Lenda do setor, Jeff Moss pede que hackers não se tornem apenas "especialistas"

Por Rafael Romer RSS | em 20.11.2016 às 13h30

Jeff Moss

Uma das lendas do universo hacker e fundador de duas das maiores conferências do setor, a Black Hat e a DEF CON, Jeff Moss se diz "preocupado" com o fato de hackers estarem se tornando apenas novos especialistas de mercado.

Hoje trabalhando junto ao Conselho Consultivo de Segurança Interna dos Estados Unidos, o hacker vê um fenômeno geral de "especialização" de profissionais, puxado por fatores como a evolução da complexidade da tecnologia, a tentativa de pessoas se tornarem indispensáveis para suas empresas e a necessidade de entrega cada vez mais rápida de produtos e serviços.

"O lado ruim disso é que temos menos 'generalistas', menos pessoas que olham os riscos de todo o sistema", comentou durante a Roadsec 2016, na última sexta-feira (18), em uma palestra via Skype.

Segundo Moss, esse sempre foi o papel tradicional dos hackers: generalistas com a capacidade observar e entender "o quadro geral das coisas", para encontrar falhas e consertar o sistema. Agora, no entanto, até eles já começam a embarcar na onda da especialização, focando seus estudos e carreiras em uma única área de conhecimento.

"Como hacker, eu me preocupo que perderemos essa habilidade [de generalistas] porque precisaremos nos especializar", afirmou. "Então, no seu dia-a-dia você pode se especializar em algo, mas, por favor, tire algum tempo para entender o quadro geral das coisas", pediu ao público do evento.

Centralização e regulamentações

Além da tendência de "especialização", Moss ressaltou durante sua fala dois outros cenários preocupantes para os próximos anos que precisam ser vigiados de perto por hackers.

A primeiro é o outsourcing de infraestrutura que ocorre hoje na indústria, onde organizações estão terceirizando seus sistemas através de cada vez mais soluções de grandes empresas, criando uma grande interdependência e perdendo o controle de seus próprios sistemas. "Se projetarmos isso para o futuro, há uma sensação de desamparo, nós não teremos as mãos em nenhum dos controles", sugeriu.

Ao mesmo tempo, este processo tem colaborado para o surgimento de uma Internet "menos flexível e frágil", centralizada ao redor de poucas operadoras de telecomunicações e provedores de serviços – sejam elas grandes redes sociais, ferramentas de buscas ou e-mail. E para o hacker, esse ambiente centralizado não é nada positivo e facilita a intervenção governamental na Internet para coibir atos criminosos ou para garantir a segurança de ativos de grandes empresas.

"Nós precisamos pensar em como mudar isso", disse. "Se continuarmos na nossa trajetória atual, teremos grandes empresas centralizadas que podem se proteger sozinhas e um monte de regulamentações governamentais".

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