Trump fala "groselha" de novo: desta vez, sobre a governança da Internet

Por Redação | em 22.09.2016 às 17h27

Donald Trump

A corrida presidencial dos Estados Unidos deste ano tem sofrido com uma sequência de eventos bizarros: a maior parte deles, é claro, vindas diretamente do candidato do partido Republicano à Casa Branca, Donald Trump. 

A mais nova das "groselhas" ditas pelo presidenciável e sua campanha, nesta quarta-feira (21), só comprovam que o milionário alaranjado não tem a menor ideia de como a governança da Internet realmente funciona.

Em um comunicado liberado por sua campanha, Trump criticou a mudança no sistema de supervisão da Internet, responsabilidade da entidade sem fins lucrativos ICANN, que deve passar das mãos dos Estados Unidos para a uma governança da comunidade internacional a partir do dia 1º de outubro.

A declaração afirma que o atual presidente Barack Obama estaria "entregando o controle da Internet para potências estrangeiras", supostamente colocando a liberdade de expressão da rede em risco no processo.

"A supervisão dos Estados Unidos manteve a Internet livre e aberta e sem censura governamental - um valor americano fundamental, enraizado na cláusula de liberdade de expressão da nossa Constituição", diz o comunicado. "A liberdade na Internet está agora em risco com a intenção do Presidente de ceder o controle aos interesses internacionais, incluindo a países como China e Rússia, que têm um longo histórico de tentar impor a censuras online".

Donald Trump

Segundo a campanha de Trump, Obama estaria entregando o controle da Internet a potências estrangeiras (foto: reprodução)

Desde o final do ano passado, Trump tem feito coro ao ex-candidato republicano Ted Cruz, que foi o primeiro a defender que a entrega da supervisão pelos Estados Unidos seria um ataque à liberdade de expressão na Internet. 

Além de estar na contramão do consenso internacional, a fala da campanha de Trump prova que ninguém por ali está realmente por dentro do que a mudança da governança significa, e sim só usando o discurso como mais um forma de tentar alavancar votos através da imposição de um novo medo ao eleitorado norte-americano.

A entrega da supervisão do ICANN pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos para um consórcio de países, empresas e órgãos competente, é um movimento amplamente visto como positivo para a evolução da Internet, com o apoio de governos, da comunidade acadêmica e de empresas como Facebook, Google, Amazon, Yahoo e Twitter.

Em um editorial conjunto publicado no Washington Post, inclusive, Tim Berners-Lee, inventor da World Wide Web (WWW), e o ex-CTO da Casa Branca, Daniel Weitzner, já afirmaram que não há relação entre a gestão do ICANN e censura na Internet - visto que até hoje, os Estados Unidos nunca conseguiram usar a supervisão do órgão para evitar que outros países censurassem a rede.

Fundamentalmente, a passagem do controle dos EUA para a comunidade internacional indica um avanço da abertura da rede: tudo continuará como hoje em dia, com a diferença de que, agora, o comitê gestor passará a incluir mais interesses internacionais - uma pluralidade que tem o potencial de fazer a internet avançar livremente, dada sua natureza aberta.

Fonte: Gizmodo

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