Como Mark Zuckerberg elaborou um plano para "destruir" o Google+

Por Redação | em 03.06.2016 às 20h40

Mark Zuckerberg

Hoje uma "cidade fantasma", o Google+ (ou Google Plus) foi motivo de muita dor de cabeça para Mark Zuckerberg logo quando foi lançado, em junho de 2011. Tanto que, naquele ano, o CEO do Facebook organizou uma reunião de emergência com os principais executivos da empresa com um único objetivo: elaborar um plano para destruir a rede social da gigante das buscas.

A "tramoia" de Zuck e sua equipe é um dos trechos presentes no livro Chaos Monkeys: Obscene Fortune and Random Failure in Silicon Valley, escrito por Antonio Garcia Martinez, ex-empregado do Facebook. Na obra, que será lançada no próximo dia 28 de junho, ele conta um pouco do que pode acompanhar nos bastidores da companhia pela qual trabalhava.

Segundo Martinez, um dos momentos mais emblemáticos foi justamente na época em que o Google Plus chegou ao mercado. Só a ideia do Facebook ganhar um concorrente à altura teria motivado Zuckerberg a declarar guerra contra o serviço do Google. Em uma das reuniões, o presidente executivo do Facebook incentivou seus funcionários a trabalhar por várias horas para melhorar a própria rede social.

Para mostrar que não estava para brincadeira, Zuckerberg até criou um slogan, como se estivesse convocando seus empregados para uma batalha. "Sabem, um dos meus oradores romanos favoritos terminava cada discurso com a frase 'Carthago delenda est', que significa 'Cartago deve ser destruída'. Por alguma razão, eu pensei nisso agora", disse o CEO durante o encontro.

A expressão dita por Zuckerberg é uma referência ao senador romano Catão, que popularizou o dito no século II antes de Cristo. Catão sempre dizia essa frase para estimular a República Romana a devastar a cidade de Cartago durante as Guerras Púnicas. E deu certo: Roma destruiu completamente Cartago durante a Terceira Guerra Púnica, deixando a cidade em chamas por 17 dias. O que restou dela foi assumida pelos romanos, que ainda venderam vários de seus antigos habitantes como escravos.

Depois da reunião de planejamento contra o Google Plus, dezenas de cartazes com a frase "Carthago Delenda Est" foram colados em todo o campus do Facebook, na Califórnia. A "obsessão" de Zuck em atingir a plataforma social do Google era tão grande que as cafeterias internas da companhia ficaram abertas aos fins de semana para que os funcionários pudessem trabalhar de lá — eles ainda podiam levar suas famílias até o local, mesmo durante o expediente extra.

Google+

Em seu livro, Martinez descreve Zuckerberg e seus funcionários como "fanáticos" por aquilo que fazem. Em um dos trechos, ele diz o seguinte:

"O Facebook é cheio de verdadeiros crentes que realmente, realmente, realmente não estão fazendo seu trabalho por dinheiro, e que realmente, realmente não vão parar até que cada homem, mulher e criança na Terra estejam olhando para uma janela azul-estandarte com o logotipo do Facebook. Tanto que, se você pensar sobre isso, é muito mais assustador que simples ganância. A pessoa gananciosa pode ser comprada por algum preço, e seu comportamento é previsível. Mas o verdadeiro fanático? Ele não pode ser conquistado a qualquer preço, e não há como dizer o que suas loucas visões vão obrigar ele e seus seguidores a fazer. É por isso que estamos falando sobre Mark Elliot Zuckerberg e a companhia que ele criou."

Não se pode negar que a estratégia de Zuckerberg foi bastante agressiva. E, no final das contas, o executivo foi bem sucedido em seu plano, uma vez que o Google+ nunca chegou a ser uma ameaça ao domínio estrondoso do Facebook. Na verdade, a rede social do Google caiu na própria armadilha, pois não conseguiu se diferenciar muito dos principais recursos do Facebook. Como resultado, o Google, desde o ano passado, deixou de promover o serviço, que agora segue no limbo.

Fonte: Vanity Fair 

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