda não. Mesmo sendo a opção mais acessível, está um tanto cedo para saber se o modelo vingará e se mais jogos de primeira linha sairão para a plataforma. Por enquanto, a Sony está indo bem com o aparelho, com cerca de 50 mil unidades vendidas, mas 2017 será o ano para saber se ele chegou para ficar. Quer a nossa dica? Fique ligado no PS VR, mas espere mais um pouco caso tenha a vontade de comprá-lo.

Mas então pessoal, o que vocês acharam do Playstation VR? Já usaram? Se sim, o que acharam? Será que novos jogos de peso vão fazer o headset da Sony se tornar um acessório básico para os donos do Playstation? Conte para a gente nos comentários.

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