No Brasil, ciência cresce pouco devido a laboratórios e investimentos fracos

Por Redação | em 11.05.2016 às 07h17

laboratório

A realidade do meio científico brasileiro não é lá muito animadora: o que temos por aqui são laboratórios pequenos, sem equipamentos de ponta ou equipes multidisciplinares. Foi o que revelou o estudo “Sistemas Setoriais de Inovação e Infraestrutura de Pesquisa no Brasil”, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Nele, constatamos que a infraestrutura limitada de pesquisa científica do país faz com que não consigamos competir, de fato, com a realidade global.

Quem conduziu o estudo foi Fernanda De Negri, diretora de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação do IPEA, que avaliou 1.760 laboratórios de 142 instituições, onde trabalham 7.090 pesquisadores. “Essa média de quatro pessoas por unidade significa uma infraestrutura pequena, pulverizada e fragmentada. Esse, talvez, seja o pior problema da ciência brasileira”, acredita a diretora. “Temos poucos laboratórios grandes. A maioria tem valor estimado de até R$ 500 mil - ou seja, de modo geral, são pequenas salas dentro de departamentos das universidades, onde atuam duas pessoas: o professor e um aluno”, concluiu.

Fernanda também disse que “para fazer pesquisa de ponta, você precisa de multidisciplinaridade, grandes instalações e bastante gente trabalhando em temas similares”. “Esses laboratórios pequenos são  muito mais para ensino ou para aquela pesquisa de mestrado e doutorado, não é para fazer algo de ponta”, acrescentou, após observar que contamos com menos de 20 laboratórios que reúnem R$ 15 milhões em equipamentos.

Entre as exceções, estão o Laboratório de Integração e Testes do INPE e algumas unidades do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Essas instituições são pontos fora da curva, que se diferenciam da massa da infraestrutura no Brasil. São centros maiores, com equipes multidisciplinares e equipamentos de uso multiusuário”, explicou.

Outra conclusão que o estudo proporciona é a de que, no Brasil, a maioria das infraestruturas de pesquisa em tecnologias de informação são financiadas pelo setor público, uma vez que há pouco interesse do setor empresarial em patrocinar estudos científicos. E grande parte desses laboratórios estão concentrados no sudeste brasileiro - mais especificamente no triângulo Rio-São Paulo-Minas Gerais, sendo que a maioria deles foi criada após o ano 2000. Contudo, mesmo sendo laboratórios novos, não se pode afirmar que estejam devidamente atualizados em comparação com as estruturas internacionais.

Fonte: IPEA

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