Para John McAfee, backdoors entregam segredos dos EUA aos inimigos

Por Redação | em 29.02.2016 às 16h20

John McAfee

Em 2015, 5,6 milhões de impressões digitais e outras credenciais de funcionários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos foram roubadas. Em maio do mesmo ano, dados de contribuintes americanos também foram obtidos por hackers, enquanto, meses depois, 22 milhões de arquivos confidenciais do governo foram copiados de seus servidores oficiais. Tudo por culpa de uma backdoor instalada pela NSA em sistemas da Juniper Networks, e para John McAfee, uma prova de que os EUA perderam a batalha no campo digital.

Em mais um artigo bastante crítico às autoridades, ele volta a afirmar que a existência de portas de entrada que, supostamente, deveriam facilitar em investigações oficiais, na verdade, acabam expondo os segredos da nação para seus inimigos. Ele cita os chineses e os russos como principais adversários dos EUA nesse sentido, e afirma que ambas as nações, assim como, provavelmente, grupos terroristas, estão bem à frente nesse tipo de prática.

Assim como fez no caso do FBI contra a Apple, no qual as autoridades exigem a instalação de uma backdoor no iOS, McAfee utiliza documentos oficiais para falar contra o governo. Nesse caso, entretanto, a fonte das informações são relatórios vazados pelo grupo hacktivista Anonymous, que revelaram uma cooperação entre NSA e a Juniper Networks para colocação de portas de entrada em firewalls utilizados tanto por usuários comuns quanto por grandes empresas e até mesmo a própria administração pública. Uma ideia que, em outros países, não apenas seria inexistente, como é considerada um crime.

Ele cita, por exemplo, a situação de cibersegurança na China. Por lá, toda empresa que queira ter seu software servindo como base para sistemas do governo deve passar por um processo de auditoria, com dois especialistas independentes e escolhidos de forma aleatória. Eles analisam o software e, caso encontrem algum tipo de bug intencional ou backdoor, o responsável pode ser punido até mesmo com a morte. Na Rússia, a pena é de anos e anos na prisão. Nos Estados Unidos, afirma McAfee, essa é uma camaradagem comum entre companhias e órgãos oficiais.

O país, também, está lidando com inimigos poderosos. Segundo McAfee, qualquer hacker que se preze possui ferramentas de comparação de versões, que permitem bater atualizações e mudanças em um software a cada versão. Isso também faz com que a localização de backdoors seja extremamente simplificada. Para ele, os inimigos da nação sabiam da brecha nos sistemas da Juniper em poucos dias, enquanto os clientes e usuários da empresa levaram anos para ficar sabendo disso.

O especialista, que também é um pré-candidato independente à presidência dos EUA, diz até entender os motivos que levam uma agência como a NSA a solicitar a criação de backdoors. Entretanto, ele diz com certeza que os ganhos obtidos com isso jamais ultrapassam os perigos que tais recursos representam e, por isso, pede que as autoridades mudem completamente sua postura e se tornem mais competentes em termos de segurança digital.

As novas declarações são um reflexo de comentários feitos nas últimas semanas, quando McAfee afirmou que a ordem judicial que tenta obrigar a Apple a desbloquear o iPhone é um reflexo da própria incompetência do governo com relação à segurança digital. Na época, ele se ofereceu ao FBI para, ao lado de seu time de hackers, obter acesso aos dados do celular de um dos envolvidos no massacre de San Bernardino, de forma que a Maçã não precise quebrar a segurança do dispositivo usado por milhões de pessoas ao redor do mundo.

Fonte: Business Insider

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