Cristal do tamanho de uma moeda pode armazenar 360 TB por 13 bilhões de anos

Por Redação | em 16.02.2016 às 14h19

cristal 5d

Esqueça os CDs, DVDs, pendrives e qualquer outra mídia de armazenamento externo, pois cientistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, conseguiram criar um cristal do tamanho de uma moeda capaz de armazenar grandes quantidades de dados por bilhões de anos. E sem deixar de perder a qualidade.

O feito foi alcançado graças a um processo de gravação e recuperação de dados digitais baseado no formato 5D. Funcionou assim: os pesquisadores usaram um feixe ultrarrápido que produziu pulsos de luz extremamente curtos e intensos. Esses pulsos gravaram os dados em três camadas de pontos nanoestruturados, sendo que cada uma delas foi separada por apenas cinco micrômetros. Para efeito de comparação, essa unidade minúscula equivale a um milionésimo de um metro.

Graças aos pontos nanoestruturados, a maneira como a luz atravessa o cristal é alterada, modificando sua polarização. Feito isso, o cristal pode ser lido com a combinação de um microscópio óptico e um polarizador. Juntando tudo isso, os cientistas apelidaram a tecnologia de 5D por causa de suas "cinco dimensões": tamanho, orientação e três posicionamentos diferentes de nanoestruturas.

"Estamos desenvolvendo uma forma muito segura e estável de memória portátil usando vidro, que pode ser muito útil para organizações com grandes quantidades de arquivos. No momento, as empresas têm de fazer backup de seus arquivos a cada cinco ou dez anos por causa do curto tempo de vida dos discos rígidos", disse Jingyu Zhang, do Centro de Pesquisas em Optoeletrônicos e líder das pesquisas que envolvem a novidade.

Zhang e sua equipe comparam a tecnologia aos cristais de memória guardados pelo Super-Homem na Fortaleza da Solidão. Nas histórias em quadrinhos, os cristais contém os ensinamentos e recados de Jor-El, pai do super-herói. Já na vida real, cada disco de cristal pode gravar até 360 TB de dados. Inclusive, alguns documentos históricos já foram armazenados usando a técnica, entre eles livros como a Magna Carta, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e uma versão da Bíblia Sagrada. O cristal é tão resistente que levaria até 13,8 bilhões de anos para se decompor em temperaturas de 190ºC.

"É emocionante pensar que criamos um documento que provavelmente vai sobreviver à espécie humana. Essa tecnologia pode garantir a última evidência da civilização: tudo que aprendemos não será esquecido", destacou Peter Kazansky, professor e supervisor do grupo de pesquisa.

Por enquanto, só arquivos mais leves, como textos, conseguem ser salvos na unidade de armazenamento, e o processo para fazer sua leitura ainda é bastante complexo. Os próximos desafios dos cientistas quanto ao cristal 5D são reduzir ou eliminar por completo estas e outras de suas principais limitações.

Fontes: University of Southampton, Optoelectronics Research Centre

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