#CPBR10: Como drones e navios tecnológicos estão ajudando a preservar a natureza

Por Rafael Romer RSS | em 02.02.2017 às 16h03 - atualizado em 03.02.2017 às 12h53

Pete Bethune

A luta pela conservação ambiental é uma briga antiga e complexa: da destruição de habitats naturais ao tráfico de animais silvestres, passando por desmates e pela pesca ilegal, são várias as ameaças à natureza que exigem atenção constante de conservacionistas ambientais.

Nos últimos anos, no entanto, o avanço tecnológico tem trazido uma série de novos aliados para essas pessoas, que podem não estar tornando a defesa do meio ambiente uma tarefa fácil, mas, pelo menos, sim uma briga mais justa.

O capitão e conservacionista Pete Bethune é hoje um dos grandes nomes por trás do uso de tecnologias para a proteção da natureza, e tem dedicado sua vida para expor crimes ambientais pelo mundo em ações conjuntas com ONGs e agências governamentais de diferentes países.

"Em nossa área, a tecnologia torna nossas operações mais eficientes e muito mais seguras", comentou Bethune, que nesta quinta-feira (02) foi um dos palestrantes magistrais da Campus Party Brasil. "Um dos exemplos é que costumávamos voar com paragliders, que são pára-quedas com hélices atrás. Nós voávamos sobre florestas e tivemos dois voos com acidentes. Perder pessoas na floresta é um preço alto. Drones nos permitem fazer essa vigilância de forma mais eficiente".

Grande parte dos gadgets utilizados hoje pelo neozelandês são inspirados em drones comerciais, mas "tunados" com módulos avançados que incluem detectores de celulares, monitores de rádios VHF, leitores de assinaturas termais e até sensores que permitem encontrar navios em alto mar ou incêndios criminosos em florestas.

Com esses drones, que podem chegar a custar até 1 milhão de euros, dependendo dos equipamentos embarcados, a equipe encabeçada por Bethune teve êxito no combate a crimes ambientais em uma série de regiões de acesso complicado – desde o Sul da Sumatra, onde os gadgets os ajudaram a encontrar madereiros no meio da floresta, até às Filipinas, quando drones foram aplicados para descobrir um posto avançado de traficantes de animais.

Para Pete Bethune, novas tecnologias de baterias, motores e chips celulares permitiram a aplicação de drones no combate a crimes ambientais (foto: Murilo Idú/Canaltech)

Earthrace 2

A mais nova empreitada tecnológica de Bethune, no entanto, vai bem além de robôs voadores: ainda neste ano, o conservacionista pretende começar a construção da embarcação Earthrace 2 – um navio com tecnologias civis e militares que será a nova base de operações móvel do grupo.

O navio substituirá o agora finado Earthrace 1, um trimaran sustentável usado pelo capitão para dar a volta ao mundo em 2008, mas que acabou destruído em uma colisão com o navio japonês MV Shōnan Maru 2, em um confronto com caçadores de baleia nos mares da Antártica há sete anos.

O custo total do Earthrace 2 não foi revelado, mas promete ser uma empreitada custosa. De acordo com Bethune, a embarcação trará uma combinação de tecnologias civis e militares, incluindo um hangar para pouso e decolagem de um drone com alcance de 222 km, antenas para interceptação de radares e celulares até 1,1 mil quilômetro de distância e uma rampa de 11 metros que pode ser extendida para permitir que os tripulantes subam abordo de outros navios – sim, exatamente como piratas faziam.

"Nós esperamos começar a construção em junho deste ano. Em junho de 2019 ele deverá estar na água", afirmou o capitão da embarcação. "Talvez iremos ao Brasil no ano seguinte. Em 2020, estamos esperançosos que iremos ao Brasil com a base. Nós poderíamos ir até a Amazônia com ele!"

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