Ex-alunos da USP criam protótipo que usa smartphone para exames oculares

Por Redação | em 14.10.2016 às 14h47

exame retina

Além de seus inúmeros usos para entretenimento e comunicação, os smartphones agora podem ganhar mais uma façanha, dessa vez a favor da medicina. Três ex-alunos da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos desenvolveram um protótipo que permite a realização de exames oculares de maneira prática, barata e com o uso de smartphones. A expectativa dos pesquisadores é que o equipamento, que ainda não foi testado em humanos, seja comercializado no primeiro semestre de 2018.

Batizado de Smart Retinal Camera (SRC), o aparelho é uma versão portátil do retinógrafo, utilizado em exames de retinografia para observar e registrar fotos da retina. Examinando as imagens, os médicos conseguem descobrir problemas que podem comprometer a visão. O retinógrafo portátil pode ajudar a corrigir uma deficiência que hoje existe no Brasil. No país, são 6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual e 85% das cidades não têm especialistas, segundo o Conselho Brasileiro  de Oftalmologia.

De acordo com os pesquisadores, apesar de o sistema óptico ser reduzido, as imagens obtidas pelo SRC têm qualidade tão boa quanto a dos equipamentos tradicionais. Acoplado a um aparelho celular, ele tem um sistema específico de iluminação que consegue colocar uma luz no fundo do olho do paciente para obter a imagem e, pela própria câmera do smartphone, é possível capturar imagens da retina, ajudando o médico no diagnóstico.

“Como a gente está usando o smartphone, é possível encaminhar essas imagens para a nuvem na internet e o médico conseguiria, nesse caso, dar um diagnóstico remoto. O especialista pode atuar na sua clínica, por exemplo na capital, e o operador pode trabalhar em campo coletando essas imagens para diagnóstico”, explicou o engenheiro de computação José Augusto Stuchi, um dos autores do projeto.

Os pesquisadores demonstraram a capacidade do protótipo em um olho didático, usado em aulas de anatomia. Na câmera do celular aparece todo o fundo do olho em detalhes e com definição. Dá pra tirar fotos de partes e depois unir cada uma é formar uma imagem panorâmica. Para desenvolver o SRC, eles fundaram uma startup e contaram com o financiamento do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“O que a gente imagina de ápice do equipamento é fazer um exame em uma comunidade remota no meio do Amazonas, em um barco consultório, e um médico em São Paulo, em um centro de especialidades, fazer uma avaliação daquele fundo de olho que foi fotografado remotamente”, relatou o engenheiro elétrico Flávio Vieira.

O sistema venceu o Falling Walls Lab São Paulo, etapa classificatória da competição global que incentiva a criação de soluções de alto impacto na sociedade. Agora o projeto irá representar o Brasil na final da competição, que será realizada na Alemanha, em novembro, quando outros 99 vencedores de diversos países também irão mostrar suas ideias. 

Fonte: G1

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