Ex-engenheiro da Apple é rejeitado em vaga para o Genius Bar

Por Redação | em 06.09.2016 às 23h51

Genius Bar

Assim como outras formas de preconceito, o por idade é ilegal nos Estados Unidos, mas isso não impede que casos desse tipo aconteçam o tempo todo. E quando se fala no mercado de tecnologia, uma indústria jovem, principalmente no Vale do Silício, a coisa fica ainda mais complicada. É o que reflete uma história contada por JK Scheiberg, um dos responsáveis pela transição da empresa para os processadores Intel em seus computadores, e recusado para uma vaga de trabalho no Genius Bar.

O espaço de especialistas serve como uma central de suporte técnico presencial para clientes e fica dentro das lojas oficiais da Apple. Lá, funcionários certificados pela empresa auxiliam os usuários a realizarem configurações personalizadas, os ensinam a mexer nos produtos da Maçã e encaminham os dispositivos com problema para suporte técnico. São especialistas certificados em hardware e software, justamente um rol de conhecimentos possuído em grande escala por Scheiberg.

Ao se aposentar em 2008, ele decidiu continuar trabalhando para a companhia, mas em uma posição de suporte, onde sua experiência poderia gerar bons frutos. Com pelo menos o dobro das idades de todos os outros candidatos às vagas – e sem revelar seu background –, ele ouviu o clássico “entraremos em contato” assim que deixou a entrevista. A Apple jamais o procurou novamente.

A história apareceu em uma coluna do jornal The New York Times, escrita por Ashton Applewhite, e aponta que esse é um reflexo da atual situação econômica americana, com as pensões reduzindo de tamanho e obrigando muitos idosos na casa dos 60 e até 70 anos a continuarem trabalhando, mesmo que não queiram ou possam, para manterem seu estilo de vida. Ao mesmo tempo, entretanto, essa força de trabalho considerada mais experiente, melhor educada e com relações pessoais mais evoluídas tem dificuldade em encontrar emprego justamente devido ao preconceito por idade.

O colunista traça ainda um panorama bizarro por trás dessa obsessão, citando que muitos candidatos a vagas no Vale do Silício têm se voltado a recursos como tratamentos com Botox e apliques de cabelo para parecerem mais novos. Poderia ser apenas uma mera alteração estética não fosse um detalhe – eles estão no final da casa dos 20 anos de idade, e parecem já demonstrar a preocupação de que podem ser velhos demais para certos trabalhos.

Ao final, afirma que a discriminação por idade é um dos fatores para o empobrecimento dos EUA. Pesquisas apontam que os americanos têm maior tendência em possuírem amigos de diferentes classes sociais do que com idades cuja diferença é maior do que 10 anos. Isso, para Applewhite, se reflete no mercado de trabalho, com uma noção de que os mais velhos “não são como eles”. Mas, na verdade, o são – só que no futuro.

Fonte: The New York Times

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