A internet não é a única culpada pelo fim dos ensaios nus na Playboy

Por Redação | em 16.10.2015 às 12h10

Playboy

Nesta semana, uma notícia pegou de surpresa muitos leitores da revista Playboy: a partir de março do ano que vem, a publicação impressa não terá mais fotos de mulheres nuas - ensaios estes que tornaram a marca popular em todo o mundo. De acordo com o CEO da empresa, Scott Flanders, a mudança de estratégia se dá pelo aumento de conteúdo pornográfico na internet.

De fato, se pararmos para analisar, a web pode sim ter contribuído, em partes, para a Playboy adotar novos rumos em suas próximas edições. Afinal, com a gigantesca quantidade de informações na rede, o que inclui vídeos, fotos e outras produções, não é nada difícil encontrar material adulto até mesmo da própria Playboy. No entanto, a internet não é a única culpada pelo fim dos famosos ensaios fotográficos de modelos e celebridades na publicação norte-americana.

Como destaca o Adweek, remover esse conteúdo envolve tanto o crescimento da web quanto um movimento natural da companhia, que percebeu ser a hora de se readequar ao que o mercado e o público podem encontrar num título impresso. Mais do que isso, a empresa está fazendo grandes mudanças em seu corpo editorial, o que significa uma maior competitividade com outras revistas masculinas, como GQ e Esquire - que até possuem ensaios sensuais, mas não pornográficos.

Além disso, menos nudez explícita atrai um número maior de anunciantes. Para efeito de comparação, desde que removeu fotos e vídeos de mulheres nuas de seu site, em agosto de 2014, a Playboy conseguiu mais propaganda, incluindo campanhas de marcas de luxo como Stoli Vodka, Hornitos Tequila e The Weinstein Company. Os usuários também passaram a acessar mais o website da companhia (aumento de 400%) e a idade média do leitor caiu de 47 para 30 anos.

"Mudanças como essa abrem conversas para anunciantes que até então hesitavam em anunciar em uma revista altamente provocativa", afirmou Robin Steinberg, diretor da empresa de pesquisas MediaVest. "Os leitores e a receita são os fatores mais importantes para o sucesso", completa, fazendo referência ao fato de que, agora que focará sua linha editorial para assuntos como estilo de vida e entretenimento, a Playboy pode aumentar seu apelo junto a marcas mais conservadoras.

Por enquanto, o fim dos ensaios nus se aplica apenas à versão norte-americana da Playboy. Especula-se que a última edição da revista terá a socialite Kim Kardashian, muito popular nas redes sociais por conta de suas incontáveis "selfies".

Ao longo dos últimos anos, conforme a internet conquistava seu espaço no dia a dia dos usuários, a Playboy nos Estados Unidos viu seu número de exemplares vendidos cair de 5,6 milhões de cópias, em 1975, para pouco mais de 800 mil atualmente. "Você agora está a um clique de distância de cada ato sexual imaginável, de graça. Por isso, a essa altura, [o ensaio nu] é apenas passado", disse Flanders ao jornal The New York Times.

Até o momento, a edição brasileira da publicação não deve sofrer maiores alterações. A Editora Abril informou que ainda "não há nada decidido" sobre uma mudança no mesmo sentido na Playboy publicada por aqui. Sérgio Xavier, diretor da redação da revista brasileira, explicou que ele e sua equipe ainda tem "muito o que pensar e debater", mas defendeu a posição de Richard Heffner, fundador da revista e editor-chefe da Playboy nos EUA, em querer mudar os padrões do título.

Fontes: Adweek, The New York Times, G1

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