Moto Z Play [Análise]

Por Adriano Ponte RSS | em 01.11.2016 às 20h06

De um lado, a loucura ultrafina. Do outro, a razão, a ergonomia e usabilidade. Dessa forma, saímos da análise do Moto Z, diretamente para o Moto Z Play. Vamos lá?

O aparelho

A frente do Moto Z Play diz bastante o quanto ele se parece com o Z, propriamente dito. A questão é que existe um detalhe mais sutil e menos óbvio que isso: a espessura.

Os 7mm do Z Play fazem muito mais diferença do que possa parecer, pois eles AJUDAM a pegada do aparelho. Ele fica firme nas mãos, e oferece mais conforto que o finíssimo irmão mais velho. O peso não atrapalha também: são aprox. 165g para o aparelho (que ainda é tratado com nano-revestimento contra líquidos como o irmão mais velho, sendo resistente à respingos de água).

Continuando na linha das semelhanças, temos nesse corpo de metal os conectores para os módulos "Moto Snaps" na parte de baixo da traseira.

Especificações

Rodando o Android 6 (Marshmallow) com upgrade programado para o 7 (Nougat), temos um aparelho com: 

  • Chipset Qualcomm Snapdragon 625
  • CPU Octa-core 2.0 GHz Cortex-A53
  • GPU Adreno 506
  • 3GB RAM
  • 32 GB de armazenamento interno (com suporte microSD)
  • Wi-Fi a/b/g/n
  • Bluetooth v4.0
  • GPS
  • NFC
  • USB-C
  • Sensor de impressões digitais

Display e multimídia

Na frente do Moto Z Play, temos uma tela Super AMOLED de 5.5", rodando na resolução FHD (1080p), com ~403 ppi de densidade. É um passo concreto da marca em direção ao AMOLED, anteriormente esquecido pela empresa e que agora retorna com força nos modelos Z.

Dessa forma temos contraste excelente nas imagens trazidas pelo aparelho, sendo isso diretamente relacionado ao preto de verdade, onde a tela se apaga em pontos específicos, ajudando as misturas de cores a permanecerem o mais puras possíveis.

Vale notar que esse painel, mesmo sendo super AMOLED, preza pelo equilíbrio das cores, e não demonstrou estouros de cor nem exageros durante nossos testes, mesmo sob o sol.

Contrariando o erro absurdo do Moto Z, o Play mantém o bom e funcional conector de 3.5mm para fones de ouvido, mantendo assim o conjunto multimídia esperado.

Agora, indo para o alto-falante frontal, temos da mesma forma que o Z algo muito similar ao que vimos no Moto G, mantendo nesse outro telefone o rendimento mediano e sem som envolvente, inclusive faltando fidelidade sonora, tornando FLAT todas as ondas. O que fica de muito positivo é a posição da saída de som, que é excelente.

Usabilidade e desempenho

Em termos de interface, temos o Android praticamente puro da Motorola, com adicional do processamento contextual conhecido da marca desde o Moto X. Ou seja:

Como no Z normal, o Play oferece reconhecimento de voz e ações contextuais de movimento, que realizam funções e atalhos com base nos seus gestos e posição do Moto Z Play. Os controles e configurações desses recursos ficam agregados dentro do APP "Moto", onde também é possível ativar ou desativá-los.

Em termos de desempenho, temos algo esperado. A GPU intermediária do aparelho oferece bom rendimento, principalmente pareada com sua GPU que também segura com estabilidade tarefas relativamente complexas. Entre nossas baterias de testes rotineiros não encontramos problemas de execução em APPs, Games e Benchmarks, porém com a ressalta de que existem momentos visíveis de mais ou menos carga sobre o sistema, refletindo superficialmente no desempenho em momento mais densos de games. 

A maioria esmagadora dos APPs funcionou corretamente no aparelho, e a experiência de uso do Z Play é praticamente livre de momentos de espera. Como temos feito em nossas últimas análises, fiquem agora com os resultados do Zenfone 3 no GeekBench 4, Antutu e 3DMark (vídeo).

O mundo móvel tem imposto a leitura de digitais integrada ao aparelho como padrão. Aqui, ele vem com o molde "Motorola", num quadrado logo abaixo da tela.

Ele está sempre ativo, e a resposta é instantânea. Basta tocar na área (mesmo com a tela desligada) para que seja feita a ativação e o desbloqueio do display. Tocar e segurar a área novamente bloqueia e desativa a tela.

Câmeras

Para o kit de câmeras do Moto Z Play, temos 16 MP, f/2.0 no sensor traseiro, com captura de vídeos em 4K. Já para a frente, são 5 MP, f/2.2 (com captura de vídeos em 1080p).

Antes de falarmos de qualidade de imagem, convidamos vocês para uma comparação. Qual a diferença entre a câmera do Moto Z Play e uma batata? Simples, a batata não tira fotos, MAS CASO TIRASSE, elas sairiam tremidas, pois tanto a batata quanto o Moto Z Play não possuem estabilização óptica.

Por que nossa comparação chegou nesse nível? Fácil, porque falamos de um produto da linha Z. Não é um smartphone mais acessível, da linha G ou E, e sim um "quase elite" aparelho Z. Dessa forma, é inaceitável que o modelo não conte com OIS, dificultando capturas noturnas e abrindo mão de ajudar no dia-a-dia com fotos e vídeos estáveis, sem borrões ou tremores.

Mais um detalhe: existem aparelhos de classe inferior ao Z Play, de outras fabricantes, que contam com estabilização óptica de imagem.

O engraçado é que o próprio aparelho pede para que você "mantenha a câmera fixa" ao fotografar em qualquer ambiente com um pouco menos de luz. É uma mensagem que deveria dizer: "se vira, estou te passando um problema que é meu para que a solução seja sua".

Para os registros das fotos, notamos um equilíbrio de cores que bate com a realidade, mostrando que o Z Play não comete erros de temperatura de cor/exposição/tonalidades. Isso é bom. O que não gostamos é o nível de detalhe que ele dá pra isso tudo na fotografia.

Ao ampliarmos as fotos, fica fácil ver que as nuances de cor morrem graças a uma suavização muito forte nos detalhes. Pessoas, folhas e texturas mais afastadas viram "traços de giz de cera", mostrando a limitação do Z Play para fotos. Paredes e objetos com nuances suaves de um tom de cor ficam "chapados numa cor só" no processo. 

Tudo isso também se aplica à câmera frontal, e some a isso a sua redução natural de MP. Fotos noturnas apenas potencializam o processo de suavização.

Bateria e acessórios 

Os números prometem. A geração de Chipset escolhida para o Moto Z Play faz parte da onda Qualcomm de "consumir a menor quantia de energia possível". Mais que isso: o Moto Z Play conta com 3510 mAh de bateria, valor generoso e promissor.

De qualquer forma, prosseguimos com nossos testes de streaming contínuo via Wi-FI com brilho máximo do display (ou seja, o pior cenário possível para a tela). E o resultado foi de descarga média de 8% (em cada ciclo de 1h).

Ou seja, no dia-a-dia com APPs rodando de fundo (e a tela fora do brilho máximo), deve-se ter a certeza de que seu aparelho chegará a noite com carga, mesmo que você separe uma parte do seu dia para sabotá-lo com jogos ou mesmo bastante Netflix.

Convidamos vocês para o seguinte exercício. Peguem todo esse rendimento de bateria que acabamos de falar. Gostaram? Agora lembrem que o Moto Z Play é totalmente compatível com o Incipio offGRID... Isso, o módulo de extensão de bateria do Moto Z. Chega a ser uma perversão pensar em tanta bateria.

Destaque ainda para o carregador TurboPower de 15w que acompanha o Moto Z Play na caixa, garantindo injeções GRANDES de carga em pouco minutos (sendo estas proporcionais à carga faltante na bateria).

Vale a pena?

Até a data de fechamento deste vídeo, o preço oficial do Moto Z Play era de R$ 2.199 — valor que o coloca como "super-intermediário", ficando acima dos tais "mil quinhentos e alguma coisa" que aparelhos de médio desempenho costumaram custar este ano. Ou seja, há luxo envolvido na compra de um Moto Z Play. Porém temos algumas considerações a acrescentar:

Um Moto Z que deu certo poderia definir bem o PLAY. Ele corrige a pegada, corrige a bateria, tem entrada de fones, diminui o preço... mas entrega menos poder de fogo e menos maturidade na câmera. A grande questão é: se esse preço fosse menor, os aparelhos da linha G deixariam de fazer sentido, o que seria fantástico para nós, consumidores.

Portanto uma comparação idiota: você pagaria mais num "Moto G4 Plus" "premium de metal" com modularidade? Se sim, o Moto Z Play é para você.

Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar

Novidade

Extensão Canaltech

Agora você pode ficar por dentro de todas as notícias, vídeos e podcasts produzidos pelo Canaltech.

Receba notificações e pesquise em nosso site diretamente de sua barra de ferramentas.

Adicionar ao Chrome