A ciência da distração: como o uso de celular está ligado à sensação de prazer

Por Redação | em 09.08.2016 às 08h18

Celular volante

Mesmo cientes dos perigos, muitos motoristas continuam usando o celular enquanto dirigem e a causa pode ser mais profunda do que se imaginava. O instituto especialista em vícios Center for Internet and Technology Addiction (CITA) explica que essa situação de risco tem relação com a natureza viciante dos smartphones e como nosso cérebro reage a ela.

A urgência de conferir uma notificação, mesmo em situações de risco, vem da sensação de compulsão em fazê-lo e isso tem afetado o funcionamento do cérebro humano. Ao ouvir o som da notificação de uma mensagem do WhatsApp, e-mail ou redes sociais, nosso cérebro libera dopamina, um hormônio que eleva o nível de excitação, dando uma sensação de recompensa positiva. No entanto, a expectativa de recompensa - "Quem mandou mensagem?", "Quem me marcou na foto?" - pode gerar uma descarga de dopamina ainda maior do que a recompensa em si.

"Os receptores de dopamina são os mesmos que transmitem a sensação de prazer pela comida, sexo, drogas e álcool", explica David Greenfield, professor de Psiquiatria da Universidade de Connecticut e fundador do CITA. "Esse sistema de recompensas é tão antigo em nós que, se não o tivéssemos, provavelmente não existiríamos como espécie", complementa.

Os altos níveis de dopamina durante a fase de expectativa fazem com que o acesso a outras partes do cérebro seja prejudicado, como o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento de comportamentos, pensamentos e tomadas de decisões. Isso significa que a região responsável por ponderar um questionamento como "quão importante é isso? Vale a pena morrer por isso?" tem menos poder de julgamento.

Como nosso cérebro muitas vezes é "mais esperto" que nós, ele encontra jeitos de nos enganar. Todas as vezes que conferimos o telefone e nada de mau acontece em uma situação de risco, somos levados a pensar que é seguro continuar fazendo aquilo, reforçando positivamente. "Você pode até pensar 'sou bom com multitarefas', mas o problema surge quando algo perigoso surge inesperadamente e você não pode responder de forma apropriada, o que pode ser fatal", explica Despina Stavrinos, diretora do laboratório de pesquisa de direção da Universidade de Alabama em Birmingham.

A ilusão da multitarefa

Um estudo da Universidade de Utah apontou que usar o modo viva-voz no volante pode ser tão perigoso quanto o uso normal, com reações mais lentas do que quando se está com níveis de álcool aceitos pela legislação do trânsito.

O fator intrigante é que, mesmo cientes de todos os riscos, as pessoas continuam colocando a si e aos outros em risco. Uma pesquisa de 2013 realizada com mais de mil motoristas norte-americanos apontou que 98% deles continuavam mandando mensagens enquanto dirigiam mesmo sabendo que é errado.

Analisando a fisiologia, entende-se a dificuldade de interromper algo que é prazeroso. É um esforço tão grande quanto estar em dieta e evitar um bolo de chocolate e isso requer muita força de vontade. "Por causa da natureza viciante disso, as pessoas perdem o autocontrole. Nosso cérebro quer aquilo mais do que qualquer outra coisa e desconsidera todo o resto", explica Jennifer Smith, que perdeu sua mãe em um acidente causado por um motorista distraído e fundou a ONG StopDistractions. "Precisamos de uma campanha de educação em massa, mas mesmo assim não acho que seja suficiente para vencer o sistema de recompensas do nosso cérebro", finaliza.

Fonte CNN

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