Google pode ser processado em mais de R$ 11 bi por monopólio de buscas

Por Redação | em 16.05.2016 às 11h02

Prédio do Google

Um novo recorde na indústria de tecnologia pode estar prestes a ser batido pelo Google, mas não de uma maneira positiva. A empresa pode estar diante da maior multa já recebida por uma empresa de tecnologia na história, caso uma investigação feita pelo governo da Bélgica chegue à conclusão esperada de que a companhia realmente monopoliza o mercado de pesquisas na Europa e usa táticas para minar a concorrência. A expectativa é que a punição chegue a € 3 bilhões, mais de R$ 11 bilhões.

O valor pode parecer alto, mas, de acordo com especialistas, seria perfeitamente possível. A União Europeia leva muito a sério práticas como monopólio e, de acordo com as leis do Velho Continente, pode multar empresas em até 10% de suas vendas anuais no continente, o que, para o Google, poderia levar a cobrança de até € 3,3 bilhões, além, claro, de ser ver obrigada a mudar sua atuação.

O estopim da investigação, que começou em 2009, é a forma como o Google privilegia os resultados de seu próprio serviço de comparação de preços, o Shopping, mesmo em buscas não relacionadas a compras, enquanto tenta minar as ocorrências da concorrência. No passado, inclusive, a empresa já havia sido notificada para modificar os algoritmos relacionados a esse serviço, mas decidiu batalhar judicialmente a questão.

Ao longo do inquérito, mais evidências surgiram e agora envolvem também o sistema operacional Android, o mais popular entre os usuários de smartphones na Europa. Os oficiais de Bruxelas alegam que, ao escolherem um celular com a plataforma, os usuários teriam pouca ou nenhuma escolha de ferramentas de mapas, e-mails, cloud computing e outras além do Google, ou teriam de realizar grandes mudanças e configurações para que pudessem escolher os serviços de sua preferência.

Foi justamente essa a questão que pode acabar levando a uma multa tão pesada. Mais do que os valores em dinheiro, o Google deve ser condenado, ainda, a modificar os algoritmos e funcionamento de seus produtos de forma que suas próprias ferramentas não sejam privilegiadas sobre as da concorrência, algo que deve impactar diretamente no funcionamento de seu sistema operacional móvel e também no motor de buscas.

Outros mercados, como o de mapas e de informações de viagens, também podem ser assunto de futuras multas e investigações. Tudo depende, aparentemente, da ação do Google em relação ao inquérito atual, já que, mais do que resolver as coisas, o governo belga estaria disposto a fazer da empresa um exemplo para que outras não abusem do mercado da mesma maneira. Uma cobrança tão grande, inclusive, já seria uma resposta à recusa da companhia em modificar seus algoritmos de acordo com as solicitações do governo.

Em contrapartida, o Google já respondeu ao governo, afirmando que suas práticas de forma alguma impedem o sucesso da concorrência e citando nomes como Amazon e eBay como um exemplo disso. O argumento, entretanto, não parece ter colado. A investigação pelos oficiais de Bruxelas estaria em sua etapa final, com uma decisão a ser emitida daqui a algumas semanas. Até lá, porém, a gigante das buscas deve permanecer calada, mas, desde já, sabe ter a opção de recorrer judicialmente de qualquer ordem ou multa que sejam proferidas.

Fonte: Telegraph

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