Microsoft é acusada de impedir funcionamento do Kaspersky no Windows 10

Por Redação | em 16.11.2016 às 11h52

Kaspersky

Já faz uns bons anos que o Windows vem com um antivírus nativo instalado de fábrica, num esforço da Microsoft para manter seus usuários protegidos de ameaças virtuais desde os primeiros cliques. E isso é uma coisa boa, não é mesmo? Nem tanto. Pelo menos não para a Kaspersky.

Uma das mais renomadas empresas de segurança digital, a companhia russa vem acusando a Microsoft de práticas anticompetitivas e de barrar o funcionamento do antivírus no Windows 10. Em uma publicação em seu blog oficial, Eugene Kaspersky, desenvolvedor do software antivírus, vai além e diz que a norte-americana criou três obstáculos para produtos de terceiros no Windows 10.

O primeiro deles, explica Kaspersky, envolve as telas de aviso do Windows 10, que incentivam o usuário a ativar o Defender com um botão laranja escrito "Ativar". O problema é que o botão desativa automaticamente antivírus de outras fabricantes, independentemente de ele estar atualizado e funcionando bem.

A segunda barreira envolve as atualizações do Windows 10. De acordo com o desenvolvedor, elas detectam quais programas não são suportados pelo sistema e os desinstala sem qualquer aviso prévio. E isso vem fazendo com que as soluções de segurança da Kaspersky venham sendo desinstaladas e substituídas pelo Windows Defender rotineiramente.

Finalmente, Kaspersky alega que a Microsoft dá muito pouco tempo para que os desenvolvedores testem seus antivírus no Windows 10. Em protesto, ele pede que a Microsoft seja mais transparente nesse processo e que avise que irá remover um antivírus que não é compatível, ou recomende a instalação de uma versão compatível após a atualização.

A treta está tão grande que até o governo da Rússia entrou na jogada. Em um comunicado emitido na semana passada, o Serviço Federal Antimonopólio do país disse já estar investigando se a Microsoft está abusando de sua posição no mercado com o Windows 10 e que a norte-americana goza de "vantagens injustificadas" em questão de antivírus. Uma reclamação junto à União Europeia também foi aberta pela Kaspersky.

Onde tudo isso vai dar, a gente não sabe. Mas caso a prática seja confirmada, então a Microsoft pode se ver em mais uma polêmica envolvendo os softwares que embute em seus sistemas operacionais. Em 2009, a União Europeia obrigou a empresa a vender o Windows sem o Internet Explorer pré-instalado, deixando nas mãos dos usuários a decisão de querer ou não o navegador em suas máquinas. Será que vai acontecer a mesma coisa com o Windows Defender?

Via Ars Technica, The Register, Gizmodo

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