Sonda Juno chegará a Júpiter a partir das 23h30; acompanhe com a gente

Por Patrícia Gnipper RSS | em 04.07.2016 às 22h24 - atualizado em 05.07.2016 às 00h12

Juno

Depois de cinco anos de espera, a sonda Juno chegará a Júpiter finalmente na noite desta segunda-feira (4), a partir das 23h30 (horário de Brasília). A missão desvendará mistérios a respeito do gigante gasoso e também de suas luas Europa, Io, Calisto e Ganimedes.

A NASA transmitirá o acontecimento ao vivo pela NASA TV e também no seguinte vídeo:

A JunoCam foi desenvolvida especialmente para a missão, sendo capaz de capturar imagens incríveis do maior planeta do Sistema Solar de maneira similar a como aconteceu com a missão New Horizons, que no ano passado nos mostrou um Plutão como nunca havíamos imaginado.

Além da JunoCam, a sonda carregará outros oito instrumentos como um magnetômetro, que medirá o campo magnético jupteriano – cerca de 20 mil vezes mais intenso do que o da Terra. Também será possível estudar a atmosfera e as profundezas de Júpiter por meio de medição de micro-ondas.

Por que Júpiter?

Após a passagem das duas naves do programa Voyager pelo Sistema Solar, iniciado em 1977, a NASA obteve revelações e imagens surpreendentes a respeito dos planetas gasosos do nosso quintal espacial. Depois que as sondas Voyager 1 e 2 atingiram a fronteira do sistema solar com o espaço interestelar em 2004, a agência espacial dos Estados Unidos vem estudando os planetas separadamente.

Júpiter, Io e Europa - missão Voyager
Imagem de Júpiter com as luas Io e Europa capturada pela missão Voyager em 1996 (Reprodução: NASA/JPL)

E Júpiter, mesmo que seja o maior planeta do Sistema Solar e conte com pelo menos 67 satélites naturais, ainda é um mistério para a comunidade científica no que diz respeito a sua formação. O planeta é recoberto por uma densa atmosfera gasosa e conta com a proteção de um campo magnético poderoso, mas ainda não sabemos se Júpiter tem um núcleo sólido por baixo da camada de gases, e tampouco temos um conhecimento exato sobre sua composição.

Além disso, entender a formação de Júpiter é praticamente sinônimo de entender como o Sistema Solar foi formado, já que é o planeta mais antigo desse sistema. E essa é a principal missão de Juno: determinar como foi o “nascimento” de Júpiter a fim de entender como os demais planetas (incluindo a Terra) se formaram.

Os desafios de Juno

A Juno começará a desacelerar sua velocidade em direção ao planeta pouco depois da 0h de terça (5) no horário de Brasília, entrando na órbita do planeta (e ali permanecendo) a partir da 1h da manhã. Para tal, a sonda acionará seu motor principal que deverá permanecer na atividade por 35 minutos, tempo suficiente para que a nave tenha sua velocidade reduzida a ponto de ser aprisionada pelo campo gravitacional do planeta.

Juno Júpiter
Á medida que se aproximou de Júpiter, Juno enviou essa imagem mostrando o planeta rodeado pelas luas Io, Calisto, Europa e Ganimedes (Reprodução: NASA)

Até lá, a sonda está viajando a mais de 200 mil quilômetros por hora, sendo um dos objetos mais velozes já construídos pelo homem. Contudo, falhas ainda podem acontecer e os cientistas da NASA estão um tanto apreensivos com a possibilidade desses motores falharem na desaceleração – e o resultado disso seria o lançamento da Juno ao espaço, o que decretaria o fim da missão. E somente saberemos se a sonda chegou com segurança a seu destino cerca de 48 minutos depois, já que é esse o tempo necessário para que um sinal enviado entre a Terra e Júpiter complete seu trajeto.

Além desse desafio, Juno também precisará se manter firme e forte enfrentando a intensa radiação emitida por Júpiter, já que seu campo magnético interage com as partículas de alta energia carregadas pelos ventos solares. A nave conta com proteção contra radiação, mas, ainda assim, não há 100% de segurança de que o artefato suportará tais condições, que foram comparadas com a mais de 100 milhões de radiografias dentárias. Outro desafio será manter suas baterias sempre em funcionamento, já que funcionam com energia solar. Então sua órbita foi planejada de modo que Júpiter jamais esteja posicionado entre a sonda e o Sol.

Ao todo, estima-se que Juno dê 34 voltas ao redor do planeta, cobrindo todo o globo em aproximadamente um ano terrestre. Cada voo pelo planeta durará o equivalente a um dia na Terra e, em seguida, Juno seguirá adiante para estudar as luas do gigante gasoso. Depois que a missão for completada, a sonda entrará na atmosfera de Júpiter em fevereiro de 2018, sendo “devorada” pelos gases ali presentes até, literalmente, desaparecer.

Com informações de: NASA (1) e (2)

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