Nova técnica de laboratório permite ver camundongos inteiros transparentes

Por Redação | em 01.09.2016 às 15h30

laboratório

Em um laboratório na Alemanha, pesquisadores estão encolhendo ratos para ver todas as suas estruturas de uma só vez. Não se preocupe, não é tão macabro quanto parece. Na verdade, esse novo método é um passo à frente para a ciência porque é a primeira vez que podemos visualizar a imagem do animal inteiro e ver como seus órgãos trabalham juntos. Melhor ainda, os cientistas esperam que o novo método reduza o número de camundongos utilizados em testes de laboratório.

Em um estudo publicado na revisa Nature Methods, pesquisadores liderados por Ali Erturk, na Universidade Ludwig Maximilians, na Alemanha, desenvolveram uma técnica que encolhe os ratos em até 65%, torna-os transparente e preserva as proteínas necessárias para a produção da imagem. Eles chamam a técnica carinhosamente de Ultimate DISCO ou uDISCO, pois os ratinhos ficam parecidos com pistas de danças de tão iluminados.

Não é nada fácil observar estruturas celulares em um pedaço de tecido. Atualmente, cientistas podem cortar o tecido em lâminas e produzir a imagem individualmente de cada fatia, mas uma grande quantidade de informações sobre como as células e os sistemas funcionam juntos se perde no processo. O método divulgado é baseado em outro procedimento experimentado anteriormente por Eturk, chamado de 3DISCO.

uDISCO Camundongos transparentesImagens produzidas com a nova técnica. (Foto: Divulgação/AliErturk)

O princípio utilizado era o mesmo, o encolhimento para caber melhor no microscópio e ainda deixá-los transparentes. Porém, a antiga técnica eliminava as proteínas fluorescentes antes que os cientistas tivessem tempo de preparar todo o corpo para produção das imagens. Para se ter uma ideia do trabalho, deixar o corpo do rato pronto leva em torno de uma semana, e produzir uma simples imagem pode levar até alguns dias.

Com a nova técnica uDISCO, os pesquisadores adicionaram um novo solvente que não só tornou os ratinhos ainda mais transparentes, como também preservou a fluorescência por meses. Isso dá tempo suficiente para a equipe preparar tudo e produzir as imagens do corpo todo sem perder nenhum detalhe. A técnica não altera de forma significativa as estruturas do cérebro e permite o estudo de todo o sistema circulatório e nervoso dos bichinhos.

Para esclarecer melhor o método, Ertuk usa o exemplo do encanamento. Se você precisa saber como o encanamento de um prédio está distribuído, a maneira mais fácil de visualizar seria tornar as paredes transparentes, além de espremer o edifíco para que seja possível ver através dele por completo. Em seguida, suponha que os canos também fiquem transparentes, então, para poder visualizá-los, preencha tudo com líquidos coloridos, assim eles podem se destacar. É mais ou menos assim que a técnica funciona, por isso é importante que as proteínas luminosas não se percam no meio do caminho.

Segundo o pesquisador, a técnica poderia ser aplicada em pequenos macacos ou até mesmo em um cérebro inteiro de um ser humano, em um futuro próximo. E como é possível ver todo o animal de uma vez só, será necessário menos animais para fazer os próximos estudos.

Fonte: Nature Methods

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