Asus Zenwatch 3 [Análise]

Por Adriano Ponte RSS | em 14.11.2016 às 17h02

Os relógios inteligentes seguiram para um mesmo rumo, e é o de parecer mesmo com um relógio e não com um quadrado bizarro no pulso. Seguindo essa lógica, veja abaixo a análise do Zenwatch 3 da Asus.

DESIGN

O design do Zenwatch 3 é o de um relógio. Não um smartwatch, e sim um RELÓGIO, redondo, com botões de design clássico e conectores de pulseira também clássicos. Olhares desatentos não notarão que você utiliza um não-relógio.

Essa "peça do tempo" de aprox. 61g usa o aço inoxidável como material principal, fazendo um 9.95m uma perfeita referência à um relógio mecânico com seu corte angulado e disco interno em outro nível em relação ao corpo.

Da mesma forma que um relógio padrão, este utiliza pulseira padrão, portanto você pode trocá-la por outra que lhe agrade, seja de outro material ou tamanho.

Seus três botões de cabeça arredondada possuem aperto real e apresentam a resistência correta para não serem acionados por acidente, tampouco incomodarem ao serem apertados.

Ainda temos nessa lista a certificação IP67, coisa vital para dispositivos eletrônicos vestíveis. Dessa forma, o Zenwatch 3 pode ser submerso em água doce por até 30 min (a 1m de profundidade). Ou seja, pode tomar banho com ele, lavar as mãos e levar uma vida normal sem estragar o bicho. Natação, porém, não faz parte da certificação, e não deve ser praticada com o smartwatch.

DISPLAY

Para dar vida ao relógio, temos uma tela AMOLED de 1.39” com acabamento 2.5D, revestida com Gorilla Glass, rodando na resolução de 400x400, fechando com 287ppi.

Para um painel tão pequeno, não será nos "filmes ou vídeos" que notamos a qualidade do que passa na tela, e de fato não importa MESMO de é LCD ou AMOLED nessa hora. A qualidade dos materiais e a implementação do display que faz a diferença. O que temos nesse caso: cores vivas. O modo ambiente do relógio traz preto profundo + cores ao mesmo tempo, e o modo ativo faz bonito, vibrando mesmo sob luz forte. Fontes pequenas e ícones reduzidos tem boa legibilidade e nitidez.

Um ponto curioso: notamos que sempre existe um tom "marrom" pelo sistema, notavelmente proposital para combinar com o disco que compõe a moldura do visor.

Apesar do modo ambiente (ou seja, a tela "sempre ativa") se beneficiar do AMOLED, não vimos ela funcionar na prática. A questão é simples: não é possível ver NADA nela em locais abertos. É necessário ativar de fato a tela num gesto ou clique de botão, visto que o modo ambiente fica ilegível com muita luz. Isso não é interessante de forma alguma.

Vimos exemplos em outras fabricantes que usavam ora material transflectivo (para refletir toda a luz incidente, ficando 100% legível sob o sol), ora truques de altíssimo contraste em sua matriz (também rebatendo luz e ajudando na leitura). No caso do Zenwatch 3, nada disso está presente.

Mesmo que você opte por uma Watch Face de alto contraste, a tela EM MODO AMBIENTE ficará ilegível da mesma forma em ambientes externos, precisando que você ative o relógio para ver as horas. É uma falha irritante para um relógio.

ESPECIFICAÇÕES

Por baixo do capô desse pequenino, temos um Chipset Qualcomm específico para relógios, e este seria o Snapdragon Wear 2100. Dessa forma, temos para o Zenwatch 3:

- CPU Quad-core (4x Cortex A7 de 1.2 GHz)
- GPU Adreno 304
- 512 MB RAM
- 4GB de armaz. interno
- Bluetooth v4.1 + Wi-Fi

USABILIDADE GERAL

O que você pensa de um relógio? Ele não deve sair do seu pulso por razão alguma. Se você tira para escrever, está desconfortável. Se tira na piscina, é que ele não suporta água. No caso do Zenwatch 3, ele é confortável, além de atender à resistência contra líquidos. É fácil utilizá-lo durante o dia todo, sem incômodos. Seu formato na parte de trás ajuda bastante.

Botões dedicados são o futuro. Hoje, no nível atual do sistema do Google para relógios, podemos levantar essa afirmação com facilidade. Diferente do Android para celulares, que atingiu sua maturidade, o para relógios ainda precisa de muito polimento por parte do Google, e nessa hora as modificações das fabricantes REALMENTE podem fazer algo de útil por você. No caso, falamos de hardware.

Esses três botões na lateral do Zenwatch deveriam ser padrão no Android Wear. O do meio já é, OK. Ele faz o que todo relógio com Android Wear faz:

- 1 aperto: ativa o relógio/volta para a tela inicial (o relógio propriamente dito)

- 2 apertos: modo cinema (onde a tela apaga-se por completo até que você o reative)

- 3 apertos: modo de brilho máximo por um curto período de tempo

Mas até aí, tudo bem. Temos outros dois botões que a Asus implementou no relógio. Um deles é seu. Sim, seu, você pode fazer o que quiser com ele. Você pode atribuir qualquer APP do relógio para este botão. Quer acionar a lanterna com 1 clique? Faça. Quer abrir a previsão do tempo? Pode também. Você escolhe pelas configurações o que esse botão faz para você.

E, logo abaixo temos o botão do ECO-mode, ou como gostamos de chamar, o botão relógio. Basta acionar este botão para que seu Zenwatch 3 de FATO vire um relógio.

A gente explica: o botão desliga o WiFi, Bluetooth, TOUCH DA TELA, e pronto. Seu Smartwatch oficialmente é um relógio, e nada mais. O objetivo do botão é (caso você queira) deixar o relógio em extrema economia de energia, para caso você vá ficar sem bateria (ou apenas não precise de mais nada do relógio naquele momento). Outro aperto em qualquer botão desativa o modo.

Boa parte dos usuários não precisa, mas é excelente ter GPS e acompanhamento de frequência cardíaca direto no seu pulso. Isso são duas coisas que não estão presentes AO MESMO TEMPO em todos os Smartwatches, mas também não é comum ver um modelo SEM NENHUMA DELAS.

Nesse ponto, o Zenwatch 3 fica atrás de diversos monitores fitness de baixo custo, além de vários relógios de outras fabricantes.

Existe um APP adicional para ficar no smartphone, e faz o companion entre seu aparelho e o Zenwatch 3. Esse é o Zenwatch Manager.

Pelo APP é possível acessar as "ferramentas", ou seja, configurações avançadas do Watch acessíveis a partir dali apenas. Uma delas é a capacidade de controlar ligações pelo relógio, podendo originar ou atendê-las por ele, usando o alto-falante do relógio.

Sim, ele traz um alto-falante integrado, de qualidade "média", como pudemos notar em nossos testes. É suficiente para ligações, mas não é ideal para músicas, por exemplo - mesmo sendo praticamente impossível usar o som integrado do relógio para qualquer outra coisa que não ligações.

Nós bem que tentamos, mas o Google não facilita em nada o mau uso do alto falante dos relógios com Android Wear. Foi tudo na gambiarra mesmo, afinal a gente adora fazer besteira para fins puramente científicos.

O APP ainda permite a configuração mais profunda das 50 Watch Faces inclusas com o relógio, permitindo que itens dinâmicos sejam customizados. Existe um limite do que você pode fazer, mas caso haja vontade, a Asus oferece um criador de watchfaces (fizemos esse aqui do Canaltech, por exemplo).

DEPENDÊNCIA DO SMARTPHONE

Essa parte recai totalmente sobre o Google, como sempre. E não temos muitas novidades para vocês.

O relógio consegue executar mini-apps por conta própria, sendo os de alarme e timer (além de micro-games) exemplo claros de coisas que podem acontecer ali sem necessidade do smartphone. Músicas do Google Play Music sincronizadas para a memória interna do relógio também são exemplos válidos.

Porém, coisas que precisam de internet necessitam um ponto de acesso, e com o relógio não traz 3g/4g, você precisará de Bluetooth ou WiFi ativado para isso. A questão é que o Android Wear consegue fazer a ligação entre o pulso e o celular via WiFi quando a distância é muito grande (vulgo "esqueci o celular em casa"). Porém, essa é a teoria.

Ainda não são todos os Apps que entendem isso e fazem uso da sincronização em nuvem disponível, e apenas apresentam erro em caso de conexão remota via WiFi.


BATERIA

Esperávamos bem mais da bateria do Zenwatch 3. Não vamos considerar o ECO-mode, que estende em 200% a duração da bateria. Esse modo desativa tudo (exceto a tela), portanto é para emergências.

Usamos normalmente o relógio, SEM WiFi ligado (apenas Bluetooth), recebendo notificações ocasionais, com o modo ambiente ligado - e SEM os gestos de ativação da tela, para que ela ficasse sempre ativa mas com gasto mínimo de carga. E não adiantou.

Os 340mAh não se mostraram suficientes para chegar com tranquilidade ao final do dia, sendo a mensagem de bateria fraca uma constante pouco antes do anoitecer. Mesmo com a proposta do Snapdragon Wear 2100 economizar 25% mais energia, algo não deu tão certo assim no Zenwatch 3. É quase imperativo usá-lo sem o modo ambiente, deixando a tela acender apenas por gestos ou toque. Isso dá mais fôlego para o relógio, mas não espere usá-lo dois dias sem carga.

Para balancear esse problema, o modelo conta com o que a Asus chama de "HyperCharge", o que significa que em 15 minutos o relógio tem 60% de sua carga injetada pelo carregador. É bastante coisa.

O problema mesmo é que o carregador dele é proprietário, e não é tarefa fácil encontrar uma reposição (ou mesmo uma peça extra). Isso faz sentido caso você danifique o seu, ou mesmo tenha a vontade de dispôr de outra unidade no trabalho, aproveitando assim a super-carga-rápida para abastecer o relógio em 15 minutos.

Mas você pode levar o carregador incluso no bolso. Até pode, mas o formato dele não é nada prático para isso. Vale notar que o carregador vem completo na caixa, ou seja, há uma cabeça de 10W para ligar tudo na tomada.

E tem uma peça bizarra nesse quebra-cabeça de energia sobre o relógio. Parece que a Asus sabe bem da fome do bicho, por isso existe um power bank oficial para ele. Você não ouviu errado, uma bateria externa em miniatura.

O "Battery pack" para o Zenwatch 3 não está disponível no Brasil, só para constar. Ele traz 40% mais de energia para o relógio, e fica encaixado embaixo do relógio, entre seu pulso e ele. É uma das soluções mais estranhas de todos os tempos.


VALE A PENA?

Smartwatches (tanto Android quanto iOS quanto Tizen) são ainda a mesma experiência. Leva um para casa é ter um pato no pulso. Patos nadam, voam e andam, mas não fazem nenhuma das 3 coisas BEM ou como deveriam.

Isso se aplica ao Zenwatch 3, porém não é culpa dele. O Android Wear ainda é um sistema BEM experimental, e o relógio apenas reflete isso. Porém, não vamos polir os fatos, a bateria do modelo poderia ser melhor, poderia haver leitura de frequência cardíaca.

Mas porquê nossa insistência nesses pontos, onde ficamos pedindo complementos para o relógio? Como relógio inteligente, ele até que se supera, então porquê pedir mais?

Simples. São necessários R$ 1.799,00 para levar o modelo para casa. Nesse valor, esperávamos que ele não fosse apenas bonito e OK. Faltou algo "a mais" para fazer a diferença.

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