Apple AirPods [Review]

Por Adriano Ponte RSS | em 20.01.2017 às 09h10

Para quem perdeu os lançamentos da Apple no final de 2016, vale lembrar que mais do que iPhones novos chegaram ao mercado. A maçã trouxe os "AirPods", seus novos fones sem fio com conexão facilitada com seus dispositivos móveis. A proposta é que ao abrir o estojo, já possa ocorrer a conexão com o iGadget em questão. É a filosofia da Apple de "it just works", aplicada aos fones sem fio.

Para que o "simplesmente funciona" aconteça, há tecnologia nova embarcada nas unidades. O chip W1 do modelo é responsável pelo pareamento automático sob demanda, além de (segundo a fabricante) melhorar a qualidade sonora e economizar energia durante o funcionamento do dispositivo. Ao abrir o estojo, eles entram em ação (uma notificação aparece no iPhone/iPad) e é possível usar os fones.

Para dispositivos não-Apple essa mordomia não existe, e deve-se usar o botão de pareamento oculto atrás do estojo. Basta abri-lo e segurar o botão por alguns segundos para que o fone apareça como um dispositivo de áudio padrão.

Um detalhe interessante sobre os AirPods é que o formato de construção claramente tradicional chegou a levantar entre a comunidade de fãs da Apple uma fortíssima polêmica sobre "apenas terem cortado" os cabos dos fones de ouvido tradicionais dos iPhones, mais uma vez batendo na tecla de que "as inovações da Apple" estacionaram nas últimas gerações.

Algumas críticas e memes sobre o assunto inundaram a internet, sendo o do "Seu Madruga" referência constante ao design do polêmico "lançamento" na época. E ainda tem a enxurrada de acessórios para trazer fios ao fone sem fio.

O encaixe dos fones é interessante. Dizemos isso pois sua fórmula não reinventa a roda, mas também não traz melhorias no que já conhecemos de fones que necessitam do encaixe na orelha, propriamente dita. Não existem apoiadores para fixar melhor as peças, por exemplo. É como se a Apple tivesse literalmente removido os fios do "earpods" tradicionais, e só.

Na prática ocorre a clássica "sorte" para o usuário final, que verá seus AirPods com encaixe perfeito ou folgado, dependendo de forma única das variações de pessoa para pessoa que temos em nossas orelhas. É perfeitamente possível dois usuários discordarem entre si sobre o mesmo AirPod encaixar com folga ou "na medida".

Entre nós aqui na redação, notamos que não houve risco de quedas nem mesmo folga ao utilizar os fones no período de testes, deixando o sabor de polêmica mais forte no ar. É notável que eles estão ali, afinal essa haste para baixo existe.

Dependendo do usuário, faz sentido recorrer a métodos que "simulam um fone normal", como esses "cabos de segurança" para os AirPods. Certo, esses "fios" de segurança só abrem espaço para mais piadas com os fones, vamos em frente.

Para quem estava curioso com a QUALIDADE do som que temos nessa peça, chegou a hora de falarmos apenas disso. Existe toda uma série de sensores e truques nos AirPods para aumentar a usabilidade dos fones e qualidade sonora. Ele possui sensores ópticos na parte voltada para dentro da orelha, conta com acelerômetro e traz alguns microfones. Dessa forma, o acessório sabe a posição em que está (e se está colocado), fazendo ajustes de captação de som, inclusive na supressão de ruído ambiente para ligações utilizando os fones.

Os principais estão na parte de baixo, onde haveria a saída dos cabos dos fones.

Parte interessante: os AirPods são duas peças independentes, e essa gama de sensores sabe disso. Ao remover um lado, o outro assumirá que está sozinho, e passará o som para MONO automaticamente (assim aquele solo de bateria de um lado só ainda assim poderá ser ouvido se você preferir apenas um lado colocado). Você pode deixar a peça removida carregando enquanto isso.

Dentro dos aplicativos e ambientes suportados, pode-se notar que os AirPods tocam a música apenas quando COLOCADOS, e pausam automaticamente ao serem removidos. Isso faz parte dos truques de detecção deles.

Ao usar os fones, é notável a boa qualidade das frequências médias e mais agudas. Os sons até que são envolventes, e mostram certa riqueza de detalhes. De fato, são bons fones de ouvido.

Os graves das músicas tendem a ser suavizados, porém estão presentes e não distorcem as outras frequências, além de serem bem reproduzidos sem reverberações secundárias que podem ocorrer em fones compactos. Aqui na redação preferimos graves mais fortes, portanto essa parte dos AirPods fica apenas dentro do "tolerável", mas com anotação positiva para a não distorção dos acordes.

Agora a parte onde o bolo desanda: ruído externo. Os AirPods têm algo próximo ao zero em nota de supressão de interferência ambiente para ouvir suas músicas. Não confunda com a remoção do barulho ambiente para ligações, isso é outra coisa. Falamos da capacidade dos AirPods de te isolarem do mundo - tarefa onde ele falha com força. Você precisará mandar o volume lá pra cima para "tapar" os ruídos externos.

Os AirPods suportam comandos de voz, uma vez que bastam dois toques num dos fones para ativar a Siri em seu dispositivo Apple, e por sua vez dar os comandos que deseja. A questão é que isso não dá controle direto ao volume da música, criando a necessidade de pegar o telefone e de ajustar o som. Para fones de ouvido tão inteligentes, é um pouco bobo não haver um método direto para controle de som (como tocar num lado para abaixar e no outro para elevar o volume).

Pelas configurações do iPhone você pode escolher se a Siri será chamada com o comando ou se a música será pausada/retomada.

Se conectados a um aparelho Android, temos ainda a possibilidade de usar o toque no fone para ativar algo no smartphone. Quando dizemos "algo", é justamente pela diversidade de Androids existentes e pelo fator surpresa quase infinito. Dependendo do aparelho/APP que estiver tocando música, é possível experimentar o acionamento do Google Now, pausa da música ou simplesmente ação nenhuma. É testar para descobrir o que acontece no seu modelo ao receber o comando dos AirPods.

Se funciona sem fio é porque tem baterias. No caso dos AirPods, são unidades para 5 horas de música (aprox.) até que uma recarga seja necessária. Para completar a energia, basta colocar o par de fones de volta na caixa de fio dental (quer dizer, no estojo que acompanha o produto).

O estojo conta com 398mAh de bateria, e fornece aprox. 24h extras de música até que necessite ser recarregado. Ele é capaz de devolver em 15min cerca de 3h de uso para os AirPods, mostrando assim que a duração limitada dos fones pode ser contornada com um tempo irrisório de carga num acessório que foi planejado para estar no seu bolso ou mochila.

Apesar da aparência engraçada, o estojo é muito bem pensado. Não é possível colocar os fones de forma errada, tampouco deixá-los cair com facilidade. Existe conexão magnética para cada um, além do próprio fecho do estojo. As conexões são fortes o bastante para que nada abra ou caia sozinho, mas fracas o suficiente para que um gesto suave abra a tampa ou retire os fones.

Um cabo no padrão lightning acompanha tudo isso, e serve para carregar o estojo dos fones. A luz indicadora entre os fones avisa o estado da carga e conexão, e só ativa-se com o estojo aberto.

Quando o conjunto está conectado a um aparelho Apple, é possível ver a porcentagem exata da carga dos fones e do estojo, separadamente. Infelizmente esse recurso não se aplica a outros usos do fone.

VALE A PENA?

Na civilização ele custa bem menos - ou seja, para ter os AirPods no exterior você precisa desembolsar US$ 159. Aqui no Brasil basta fazer uma conta mágica impossível para chegar aos R$ 1.399,00 cobrados pela Apple em solo nacional. Chega a dar tontura.

Com os preço oficiais do Brasil, é uma piada dizer que algo vale a pena aqui. A Apple criou um sistema onde artificialmente tudo vale mais a pena "indo lá fora comprar", e R$ 1.399,00 vs. US$ 159 é exatamente o que isso significa.

R$ 1.399,00 compram um headset profissional de estúdio. Dito isso, apenas vamos dizer: o produto é bom, mas o "vórtex de realidade do Brasil" nos faz dizer: não vale a pena.

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