Jornal critica Mark Zuckerberg por citação a criador da web

Por Redação | em 29.08.2016 às 12h08

Mark Zuckerberg

No último dia 23 de agosto, os usuários do Facebook se depararam com uma mensagem comemorativa congratulando Sir Tim Berners-Lee e outros pioneiros pelos 25 anos da web, comemorados naquela data. Ou não, já que segundo o próprio criador, a ideia original da rede foi submetida ao CERN, a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear, em 1989, ou seja, há 27 anos.

É justamente a partir desse equívoco que o jornal britânico The Guardian, na coluna de John Naughton, faz uma grande crítica a Mark Zuckerberg. Para o especialista, ele não faz nada que se relacione à rede “aberta e conectada” criada por Lee, e chega a citar, inclusive, que o próprio pioneiro da internet jamais seria “amigo” do Facebook por causa de sua estratégia de mercado e forte utilização dos dados de seus usuários.

O artigo em si não fala mais sobre a visão de Berners-Lee, mas chama o Facebook de um “silo” – uma evolução do conceito de “jardim cercado”, no qual os usuários podem se divertir e passarem um tempo, mas em um espaço completamente controlado e cujo comportamento, integralmente, pode ser monetizado. Naughton cita a rede social como o exato oposto do que era a rede em sua concepção, indo além até mesmo das palavras “aberta e conectada” utilizadas pelo serviço na congratulação.

Usando palavras fortes, o colunista afirma que a rede social é, nada mais, do que um projeto comercial, e taxa como “bobagem” as palavras bonitas expostas no suposto aniversário da internet. Para contrabalancear isso, ele cita, mais uma vez, falas anteriores de Berners-Lee, que citou a rede como um local no qual a “inovação não precisa de permissão” para acontecer, bastando apenas a habilidade e a infraestrutura necessária para que as ideias se tornassem realidade.

O especialista faz um contraponto, ainda, com a situação do Gawker e sua falência diretamente relacionada a um milionário processo judicial financiado pelo empreendedor Peter Thiel. Mais uma vez, fala-se em abertura e liberdade, já que, para Naughton, o caso abre um precedente perigoso no qual milionários poderiam bancar ações desse tipo e arrastar o processo até que o outro lado esteja financeiramente incapacitado de continuar.

Ao final, o colunista afirma que o dinheiro oriundo do mercado de tecnologia pode ir contra uma de suas bases fundamentais – a liberdade de expressão. E aponta o fato de Thiel se sentar ao lado de Zuckerberg na diretoria do Facebook, o mesmo que se diz a favor de uma internet aberta e conectada. “A hipocrisia continua reinando” é a frase que fecha o artigo.

Fonte: The Guardian

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