China vai obrigar sites a verificarem notícias antes da publicação

Por Redação | em 05.07.2016 às 11h46

Smartphones na China

O governo da China decidiu apertar ainda mais o cerco sobre o trabalho jornalístico realizado no país, tanto por veículos locais quanto internacionais que atuem por lá. A partir de agora, jornalistas e editores serão obrigados a checarem as informações publicadas, de forma a garantir que elas sejam verdadeiras. Especulações sobre fatos, por exemplo, não serão mais permitidas.

Um dos grandes focos da mudança imposta pelo diretor do departamento de Administração do Ciberespaço do país, Xu Lin, é a utilização de redes sociais na composição de artigos. As regras são impostas apenas dois dias depois de ele assumir o cargo e chegam para evitar que portais e jornais “fabriquem” histórias utilizando sites como Weibo ou aplicativos de comunicação instantânea como o WeChat. 

Como já acontecia antes, a responsabilidade de tudo o que é publicado cai sobre o portal e seus editores, mas, agora, punições mais severas devem ser aplicadas quando uma informação se provar falsa. Alguns nomes conhecidos da China, como Sina, Qq.com e 163.com, por exemplo, já teriam sido penalizados por conta da publicação de informações falsas ou da fabricação de notícias. O governo, entretanto, não deu detalhes sobre isso.

Na superfície, pode parecer uma ideia interessante, com uma regulação da imprensa que evita a atuação de tabloides e a circulação de fofocas em prol da informação verdadeira e limpa. O problema, entretanto, está nas normas impostas pelo governo chinês, que exige, por exemplo, que as fontes sejam sempre citadas em uma matéria – nada de deixá-las anônimas, como acontece com informações quentes, por exemplo – e a presença de um departamento interno dedicado exclusivamente à verificação de fatos, que deve fazer uma interface com a administração pública nesse sentido.

A maior crítica ao programa vem de organizações internacionais de imprensa, que, apesar desse caráter, estão sujeitas às normas ao operarem na China. Mesmo que uma nota seja voltada a um público de fora do país, se ela for produzida e publicada dentro de seu território, estará sujeito às regras e, sendo assim, também às punições impostas pelo programa de regulação da imprensa.

Mais do que isso, a ideia é que a necessidade de citar fontes acaba entrando no meio de um dos principais pressupostos da imprensa, a noção de que um entrevistado deve ser protegido, se assim quiser, mas suas informações podem ser publicadas se forem de interesse público. O temor é de que as normas potencializem ainda mais a censura existente no país e dificultem a propagação de notícias que possam ser negativas ou críticas ao governo.

Lin, entretanto, discorda dessa abordagem. Para ele, não apenas esta norma, como todas as outras impostas pelo departamento de internet da China, vem para garantir a aplicação de leis locais e impedir a ação de ameaças internas e externas, como criminosos e terroristas, além de evitar rumores que possam ser danosos aos cidadãos. As regras passam a valer imediatamente.

Fonte: South China Morning Post

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