HP zBook 15 G2: hardware corporativo, software abaixo do esperado

Por Pedro Cipoli
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Escolher um notebook para trabalhar não é algo tão simples quanto parece. Muitos definem as especificações dentro da faixa de preços que pretendem investir, o que até faz sentido, dependendo da tarefa que o usuário pretende realizar, mas esse não é o único ponto importante, em especial se o foco é usar o notebook para tarefas pesadas, como edição de vídeos, edição de imagens e manipulação 3D.

Nesse caso, entra uma série de outras variáveis, como a qualidade geral dos componentes da placa-mãe, que devem ser projetados para cargas maiores de trabalho e suportar temperaturas maiores, sistema de refrigeração ativo, conectividade mais otimizada para dispositivos de alto desempenho, e assim por diante. Aqui estamos falando de um notebook profissional, voltado para quem está disposto a investir um pouco mais em um modelo que não vai te deixar na mão com o tempo, como é o caso do zBook 15 G2 da HP que vamos conhecer agora.

Construção

Notebooks corporativos costumam ser mais grossos do que modelos convencionais, permitindo que os componentes internos tenham mais espaço para “respirar”. Isso resulta em um modelo que não pode ser considerado fino, já que tem 3,55 cm de espessura na região da dobradiça. Ele também pesa bastante na mochila, com 2,93 kg, consideravelmente mais pesado que um notebook comum.

O fato de ser mais grosso, além de não se tratar de um modelo pequeno, com tela de 15,6 polegadas, garante uma boa quantidade de conexões, com saídas de vídeo DisplayPort 1.2, Thunderbolt 2 e VGA (o que possibilita usar até 4 monitores, contando com a tela do notebook), 3 portas USB 3.0 e uma USB 2.0, uma entrada para cartões SD, conexão P3 para fones de ouvido com microfone embutido e porta RJ-45 para o cabo de internet.

Há outras menos conhecidas, mais utilizadas pelo público corporativo, como a ExpressCard, expansão para um dock (vendido separadamente) e uma entrada para uma segunda bateria. Temos também uma trava Kesington, leitor de impressões digitais e drive de CD/DVD para completar o conjunto, o que significa que o design foi um pouco sacrificado em favor da compatibilidade, algo comum nesse segmento de produtos.

Tela, teclado e touchpad

Começando pelo teclado, ele tem um layout americano (sem o “ç”) e teclas numéricas, sendo um dos teclados mais confortáveis que vimos até hoje. As teclas são devidamente espaçadas, trazem uma boa sensibilidade e contam com retroiluminação, um ponto em que a HP sempre mandou bem em suas linhas mais avançadas, inclusive de produtos consumer. Não temos nenhuma crítica aqui, exceto pelo fato de o layout americano trazer a tecla ENTER menor, mas é mais por costume do que propriamente um problema.

O touchpad é de vidro e tem uma sensibilidade para lá de excelente. Ele é um pouco menor do que esperávamos para o tamanho, já que há duas colunas acima e abaixo com 3 botões cada uma (clique, botão do meio e botão direito), devidamente posicionados. Por que duas colunas? Pois são usados com o Pointstick entre as teclas G, H e B, comuns geralmente em notebooks empresariais da Lenovo (os UltraNav dos ThinkPads), um ponto positivo para quem já se acostumou a usá-lo.

Como dissemos, a tela tem 15,6 polegadas e conta com a boa resolução de 1920x1080, o que dá uma boa definição, sendo possível optar pela resolução QHD+ (3200x1800) na hora da compra. O painel é IPS com tecnologia UWVA e tem uma cobertura fosca que elimina problemas de reflexo de luz, com uma excelente qualidade de cores e um contraste bem acima da média. Acima da tela temos uma webcam de 1,3 megapixel que grava vídeos de até 720p com uma boa qualidade.

Configuração

O desempenho do zBook 15 G2 é melhor do que parece. Estávamos desconfiados de um modelo com o preço para lá de alto trazer um processador dual-core, mas trata-se do Intel Core i7-4610M, com dois núcleos e quatro threads rodando a 3,0 GHz (Turbo Boost até 3,7 GHz, 4 MB de cache L3, com suporte a vPro) e uma TDP não tão alta assim, de 37 Watts. É um processador competente o suficiente para lidar com fotos de altíssima resolução no Photoshop (editamos fotos de 24 MP numa boa) e de aguentar o Illustrator sem problemas.

HP zBook 15 G2
HP zBook 15 G2

Entretanto, a unidade de testes que recebemos veio com míseros 4 GB de memória RAM DDR3 rodando a 1600 MHz, insuficiente para uma boa quantidade de tarefas. Por exemplo, esqueça editar vídeos mais pesados no Premiere sem considerar um upgrade para no mínimo 8 GB (suporte para até 16 GB nos zBooks dual-core e 32 GB nos modelos quad-core), ainda que ele conte com uma placa de vídeo dedicada.

HP zBook 15 G2
HP zBook 15 G2

No caso, temos uma AMD FirePro M5100, que oferece 640 processadores de fluxo rodando a 775 MHz e 2 GB de memória GDDR5 dedicada. Na prática, ela é a versão profissional de uma Radeon HD 8870M, com basicamente as mesmas especificações, mas tem o diferencial de trazer drivers certificados e uma otimização maior. Em todos os programas da Adobe que testamos, por exemplo, essa aceleração é perceptível.

HP zBook 15 G2
HP zBook 15 G2

Como armazenamento temos um SSD de 256 GB (há suporte para dois HDs nos modelos de 17 polegadas), o que é suficiente para quem pretende trabalhar com fotos, mas que exige um disco externo para vídeos. Ainda que não seja sem uma perda significativa de desempenho, o ideal aqui, por ser somente um slot, é utilizar um disco híbrido, em especial considerando que já existem modelos de 1 TB com 128 GB de SSD em um mesmo drive.

O usuário pode esperar uma boa agilidade para lidar com basicamente qualquer tipo de tarefa, em especial edição de fotos e gráficos vetoriais, mas mexer com vídeos exige as mudanças que mencionamos acima. Depende muito do programa, claro. Testamos o editor de vídeo CyberLink PowerDirector 13 e essa configuração ficou excelente, com renders rápidos em vídeos a 1080p (não testamos 4K, pois, né?).

Som, refrigeração e bateria

Vale mencionar o sistema de som, com caixas localizadas acima do teclado, que tem uma qualidade bem acima da média nos médios e agudos. Os graves ficaram bem abaixo do esperado, mesmo trazendo uma certificação DTS, que parece funcionar somente nos fones de ouvido.

A sistema de resfriamento não é somente ativo, como preventivo. Basta realizar qualquer tarefa (abrir o Chrome, por exemplo) para ele aumentar a rotação do cooler. Ainda que isso incomode um pouco pelo ruído, irá garantir um bom ciclo de funcionamento do zBook, já que os componentes internos ficam para lá de refrigerados, em especial durante o export de vídeos, que fazem o cooler virar uma turbina.

Isso impacta na bateria, infelizmente. Em nossos testes, conseguimos ficar cerca de 3 horas fora da tomada com navegação de internet e visualização de vídeos, valor que cai para umas 2 horas e 20 minutos com trabalho pesado. Considerando o tamanho da bateria (75 Wh), esperávamos uma autonomia maior.

Por último, vale a pena mencionar o carregador ridiculamente grande de 150 Watts. Pelos nossos cálculos, o zBook 15 G2 deve consumir uns 100 Watts, considerando o seu conjunto, e imaginamos que seja uma fonte genérica para todos os zBooks de 15 polegadas, já que há configurações mais parrudas (equipadas com processadores Intel Core i7-4910MQ) que exigem mais energia. Se for o caso, é uma péssima estratégia.

Problemas

Apenas como comentário, recebemos o zBook 15 G2 com o Windows 7 pré-instalado (é possível escolher entre ele, Windows 8, Windows 8.1 e Ubuntu na hora da compra). Até aí, sem problemas, mas o Windows Update veio completamente desatualizado, carecendo de updates essenciais e extremamente importantes tanto pela segurança quanto pela instabilidade do Windows, e perdemos umas boas horas atualizando o sistema.

A unidade de testes que recebemos também não veio com os drivers de vídeo instalados (nem da Intel nem da AMD), touchpad, som, enfim, nada. Esperamos realmente que esse seja um problema somente dessa unidade, e não de quem irá comprar um exemplar, já que quem pretende investir tão alto por fazer questão de um notebook corporativo deveria ter, no mínimo, todos os drivers instalados e o Windows com mais atualizações embarcadas.

Conclusão

Não encontramos o zBook 15 G2 à venda por meios “normais” aqui no Brasil, provavelmente por se tratar de um modelo que é voltado para o consumidor final, o que significa que não é produzido em uma escala tão grande. Nos Estados Unidos a configuração básica, com processador Core i5, começa com US$ 1.699 (cerca de R$ 5.400), mas, por se tratar de um produto importado, a conversão não é tão direta assim.

Geralmente, quando a empresa traz um produto finalizado para o Brasil, o preço americano para esse tipo de produto é multiplicado por algum fator (2 ou 3), devido a taxas, impostos e outros custos que somente fazem sentido por aqui (fazem mesmo?), e em seguida usa o dólar de conversão. Usando um fator de 2,5 (apenas para arredondamento), o preço final deve girar em torno de uns R$ 12.000. Ai.

Olhando somente a configuração, esse preço não faz o menor sentido, claro. Trata-se de um produto corporativo, segmento que é bastante superfaturado, e a garantia que a HP oferece por se tratar de um notebook que não irá deixar o usuário na mão por um bom tempo não sai barata, em especial por trazer um suporte melhor em caso de problemas. São pontos a que profissionais dão bastante atenção, já que quem busca um notebook desse “naipe” realizará trabalhos mais avançados que acabarão absorvendo o custo inicial de aquisição do zBook 15 G2.

E essa é a conclusão. Temos uma máquina que lida muito bem com edição de fotos e gráficos vetoriais, até mesmo vídeos, depois de um upgrade de memória RAM, com drivers otimizados, ferramentas de segurança integradas, sistema de refrigeração mais avançado e um conjunto de tela, teclado e touchpad raramente encontrado em notebooks convencionais. Mas, para ter acesso a esses diferenciais, é necessário encarar o preço.

Vantagens

  • Construção de altíssima qualidade;
  • Tela anti-reflexiva;
  • Teclado e touchpad extremamente confortáveis de usar;
  • Suporte corporativo;
  • Configuração rápida e equilibrada.

Desvantagens

  • Preço muito, mas muito alto;
  • 4 GB de memória RAM na versão que testamos (sério mesmo, HP?);
  • Difícil de adquirir para usuários brasileiros.