Camada magnética da Terra está se alterando mais rápido do que o imaginado

Por Redação | em 11.05.2016 às 19h20

Campo magnetico

Uma nova pesquisa apresentada no Living Planet Symposium em Praga, na semana passada, mostrou quão rápido o campo magnético terrestre está se alterando, enfraquecendo-se em alguns pontos e se fortalecendo em outros. Segundo os especialistas, o enfraquecimento da camada segue um ritmo dez vezes mais rápido do que antes se previa, perdendo 5% de sua força a cada década.

O campo magnético possui dois polos – ao sul e ao norte – e age como um escudo que protege a Terra dos ventos solares e radiação cósmica. Apesar de invisíveis, as mudanças podem causar grande impacto, e eventos como tempestades solares poderão afetar o planeta de forma diferente.

O estudo vai permitir que os cientistas compreendam as causas das mudanças e como evitar que elas evoluam. De acordo com a equipe, uma das explicações mais prováveis é a de que os polos estão se preparando para se alternarem – mudança que acontece a cada 100 mil anos, aproximadamente. O evento soa mais apavorante do que realmente é, pois não há evidência de que a vida na Terra tenha sofrido grandes impactos quando a alternância de polos aconteceu no passado. Talvez o maior impacto seja nas bússolas que vão inverter os ponteiros para o sul em vez do norte. "A troca não seria instantânea, levaria séculos senão milênios para acontecer. Elas aconteceram várias vezes no passado", explica Rune Floberghagen da Agência Espacial Europeia (ESA, em inglês). 

Em 2013, a ESA lançou o Swarm, conjunto de três satélites com a finalidade de medir o campo magnético a partir de sinais vindos do núcleo, manto, crosta, oceanos, ionosfera e a magnetosfera. Com essas informações, somadas às de outros satélites, eles desenharam um mapa que mostra os pontos de enfraquecimento e de fortalecimento, além do que está causando as mudanças.  Por exemplo, é possível conferir no mapa a perda de 3,5% da camada magnética na América do Norte desde 1999 e o fortalecimento dela na Ásia no mesmo período. 

O ponto mais fraco da camada, chamado de Anomalia do Atlântico Sul (localizado sobre a América do Sul), enfraqueceu em 2 pontos percentuais, porém apresentou poucas mudanças nos últimos sete anos. Já o Polo Norte se deslocou no sentido do continente asiático rapidamente. 

Acredita-se que o campo magnético seja criado por um oceano de ferro liquefeito em constante movimento circular, agindo como um dínamo que gera correntes elétricas que controlam o campo magnético do planeta. Apesar dessa teoria ser a mais aceita há muito tempo, é a primeira vez que pesquisadores conseguem mapear as mudanças a partir do ferro líquido dentro do planeta simultaneamente com a magnetosfera, mostrando que ambos estão conectados. "Inesperadamente, descobrimos que as mudanças rápidas e localizadas resultam da aceleração do metal líquido fluindo no núcleo", comenta Chris Finlay, cientista que liderou o projeto da ESA.

A pesquisa precisa ser revista por outros cientistas, como é de praxe no meio. Se aceita, vai confirmar as evidências das causas das mudanças e permitir tanto a previsão delas quanto a forma que elas irão nos afetar.

Via ScienceAlert

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