Google, Amazon, Facebook e Twitter vão apoiar a Apple contra o FBI nos tribunais

Por Redação | em 26.02.2016 às 09h46

Apple e FBI

Ao que tudo indica, o caso envolvendo a polêmica decisão do FBI em obrigar a Apple a criar uma backdoor no iPhone de um terrorista está apenas começando. As duas entidades foram convocadas para uma audiência no Congresso dos Estados Unidos no próximo dia 1º de março para defender seus respectivos pontos de vista sobre o assunto. Agora, a Maçã contará com a ajuda de suas principais rivais para ajudá-la em sua defesa.

Muitas companhias do mercado de tecnologia anunciaram nos últimos dias que irão apoiar a gigante de Cupertino nos tribunais. Essas empresas compartilham da mesma opinião da Apple, de que nenhuma corporação deve ser obrigada pelo governo a quebrar a segurança dos próprios dispositivos e, consequentemente, colocar em risco os dados de milhões de pessoas ao redor do mundo.

A Amazon, por exemplo, disse por meio de um porta-voz que está desenvolvendo um documento para se apresentar como "amiga" da Apple na corte — uma expressão jurídica conhecida como "amicus curiae", em que terceiros são chamados a participar de uma ação com o fim de auxiliar a tomada de decisão pelo juiz ou corte. Brad Smith, diretor do setor jurídico da Microsoft, também usará um documento com esse mesmo objetivo, focando no equilíbrio entre os direitos dos cidadãos (e na privacidade de seus aparelhos pessoais) e a guerra contra o terrorismo. Google, Facebook e Twitter também irão à Justiça como amigas da corte à favor da Apple.

A Maçã tem até o dia 3 de março para aceitar que outras empresas, além de grupos que são contra a decisão do FBI, sejam suas aliadas nos tribunais.

No Congresso

A audiência da próxima semana funcionará da seguinte maneira: primeiro terá a palavra James Comey, diretor do FBI; depois, será a vez de Bruce Sewell, vice-presidente sênior e conselheiro geral da Apple, que estará acompanhado de Susan Landay, professora do Instituto Politécnico de Worcester, e Cyrus Vance, advogado do distrito de Nova York.

Na semana passada, o FBI emitiu um comunicado que obriga a Apple a fornecer acesso aos dados do iPhone 5c de um terrorista que matou 14 pessoas e feriu outras 22 em San Bernardino, na Califórnia, em dezembro de 2015. A ideia do órgão de segurança americano é que a empresa crie um novo sistema operacional sem nenhum recurso de segurança para que a instituição consiga obter informações que ajudem o governo dos EUA no caso, uma vez que os criminosos possuem ligação com o Estado Islâmico.

A Apple, por sua vez, se negou a atender a solicitação, sob a justificativa de que a criação de uma ferramenta como essa pode desencadear uma falha permanente de segurança que afetaria todos os usuários de iPhone. Além disso, a companhia da Maçã acredita que a decisão criaria um precedente para novos casos dessa natureza, já que, se o FBI conseguir sair vitorioso, ele poderá tomar a mesma atitude para com outras organizações. Por isso o apoio da Amazon, Google, Facebook, Twitter e outras empresas junto à Apple pode ser decisivo.

O objetivo da Apple em levar o caso para o Congresso é tentar tirá-lo do Tribunal. Contudo, a companhia parece estar ciente de que existe o risco de perder essa batalha para o FBI. Neste caso, a companhia já tem em mente criar novas medidas de segurança no iOS que tornaria impossível sua violação — tão impossível que nem a própria Apple conseguiria burlar a plataforma no futuro, mesmo sob possíveis ordens judiciais do FBI ou de outras entidades.

Recentemente, a Apple contratou Frederic Jacobs, desenvolvedor do Signal, um dos mensageiros mais seguros disponíveis atualmente, e que trabalhou diretamente com a criptografia do aplicativo. Este seria mais um indicativo de que a Maçã está mesmo empenhada em potencializar a segurança de seu sistema operacional móvel.

Fontes: Cult of Mac, Reuters, BuzzFeed

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