Por que a cultura nerd ainda é tão sexista?

Por Patrícia Gnipper RSS | em 21.04.2016 às 09h15

guerra dos sexos

À medida que os ideais de igualdade entre gêneros são difundidos nas indústrias culturais, surge também uma grande onda de resistência por parte do público masculino consumidor de músicas, filmes e jogos que, não concordando com o aumento da participação feminina nessas produções, deixam explícito seu descontentamento em redes sociais, comentários em sites e portais e demais ambientes na internet. Mas o que está por trás de tamanho sexismo?

No ano passado, publicamos uma matéria especial sobre o machismo no meio nerd brasileiro, com garotas contando como enfrentam as variadas situações de preconceito e exclusão que vivem enquanto produtoras e consumidoras de conteúdo geek. Uma das principais reclamações se deu por conta da falta de representatividade feminina nas produções culturais, ou ainda a hiperssexualização da figura feminina nelas.

Usando o gancho das novas produções de “Guerra nas Estrelas”, o site Broadly, que faz parte do portal da revista Vice, fez uma reflexão relevante sobre o assunto após conferir os comentários publicados no trailer do filme postado no canal oficial de Star Wars no YouTube. Muitos deles questionando por que a Disney escolheu uma personagem feminina como protagonista de “Rogue One: Uma História Star War”, que será lançada em dezembro de 2016, e outros se manifestando radicalmente contra a personagem mulher em destaque na produção.

machismo no YouTube de StarWars

Alguns dos diversos comentários feitos no trailer de "Rogue One" no YouTube. O primeiro chama a representatividade feminina de "besteira politicamente correta", enquanto o segundo questiona "então agora todos os protagonistas serão femininos?". Já o terceiro diz "eu não odeio mulheres, mas acredito que mais um protagonista feminino não é muito legal". (Reprodução: YouTube/Star Wars)

Até então, as produções de Star Wars apresentavam personagens masculinos em papéis principais, e naturalmente os fãs mais, digamos, tradicionais não acharam legal a mudança de perspectiva na escolha dos novos protagonistas. Querem continuar vendo histórias de Han Solo e Darth Vader, enquanto a história da trama acomoda muitos outros personagens, homens, mulheres e robôs. Acontece que estamos em 2016 e a parcela da população que se sente excluída nas representações artísticas não está mais calada. Ou seja, ou as produtoras culturais se adaptam a essa nova realidade, ou perderão terreno (e dinheiro) para concorrentes que decidam abraçar os rejeitados.

O Teste de Bechdel

Há um teste chamado “teste de Bechdel”, criado em 1985, que é utilizado para indicar se determinada obra de ficção possui pelo menos duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem, ou ainda se duas mulheres da produção possuem nomes. Incrivelmente, pelo menos metade das obras literárias e cinematográficas da atualidade falham nesse teste, mostrando que são feitas por homens e para homens. E uma produção passar nesse teste vai além de agradar a feministas e demais representantes de movimentos sociais: filmes que passam no teste, mesmo possuindo orçamentos mais baixos, tendem a apresentar um desempenho financeiro melhor do que os filmes que falharam.

Ou seja, não há indicativo de que essas produções voltarão a negligenciar papéis femininos como no século passado. Seja por questões morais e éticas, ou por interesse financeiro, a tendência é de vermos um número cada vez maior de mulheres liderando tramas de filmes, livros e games na cultura nerd e além.

Fonte: Broadly

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