Metade dos planetas descobertos pela sonda Kepler não são, de fato, planetas

Por Redação | em 05.12.2015 às 15h10

Estrela anã marrom

O telescópio espacial Kepler viajou pelo espaço durante desde 2009 em busca de planetas semelhantes à Terra presentes na Via Láctea. O resultado destas andanças foram mais de 8.826 objetos de interesse, dentre os quais 4.696 foram considerados candidatos a planetas e 1.030 tendo sido confirmados como exoplanetas.

Contudo, após novas análises realizadas pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), de Portugal, conclui-se que mais da metade dos objetos confirmados não são planetas de fato. Para ser mais preciso, 52,3% dos candidatos a exoplanetas gigantes detectados pela Kepler são, na verdade, estrelas binárias eclipsantes, enquanto outros 2,3% deles são estrelas anãs marrons.

O estudo foi conduzido por uma equipe internacional de cientistas liderada por Alexandre Santerne e analisou os dados durante julho de 2010 e julho de 2015. Inicialmente, ela verificou os 8.826 objetos de interesse, número que foi sendo reduzido aos poucos conforme eram identificados os chamados falsos positivos. Além disso, os cientistas esperavam que a taxa de acerto da Kepler fosse bem maior.

“Pensava-se que a confiabilidade das detecções de exoplanetas do Kepler era muito boa — entre 10% e 20% não seriam planetas.”, comenta Saterne. “A nossa extensa pesquisa espectroscópica dos exoplanetas gigantes descobertos pelo Kepler mostra que esta percentagem é muito mais alta, até acima dos 50%. Isto tem implicações significativas na nossa compreensão da população de exoplanetas no campo do Kepler”, complementa.

Exoplaneta gigante BelerofonteExoplaneta gigante 51 Pegasi b, também conhecido como Belerofonte. (Foto: Reprodução/IA)

Parecia, mas não era

A principal razão para o baixo nível de acerto é a facilidade com que a movimentação dos exoplanetas gigantes é imitada por falsos positivos — assim como na computação, cujo “falso positivo” é o nome do arquivo que se parece com um vírus, mas não é. Na astronomia, a lógica é a mesma.

Assim, diante de um cenário de confiabilidade frágil, é altamente necessária uma segunda análise dos dados a fim de confirmar se algo inicialmente identificado como planeta o é de fato.

“Normalmente, detectar e caracterizar planetas é uma tarefa difícil, com diversas sutilezas”, informa Vardan Adibekyan, um dos membros da equipe de pesquisa. “Com este trabalho, constatamos que mesmo planetas grandes e fáceis de detectar também não são fáceis. Em particular, mostramos que menos de metade dos planetas gigantes detectados pelo Kepler estão de fato lá. O resto são falsos positivos, que resultam de variadas causas astrofísicas”, finaliza.

Uma série de incógnitas

Apesar das últimas análises jogarem luz sobre a quantidade dos planetas, ainda restam algumas dúvidas na cabeça dos cientistas a respeito dos exoplanetas gigantes.

“Depois de 20 anos explorando planetas do tamanho de Júpiter em volta de outros sóis, ainda temos imensas questões em aberto”, comenta Saterne. “Por exemplo, ainda não sabemos quais são os mecanismos físicos que levam à formação de [planetas] gigantes com períodos orbitais de apenas alguns dias – imaginem a idade deles! Também não percebemos como é que alguns desses planetas estão inchados”, complementa.

Para maiores informações, acesse a página do IA. O comunicado contém mais detalhes e está todo em português.

Fonte: Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço

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