Produtoras não têm ideia da audiência de seus conteúdos em serviços como Netflix

Por Redação | em 04.12.2015 às 17h11

Netflix TV

Ninguém duvida que o streaming de vídeo veio para ficar, contudo o sucesso do modelo ainda está obscuro para alguns dos principais nomes que abastecem o setor. Isso porque serviços como Netflix e Hulu não são reconhecidos exatamente pela transparência com que lidam com as produtoras de conteúdo, incluindo aí alguns grandes estúdios.

Enquanto na televisão existe as medições que criam previsões de audiência com base em amostragem, os métodos digitais que começam a criar um incômodo razoável para as emissoras não estão dispostos a compartilhar seus dados com produtoras e estúdios. E, aparentemente, o cenário não deve mudar tão cedo.

As revelações, quando feitas, nem sempre trazem informações precisas. Um exemplo disso aconteceu quando a Netflix afirmou que o filme Beast of no Nations estreou na plataforma com mais de três milhões de espectadores na América do Norte, mas não esclareceu se o número se tratava de pessoas que assistiram à obra por completo ou incluía aquelas que apenas iniciaram a transmissão.

“Eu finalmente abordei [o diretor de aquisição de conteúdos da Netflix] Ted Sarandos recentemente para tentar obter os números”, comentou o diretor do filme, Cary Fukunaga, em entrevista ao Business Insider. Mesmo assim, a informação passada a ele não o permitiu ter uma ideia clara do sucesso de sua película dentro da plataforma.

Menos informação = menor poder de barganha

O grande ponto aqui é: sonegar informação a quem produz conteúdo acaba por retirar o poder de barganha dos estúdios e das produtoras na hora de definir um preço para seus produtos. A partir do momento em que um estúdio, independente do seu tamanho, tiver ideia exata, com números claros e bem definidos, do sucesso de seus filmes e seriados, ele pode subir o preço pedido pelo seu licenciamento, por exemplo.

E mesmo os grandes estúdios ficam reféns da falta de informação. Apesar de fazerem acordos bilionários com os serviços de streaming, que normalmente envolvem a liberação de uma porção de filmes de uma só vez, eles não têm a menor ideia do desempenho de filmes e seriados junto aos assinantes da Netflix, da Amazon Prime ou do Hulu.

Como tais companhias não dependem de anúncios publicitários, que levam em conta justamente a audiência para pagar mais ou menos para veicular um comercial no intervalo de um filme ou de uma telenovela, resta a impressão de que estúdios e produtoras dependem mais das plataformas de streaming do que o contrário.

“Nós oferecemos as joias da família para uma plataforma e não sabemos o que está dando certo e o que não está”, comenta uma fonte anônima do Business Insider ligada aos estúdios.

Estatísticas de terceiros

Até o momento, dada a ausência de informações oficiais, alguns estúdios recorrem a serviços de terceiros que sugerem uma audiência com base em amostras de consumidores. Entretanto, estatísticas obtidas desta maneira não são tão específicas nem tão confiáveis como seriam os dados fornecidos pelos próprios serviços de streaming.

Sendo assim, apesar do panorama nada animador, é quase unânime qual pode ser a solução para este problema: uma posição firme dos grandes estúdios. Quando grandes nomes do setor como Sony, Warner ou Universal começarem a cobrar com veemência, quem sabe Netflix e outros nomes do gênero revejam as suas práticas em relação à transparência.

Fonte: Business Insider

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