Grupo de taxistas promete "colocar fogo em cada carro preto" do Uber em SP

Por Redação | em 04.02.2016 às 12h43

Uber x Taxistas

Em mais um capítulo da novela envolvendo o Uber, os jornais Folha de S. Paulo e Estadão mostraram como alguns taxistas pretendem continuar a guerra contra o aplicativo na capital paulista, principalmente após uma liminar emitida no início desta semana que autoriza a empresa a continuar operando na cidade.

Desde o ano passado, centenas de taxistas são contrários ao funcionamento do app de corridas em São Paulo. A justificativa é que, além de não pagar os mesmos impostos cobrados pela prefeitura, a companhia acaba roubando uma parcela de clientes que até então optava pelos táxis. Na tentativa de evitar mais conflitos, o prefeito Fernando Haddad sancionou em janeiro uma lei específica para aplicativos ou serviços de internet usados para atender passageiros de táxi. Além disso, uma regulamentação oficial do Uber pode estar a caminho.

Mesmo assim, os taxistas continuam desaforáveis a essas decisões e alguns deles teriam organizado grupos no WhatsApp para intimidar motoristas do Uber. "A gente tem que se reunir mesmo e colocar fogo em cada carro preto que a gente vir na rua. Aí eles vão botar fé na gente. F*da-se se é Uber ou não é. Por mim, eu já começava a botar fogo agora. Viu o carro preto parado? Bota fogo. Vamos ver se rapidinho eles não dão um jeito", afirma um dos supostos taxistas em um áudio divulgado pelo mensageiro.

Em resposta, outro taxista diz: "Rapaziada, como sou mais um frotista, estou pouco me lixando. Vamos para cima botar fogo. Vamos lutar pelos nossos ideais e que se f*da político e polícia. Se a gente não lutar vamos perder espaço e perder tudo". Em uma das mensagens, outro taxista afirma que "para gente ser liberto dessa maldita empresa (o Uber), a gente derruba sangue", e que ele e os colegas de profissão vão brigar pelas famílias e direitos dos taxistas.

Os taxistas ainda disseram que prometem parar rodoviárias e os aeroportos de Congonhas e Guarulhos.

Uber x Taxistas

Segundo o Estadão, os áudios foram compartilhados na última terça-feira (2). Um dia depois (3), a Folha também obteve acesso a mensagens de áudio enviadas em grupos de até cem taxistas no WhatsApp, que estão orientando outros motoristas a como realizar ataques contra o Uber sem que a categoria seja responsabilizada pelas ações. Um dos áudios revela que esses taxistas planejam furar pneus de carros do Uber, no que os taxistas chamam de "fase de guerrilha".

Para evitar que sejam descobertos, os taxistas têm criado os grupos no WhatsApp diariamente e deletado na sequência. Depois de atacar os motoristas do Uber, eles novamente criam um grupo no aplicativo. "O último que ficar apaga o grupo, hein? (...) Isso aqui está fornecendo prova contra a gente. Amigo está lá no posto colhendo informações, o moleque é polícia. (...) Vou aconselhar a quem participou do rolezinho, efetivamente, que saia do grupo", afirma um deles.

Investigações

Segundo a Folha e o Estadão, a Polícia Civil está fechando o cerco contra os taxistas para evitar novos ataques e agressões aos motoristas do Uber. Autoridades iniciaram uma operação para revistar táxis em pontos estratégicos da capital paulista e, até o início desta madrugada, flagraram quatro taxistas com facas e canivetes nos veículos. Eles alegaram que carregavam os objetos para uso mecânico e foram liberados após assinarem um termo circunstanciado na delegacia. A operação comandada pelos policiais vai durar pelo menos até o final de fevereiro e contará com cerca de 120 agentes e 40 viaturas.

Fora os taxistas, a Polícia Civil abriu uma investigação contra o presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi de São Paulo (Simtetaxi-SP), Antonio Matias (mais conhecido como Ceará), por incitação e apologia ao crime. No dia 28 de janeiro, ele aparece em um vídeo publicado no Facebook, no qual incentiva a violência contra motoristas do Uber do dizer que "agora é cac*te, prefeito". O presidente do Sindicato negou as acusações da polícia dizendo que espera "mais polícia, mais fiscalização", mas que é contra a violência.

Os ânimos estão acalorados com a nova declaração do prefeito Fernando Haddad, a Simtetaxi mostrou repúdio e o presidente Antônio Matias mandou seu recado...

Publicado por Táxi em São Paulo em Quinta, 28 de janeiro de 2016
 
 

Em nota à imprensa, o Simtetaxi afirmou que as mensagens no WhatsApp podem ter sido "plantadas" e que repudia qualquer tipo de ato violento. Sobre as declarações de Ceará, o Sindicato disse que ele "acabou deixando o nervosismo falar mais alto" e que o vídeo não tem relação com "o cenário de violência com carros depredados e pessoas feridas".

E o Uber?

Paralelos aos grupos de taxistas no WhatsApp estão outros grupos criados por motoristas do Uber. A ideia é que os condutores do aplicativo usem o mensageiro para se informarem sobre manifestações ou fugir de possíveis ataques. No último sábado (30), por exemplo, o próprio Uber emitiu um comunicado para que os motoristas evitassem a rua Visconde de Parnaíba, na Mooca (zona leste de SP), onde haveria um protesto de taxistas. Inclusive, esta não seria a primeira vez que a companhia faz esse tipo de alerta.

O prefeito Fernando Haddad também tomou ciência da situação e disse que semanalmente tem tentado dialogar com os taxistas. "A categoria entende que a municipalidade está buscando uma alternativa que respeite o trabalho deles, mas abra espaço para regulação. Estamos tentando construir, fazendo isso em diálogo com eles e com a sociedade. Não estamos impondo. Está havendo diálogo amplo", declarou. "Estamos no meio de uma discussão regulatória".

Fonte: Estadão (1, 2) e Folha de S. Paulo (1, 2)

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