Xiaomi Mi Band 2 [Análise]

Por Adriano Ponte RSS | em 05.12.2016 às 17h24

Faz algum tempo que a Xiaomi arrancou um sucesso do bolso e vendeu milhões de unidades pelo mundo. Falamos da Mi Band, um acessório que já fizemos análise aqui no Canal e que está aqui. Dessa vez, chegou a hora de fazer a análise da Mi Band 2, a REAL substituta da Mi Band original (essa foi pra você, Mi Band 1s!).

A SMARTBAND

Logo de cara vemos que a Mi Band ganhou um botão (e aumentou de tamanho). Como ela está ligeiramente maior que o modelo anterior, vamos explicar por que: ela não foi desenhada para a pulseira da Mi Band original, nem tente. Mesma coisa para o carregador. Seus 10.5mm estão aí para serem notados.

Você deverá encaixar o núcleo da Mi Band 2 na pulseira de elastômero termoplástico (hipoalergênica) que acompanha o produto, e mais: deverá fazê-lo de baixo para cima. Isso é reflexo de um conserto em relação a Mi Band anterior, fazendo com que a Mi Band 2 tenha o corpo melhor fixado, que agora DE FATO só sai para baixo da pulseira, tornando uma "escapada" acidental praticamente impossível enquanto o acessório estiver no seu braço.

Mas de resto, pouca coisa muda. A Mi Band 2 ainda é impossível de ser notada por você no pulso ao longo do dia (são apenas 19g, e o conforto da nova pulseira ajuda bastante. Sua maleabilidade e texturização mais macia fazem uma diferença absurda em comparação ao modelo passado).

E falando em textura, temos um botão na frente da Mi Band 2, que apresenta um relevo, formando o mesmo padrão que um CD de música. Ele é sensível ao toque, e não requer pressão.


DISPLAY

Rompendo uma enorme barreira no mundo das Mi Bands, segue uma "mini tela" OLED de 0.42", resistente a riscos e manchas. Pode até parecer que o formato da Mi Band 2 é todo tela, porém é uma ilusão de ótica. Basta olhar contra a luz forte para revelar que apenas o topo da peça de fato tem a telinha OLED.

A função dessa tela é justamente mostrar a hora, passos, distância, calorias, batimentos cardíacos... E só. Essas informações são representadas com uma simplicidade extrema, principalmente pelo tamanho disponível.

Dado o aperto e a informação resumida a ser mostrada, nos resta apenas julgar a legibilidade. Isso sim é excelente, com contornos nítidos. Informações miseravelmente pequenas (como a hora + data na mesma tela) mostram a valentia dessa OLED monocromática.


ESPECIFICAÇÕES

No kit da Mi Band 2 temos ainda a conectividade, que resume-se ao Bluetooth 4.0 BLE.

Seguindo o clássico, temos dentro desse pequeno corpo um acelerômetro de alta precisão, capaz de "magicamente" entender quando você corre, anda, dorme (tal como a Mi Band original já adivinhava). A questão "nova" é que a Band 2 é capaz de filtrar ainda mais os movimentos que não são passos, corrida ou sono. Ou seja, tomar um copo d'água não conta um passo.

Temos ainda o sensor fotoelétrico para leitura de frequência cardíaca, que fica na parte de baixo da Mi Band 2. Ele fica sempre encostado na pele, mesmo que você ajuste a pulseira um pouco mais folgada. O problema de quase ter que prender a circulação na Mi Band 1s foi resolvido colocando o sensor de forma protuberante para baixo, fazendo assim com que a peça sempre fique em bom contato com a pele.

Completando o pacote, temos a certificação IP67, tornando a Mi Band resistente aos líquidos do dia a dia e banhos, porém não sendo recomendada para natação ou submersão prolongada.


USABILIDADE GERAL

Mi Band 2 no pulso. O que temos? Um botão. Um botão de ciclos, na verdade. Sua função é específica, e resume-se a ativar a tela da Mi Band e passar pelas telas de informação dela.

A real é que esse botão é complementar. Você não precisa dele para ver as horas - basta fazer um gesto de "ver as horas" que a Mi Band mostrará isso para você. O botão está ali apenas por comodidade, para você interagir sem a obrigação do gesto. Dispensar alarmes também faz uso do botão, naturalmente.

Agora, trocar entre as telas de informação da Mi Band também segue a lógica dos gestos. Basta que a opção de controle por movimento seja ativada pelo APP da pulseira, e pronto.

Independente se via "botão" ou "gesto", a graça da Mi Band 2 é fazer uso dessa tela. Ao avançar entre as informações, vemos sempre o ícone que ilustra a seção, movendo-se automaticamente para cima, liberando a visão sobre o que você quer.

Exemplo: distância é ilustrado por um "pin" de GPS, que logo em seguida é substituído pelos KM que você andou hoje. Mesma coisa para calorias, passos... e batimentos cardíacos. E essa é a parte legal.

Basta olhar para a função cardíaca para que uma nova medição ocorra em tempo real. Não é preciso acionar mais nada, sempre que você focar nesse dado, uma nova medição será feita e mostrada para você.

Ficar trocando entre todas essas "abas" de informação por um único botão que deve ser clicado várias vezes até chegar no que você deseja pode ser bem chato e repetitivo. Porém, é possível desabilitar tudo que você não queira na Mi Band 2 pelo seu APP (Mi FIT). Você pode deixar apenas a distância e a leitura cardíaca, por exemplo. Ou mesmo apenas a leitura, e pronto.

Caso você esteja se perguntando, esse botão não faz mais nada mesmo. A primeira coisa que vem na cabeça é pensar se algum APP na Play Store faria milagres com ele, e até existe um, o "Mi Band 2 Func Button" e com ele o celular mantém uma conexão constante com a Mi Band 2, tentando ler os toques no botão.

A questão é que ele não foi projetado para funcionar assim, portanto o reconhecimento é bem falho, e faz o celular e a pulseira gastarem bateria extra para possibilitar a gambiarra.

É possível, mas não conte com uma Mi Band 2 para isso. Existe outro jeito de fazer mau-uso da pulseira, porém com resultados bem melhores.

Apesar da tela, a Mi Band 2 não permite que todos os ícones de aplicativos do seu aparelho apareçam ali, caso você opte pela função de "notificações", onde a pulseira vibra e acende a tela para avisar que algum APP quer sua atenção.

O símbolo de alguns dos principais appss de comunicação vai aparecer sem problemas, mas para grande parte deles apenas uma mensagem de "APP" aparecerá. E por alguns segundos, portanto, pode ser que você não tenha tempo de ver a tela da Mi Band 2 a tempo.

Justamente por isso, vale a pena a mesma gambiarra da Mi Band original: falamos do APP Mi Band Tools, também compatível com a Mi Band 2.

Ele permite que você escolha entre os ícones que a Mi Band 2 suporta para customizar as notificações, e também aumenta a janela de tempo que elas ficam na tela. Mas calma que tem mais...

A Mi Band 2 conta com leitura de batimentos cardíacos, mas existe uma opção no APP dela que habilita o recurso para "melhor precisão no acompanhamento do sono", ao custo de consumir mais bateria. Quer uma dica? Habilite isso.

Os resultados de sono ficam absurdamente melhores, com precisão de início/fim do período de descanso assustadoramente precisos, além de mais detalhes sobre sono leve ou interrupções no descanso.

Porém, nenhuma dessas leituras durante seu sono mostrará a quanto estava seu coração. Esse dado é usado no processamento da Mi Band, mas não vai parar no APP para consulta. E também não há a opção de monitoramento contínuo, um erro grave para um dispositivo desse tipo.

Justamente por isso, Mi Band Tools. O APP que acabamos de citar consegue (na gambiarra) fazer leituras contínuas do seu coração, gerando gráficos e guardando resultados que não existem no APP original da Mi Band.

E fechando a usabilidade da pulseira, temos a sua capacidade de desbloquear seu smartphone por proximidade, bastando que ele rode o Android 5.0 ou superior (e tenha Bluetooth 4.0).

Isso também se aplica aos smartwatches com Android Wear, porém no caso da Mi Band 2 é bom lembrar.


DEPENDÊNCIA DO SMARTPHONE

Zero. Essa é o quanto a Mi Band 2 é dependente do seu smartphone para funcionar. Seu celular serve apenas de tela para os relatórios da pulseira, quando você quiser vê-los, é claro.

As leituras cardíacas podem ser ativadas sem o aparelho, a distância sempre é contada apenas pelos sensores da pulseira (ela não precisa do GPS do smartphone nem dispõe de um para isso); os alarmes programados funcionam normalmente, assim como na Mi Band clássica.

Bônus: o limite de 3 alarmes da Mi Band normal foi pro brejo, e você pode criar vários alarmes para a Band 2 (e todos eles funcionam SEM o smartphone).

O que temos na tela da Mi Band 2 é sempre o que ela oferece, com ou sem celular perto. Todos os dados que você pode conferir pelo botão são todas as funções offline também. Simples assim.

Longe do smartphone, perde-se a notificação de ligações/aplicativos, e CASO você use o APP que recomendamos (o Mi Band Tools), não rolam "truques" nem "gambiarras" longe do aparelho.


BATERIA

Segundo a Xiaomi, a bateria do modelo é projetada para 20 dias de uso, ficando abaixo dos mágicos 30 dias da Mi Band original. Porém não estamos reclamando, ela faz isso com míseros 70mAh de bateria.

Agora, as variações que encontramos em nossos testes. Se você utilizar a pulseira SEM leitura cardíaca, de fato ela dura os tais 20 dias. As consultas ao display OLED não gastam tanta energia, e não fazem impacto sobre a vida da bateria.

Agora, se você habilitar a assistência de leitura cardíaca para o monitoramento de sono, esse número despenca para um valor entre 8 e 14 dias, aproximadamente (dependendo de quantas horas você dorme por dia).

Porém, se você utilizar apps de terceiros para forçar a leitura contínua de batimentos cardíacos (como o Mi Band Tools), esse valor cairá para 7 dias facilmente.

E vale notar uma falha: tomar banho com a Mi Band 2 consome carga. Por que? Observe o que acontece com a pulseira quando escorre água sobre seu botão. Ela enlouquece, ativando tela e passando por todas as funções dela, inclusive lendo seus batimentos cardíacos diversas vezes.

Para carregar a Mi Band, é necessário usar o adaptador incluso numa USB qualquer. Você precisa "desmontar" sua pulseira, removendo o centro da Mi Band 2 para baixo, assim como na montagem. Depois, basta acoplar esse núcleo da pulseira ali no adaptador por uma hora... e pronto, recarga feita. A tela OLED mostra o progresso da carga, é claro.


VALE A PENA?

Com preço aproximado de 30 dólares, a Mi Band 2 é novamente um produto que agrada no bolso, porém não no Brasil, onde não tem revenda oficial, restando aos interessados darem seus pulos para comprarem online e pagarem de 200 a 500 reais no produto importado por vendedores "espertos".

A Mi Band original valia a pena em 100%, por ser barata ao extremo. Isso não se aplica totalmente a Mi Band 2, principalmente com a fuga da Xiaomi de nosso mercado. Trazer uma para o Brasil é por sua conta.

Dependendo do que você precise, pode ser que a Mi Band original ainda atenda a proposta. Lembre que a Mi Band 2, mesmo com tela, ainda serve apenas para dizer "pegue o celular no bolso". Ela não substitui um smartwatch.

Agora, se você precisa apenas de um acompanhamento fitness passivo, a Mi Band 2 oferece um salto gigantesco de aprimoramento em relação a Mi Band original, e vale a proposta. Mesmo com suas limitações se comparada a outros braceletes fitness.

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