Inclusão digital na América Latina precisa avançar, aponta estudo

Por Redação | em 24.02.2016 às 13h20

Computadores escolas públicas

Apesar de contar com a cobertura de redes de banda larga móvel, 363 milhões de cidadãos da América Latina e Caribe ainda estão desconectados. Novos relatórios desenvolvidos pela GSMA Intelligence a pedido do programa “Sociedade Conectada” apontam que conteúdos relevantes localmente e a alfabetização digital são fundamentais para a inclusão digital na região.

O estudo mostrou que será necessário ampliar a colaboração entre as operadoras móveis e os governos para estender os serviços de conectividade móvel e internet a milhões de cidadãos da América Latina e Caribe. A acessibilidade e a cobertura da rede também foram identificadas como outras barreiras importantes à inclusão digital na região.

A brecha de demanda também varia significativamente na região: há países, como Chile e Costa Rica, em que a proporção de usuários de serviços de banda larga móvel é relativamente elevada, enquanto em outros mercados, como Guatemala e Equador, existe uma importante brecha entre a disponibilidade dos serviços de banda larga móvel e sua adoção.

“A banda larga móvel é o principal meio de oferecer acesso à internet a preços reduzidos na América Latina e Caribe. Essa possibilidade gera uma ampla variedade de benefícios socioeconômicos e dá respaldo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações  Unidas”, observou Sebastián Cabello, diretor da GSMA para América Latina. 

Por aqui, um dos grandes problemas é o alto nível de desigualdade de renda. Para 40% da população com renda baixa, uma vez que uma das barreiras mais importantes à acessibilidade são os impostos sobre os serviços móveis, especialmente em certos países como Brasil e Argentina, onde os impostos para os consumidores representam mais de 30% do custo total de propriedade móvel.

Em suma, os quatro principais obstáculos para aumentar a adoção de banda larga móvel citados pelo estudo foram: falta de conteúdos localmente relevantes, falta de competências digitais, acessibilidade e cobertura de rede.

Para tentar combater esses problemas, a criação de conteúdo atrativo, tanto no que diz respeito à linguagem quanto à relevância local, deve ser incentivado. A análise de dados de tráfego web mostra que menos de 30% do conteúdo acessado na América Latina e Caribe se encontra em idiomas locais, apesar do predomínio do espanhol e do português na região. 

O estudo mostrou ainda que a falta de infraestrutura para aprendizagem e apoio à educação digital impede que muitos usuários móveis possam explorar os benefícios que a internet oferece. Além disso, a redução nos impostos específicos e nas taxas que se aplicam, tanto aos consumidores como às operadoras, poderia contribuir para melhorar a acessibilidade na região.

Currículo escolarPaíses onde o currículo escolar inclui objetivos específicos ou temas sobre conhecimentos básicos de informática / computação

Por fim, oferecer cobertura de banda larga móvel para 90% da população da região foi uma grande conquista. No entanto, cobrir as áreas restantes, que contam com baixo índice demográfico (como cadeias de montanhas, florestas e ilhas) pode não ser comercialmente viável se não houver colaboração e algum tipo de associação público-privada. 

Isso nos remete à importância do apoio a projetos como o Internet.org, encabeçado pelo Facebook, e o Projeto Loon, do Google, que visam levar acesso à internet para os cantos mais isolados e pobres do planeta.

Situação do Brasil

Cerca de 100 milhões de pessoas que estão dentro do alcance de redes 3G ou 4G na América Latina vivem no Brasil, considerado o maior mercado da região. O país conta com 123,7 milhões (61%) de usuários de internet, enquanto 79,1 milhões (39%) de moradores do país não têm acesso à rede.

A região sudeste é a mais conectada, com no máximo 15% de moradores sem acesso à internet. Já nas regiões norte e nordeste, o número de desconectados pode chegar a 90%, conforme indica o mapa divulgado pela GSMA.

Mapa acesso internet

Imagem: Divulgação / GSMA Intelligence

Dentre as pessoas sem acesso à internet no país, 64% correspondem à população rural, com apenas 35% da população urbana desconectada. Os maiores de 60 anos representam a faixa etária mais desconectada (76%), enquanto os jovens com idade entre 16 e 24 anos representam apenas 11% daqueles que não tem acesso à internet.

A divisão entre classes sociais aponta que apenas 3% das pessoas da chamada classe A não possuem acesso à rede, enquanto nas classes B (14%) e C (39%) este número sobe consideravelmente. Já a classe DE conta com 72% de membros desconectados.

Classe social internetImagem: Divulgação / GSMA Intelligence

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