Astrônomos descobrem que gases do halo da Via Láctea estão em movimento

Por Redação | em 27.07.2016 às 09h47

Via Láctea

Não é exatamente uma novidade o fato de que a Via Láctea conta com um grande halo gasoso ao seu redor, mas astrônomos do College of Literature, Science and Arts (LSA) da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriram pela primeira vez que essa concentração circular de gases ao redor da nossa galáxia está em movimento. Na verdade, o halo está girando na mesma direção e praticamente na mesma velocidade que o disco da galáxia - área que engloba as estrelas e planetas.

Essa descoberta lança uma nova luz sobre como os átomos individuais se reuniram formando estrelas, planetas e galáxias como a nossa, e pode ajudar os cientistas a determinarem o que o futuro reserva para essas galáxias. “As pessoas simplesmente assumiram que o disco da Via Láctea gira enquanto este enorme reservatório de gás quente seria estacionário - mas isso está errado”, declarou Edmund Hodges-Kluck, que participou da pesquisa. “Este reservatório de gás quente está girando muito bem, apenas não tão rapidamente quanto o disco [da galáxia]”, explicou.

Halo da Via Láctea
A imagem mostra como é o enorme halo ao redor da Via Láctea, recheado de gases quentes que giram mais ou menos na mesma velocidade do movimento da galáxia (Reprodução: NASA/CXC/M.Weiss/Ohio State/A Gupta)

O estudo focou na observação dos gases quentes do halo da Via Láctea, que é várias vezes mais largo do que o disco da galáxia. Uma vez que o movimento produz uma mudança no comprimento de onda da luz, os pesquisadores mediram essas variações em torno do céu usando linhas de oxigênio bastante aquecido. A descoberta foi inovadora: as mudanças de linha medidas pelos pesquisadores mostraram que o halo da nossa galáxia gira na mesma direção que seu disco e a uma velocidade semelhante. Enquanto a velocidade de movimento do disco da galáxia é de 540.000 mph, a velocidade do movimento do halo é de aproximadamente 400.000 mph.

“A rotação do halo quente é uma pista incrível de como a Via Láctea se formou. Isso nos diz que essa atmosfera quente é a fonte original de uma grande quantidade de matéria no disco”, revelou Hodges-Kluck. “Agora que sabemos sobre a rotação [do halo], teóricos usarão essa descoberta para aprender como a nossa Via Láctea se formou - e seu eventual destino”, vislumbrou Joel Bregman, professor de astronomia na Universidade. “Nós podemos usar essa descoberta para aprender muito mais - a rotação desse halo será um grande tema para espectógrafos de raios-X no futuro”, concluiu.

O estudo, que contou com recursos da NASA e utilizou dados colhidos pelo telescópio XMM-Newton da Agência Espacial Europeia (ESA), foi devidamente documentado em uma publicação no Astrophysical Journal, uma das publicações mais respeitadas do meio. 

Fonte: NASA

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