Investigadores têm acesso a dormitórios da Apple com péssimas condições

Por Redação | em 18.05.2016 às 22h29

Fábrica Apple

Apesar dos esforços em minimizar ao máximo o trabalho análogo ao de escravo, a Apple não consegue se ver totalmente fora dessa cadeia de exploração que ainda existe. O tabloide britânico Daily Mail foi até um dos complexos utilizados pela Pegatron, empresa fornecedora de iPhone 6s para a maçã em Xangai, e registrou as situações abusivas do dormitório que abrigava seis mil trabalhadores até fevereiro. 

O complexo de Huei Yang, composto por quatro blocos de quatro andares cada, alojava os migrantes que, em sua maioria, eram de regiões muito pobres da China. Com 50 quartos por andar, os empregados compartilhavam dormitórios com até 12 leitos e vestiário comunitário com chuveiros para todo o andar com péssimas condições de higiene e sinais de mofo. A Pegatron insiste que os quartos abrigavam oito trabalhadores mas admite que as condições eram inaceitáveis e que quebram os códigos de conduta da Apple.

Um investigador do grupo China Labor Watch se infiltrou no Huei Yang, após conseguir um emprego como montador de placas-mãe na Pegatron, e compartilhou a experiência. “Os dormitórios são terríveis. Havia centenas de trabalhadores por andar e apenas um banheiro para cada andar, que eram sujos, não permitiam nenhuma privacidade e sem nenhuma dignidade humana”, comenta. Para o investigador, a evasão dos trabalhadores se dava por conta da vida difícil no complexo. “Descobri que a maior parte dos trabalhadores se demite não pelos baixos salários, mas por causa das condições severas de trabalho, moradia e convivência”, acrescenta.

Há vários indícios de que o local foi evacuado às pressas, como roupas, malas e pertences abandonados em cômodos e escadas. Uma cantina com mercadorias ainda com preços e, ironicamente, uma loja com produtos da Apple também permaneceram intactos e trancados por cadeados. 

De acordo com um segurança que continuou vigiando o local, o fechamento do complexo enviou milhares de pessoas para suas casas. “O local abrigava 6 mil trabalhadores em épocas de pico de produção, mas as encomendas começaram a diminuir e a empresa decidiu fechar o complexo”, disse. 

Um trabalhador da província de Jiangxi que está na Pegatron há quatro anos confirma que as condições não são favoráveis. “Os chefes nos tratam como robôs para fazer dinheiro para eles”, desabafa. Outro jovem que trabalhou na empresa por 18 meses compara as condições de moradia ao tratamento dado a animais. “Me mudei para um flat perto da fábrica porque aqueles dormitórios não são feitos para pessoas, mas para bichos”, reitera. 

A Pegatron, juntamente com outra fábrica fornecedora da Apple, a Foxconn, emprega mais de 50 mil trabalhadores que vivem em seis complexos de dormitórios dentro da fábrica principal, além de outros blocos de dormitórios fora das plantas.  Em resposta a denúncias, a empresa convidou a imprensa internacional no começo de 2016 para uma visita à fábrica de Xangai, sem mostrar o interior dos dormitórios. 

Em sua própria defesa, a Pegatron disse que as fotos mostram o complexo abandonado desde fevereiro e que não são aceitáveis, além de não condizerem com o código de conduta que a empresa segue. “Nos últimos anos, nós construímos novos e modernos dormitórios e continuamos renovando os existentes, focando em provem conforto para nossos trabalhadores”, disse a empresa em nota. 

A Apple disse não estar ciente da transferência dos trabalhadores de Huei Yang e que continuará a investigação. Desde 2008, mais de 9,25 milhões de trabalhadores foram treinados sobre seus direitos e mais de 1,4 milhão de pessoas participaram dos programas educacionais da Apple. 

Confira o vídeo:

Via Daily Mail

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