#CPBR9: Instalar chip no corpo deixou ciborgue "paranoico" com proteção de dados

Por Rafael Romer RSS | em 27.01.2016 às 15h54 - atualizado em 28.01.2016 às 22h13

Ciborgues ainda podem parecer coisa de filme de ficção científica: uma criatura metade humana e metade máquina, com cara de poucos amigos e que geralmente não se dá muito bem com os seres humanos. 

Mas a realidade está bem distante disso. Os ciborgues já estão entre nós e não são tão diferentes de você ou das pessoas a sua volta. O palestrante magistral desta edição da Campus Party Brasil Eugene Chereshnev, especialista em segurança e VP de marketing de produtos da Kaspersky Lab, é um dos exemplos de que qualquer um já pode se transformar em um ciborgue: em fevereiro do ano passado, o russo instalou um biochip cilíndrico de 2,12 milímetros com uma antena RFID em sua mão esquerda, entre o dedão e o indicador, efetivamente tornando-se um dos primeiro ciborgues do mundo.

"Eu me considero um ciborgue, sim, porque eu tenho um dispositivo tecnológico no meu corpo que me permite interagir com coisas que estão 'mortas', coisas que não são vivas. Ainda assim, eu consigo fazer com que elas interajam comigo através do meu toque", contou Chereshnev em entrevista ao Canaltech.

Chereshnev assume que parte do motivo de ter implantado o chip foi a preguiça: abrir uma porta eletrônica sem chaves, dar partida em seu carro, desbloquear o celular sem uma senha ou até autenticar um pagamento, tudo ficou mais simples utilizando o chip como emissor de comandos para outros sistemas conectados, ativando-os apenas com uma passada de mão.

Mas para Chereshnev, a parte mais importante do experimento é fazer pessoas e empresas pensarem mais sobre o impacto desse tipo de tecnologia e, em especial, da tendência da Internet das Coisas (IoT) — que se aproxima cada vez mais rápido do nosso cotidiano, mesmo que não estejamos preparados para isso. "Na IoT, imaginamos que controlamos as coisas, mas a realidade é diferente: nós estamos vivendo dentro das coisas", afirmou.

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O especialista conta, por exemplo, que desde que instalou o chip passou a se preocupar mais com coisas como a experiência de usuário. Uma fechadura mal programada, por exemplo, significa que ele era incapaz de abrir uma porta com seu chip, o que gerava uma frustração física, à medida que ele se acostumou cada vez mais a utilizar apenas um gesto para abrir sua porta. "Aquilo passou a afetar minha vida. Na era da Internet das Coisas, nós precisamos programar melhor".

Um dos maiores exemplos dessa experiência negativa foi a segurança. O russo conta que desenvolveu uma "paranoia" com as informações carregadas no chip, já que, por enquanto, a tecnologia não utiliza nenhum tipo de proteção. Para utilizar uma criptografia interna, por exemplo, o chip precisaria de um processador e bateria,  o que exigiria coisas como resfriamento e recarga de energia. 

"Quando você tem um biochip, você passa a pensar diferente sobre dados. Não é como um smartphone, que você pode desinstalar uma aplicação que não quer mais. O chip continua lá, então você começa a ficar paranoico", disse. "Antes não tinha problemas com empresas usando meus dados a partir do smartphone, mas com o chip eu já não concordo com isso. Eu quero ter a posse desses dados".

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