Em livro, geocientista conta a história de rio fervente e secreto na Amazônia

Por Redação | em 27.02.2016 às 14h10

Rio que ferve na Amazônia

Um rio tão quente que ferve para baixo. Isso pode soar como lenda ou uma história antiga, mas é a realidade: ele existe e está localizado no coração da Amazônia. Este é o tema do livro Rio em Ebulição: Aventura e Descoberta na Amazônia, do geocientista Andrés Ruzo, que dá detalhes de como ele descobriu o rio em Mayantuyacu, no Peru.

Com 25 metros de largura e 6 metros de profundidade, o rio avança por 6 km em altíssimas temperaturas. Por toda a Amazônia existem fontes termais, mas nada comparado ao rio, que possui sim uma parte tão quente que chega a ferver.

Mayantuyacu é visitado todos os anos por alguns turistas, que vêm experimentar as práticas medicinais tradicionais do povo Asháninka. Fora algumas referências obscuras em revistas sobre petróleo da década de 1930, a documentação científica do rio é inexistente. Esse presente da natureza ficou "escondido" por mais de 75 anos, e só agora ganhou notoriedade graças ao trabalho de Ruzo.

Tudo começou quando Ruzo tinha apenas 12 anos. Na época, seu avô lhe contou a história de alguns conquistadores espanhóis que, após matarem o último imperador inca, se moveram para as profundezas da floresta amazônica em busca de ouro. O que eles não sabiam é que alguns desses homens jamais retornariam de lá, e os poucos que voltaram disseram ter encontrado um pesadelo vivo: água envenenada, cobras que comiam pessoas, fome, doenças e um rio em ebulição.

Rio que ferve na Amazônia

A partir daí, Ruzo ficou fascinado pela imagem daquele rio fervente. Foi quando anos mais tarde, agora como um candidato a PhD de Geofísica da Southern Methodist University, nos Estados Unidos, que ele começou a desenvolver seu projeto de tese, que envolvia a criação do primeiro mapa geotérmico detalhado do Peru — incluindo partes da Amazônia. Até então, seria praticamente impossível detectar um rio naquelas condições, pois seria preciso uma quantidade gigantesca de calor geotérmico para ferver tanta água, mesmo em pouco volume.

A única pessoa que o encorajou a continuar em sua tese de doutorado foi sua tia, pois ela já tinha visto um rio assim. Na verdade, o rio era o local sagrado de cura geotérmica de Mayantuyacu, escondido na floresta tropical peruana e protegido por um poderoso xamã. "Você está cercado pelos sons da floresta tropical. Você sente essa água fluindo à sua frente, e as plumas de vapor subindo. É realmente um lugar espetacular", contou Ruzo ao pessoal do Gizmodo.

Depois de ver o rio com os próprios olhos e estabelecer um forte relacionamento com a comunidade local, Ruzo começou a fazer estudos geotérmicos detalhados do rio fervente, para colocar o lugar no contexto da bacia amazônica. Ele também está colaborando com ecólogos microbianos para investigar os organismos extremófilos que vivem nas águas escaldantes. Isso pode ajudar os cientistas a encontrar pistas de como a vida começou há bilhões de anos, quando a Terra enfrentava temperaturas muito mais altas do que as atuais.

Além disso, o mais importante para Ruzo é tentar salvar o rio fervente, uma vez que a floresta tem sido dizimada pela exploração ilegal de madeireiras. Se medidas não forem tomadas, o local poderá desaparecer em breve. "No meio do meu doutorado, eu percebi que este rio é uma maravilha natural. E ele não continuará assim, a menos que façamos algo a respeito", disse.

Rio que ferve na Amazônia

Ruzo espera obter o interesse público e apoio financeiro necessários para garantir a sobrevivência do rio a longo prazo. Recentemente, ele recebeu uma bolsa da National Geographic, e parte desta servirá para usar tecnologia — drones, satélites, entre outros — e descobrir quais regiões da floresta estão mais vulneráveis. Ele também se uniu a organizações ambientais no Peru e a líderes comunitários locais para fortalecer os esforços de conservação.

"O planeta está ficando pequeno, e maravilhas naturais como esta são muito raras", completou. O livro escrito por Ruzo está à venda na Amazon em formato físico (R$ 65,24) e digital (R$ 41,69).

Fonte: Gizmodo

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