Dell, HP e Lenovo deixam de vender notebooks com HDD

Dell, HP e Lenovo deixam de vender notebooks com HDD

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 14 de Junho de 2022 às 13h40
Dell

Uma pesquisa realizada pelo portal TechRadar Pro, monitorando mais de 100 notebooks diferentes, constatou que Dell, HP e Lenovo, três das principais fabricantes de notebooks do mundo, deixaram de oferecer laptops de fábrica com HDDs. Todos os modelos acompanhados contam com SSDs como armazenamento principal, incluindo aparelhos básicos. Em uma pesquisa pelas lojas brasileiras das marcas, o Canaltech confirmou que a mudança também foi implementada no Brasil.

Dell, HP e Lenovo deixam de vender notebooks com HDD

Realizada apenas nos EUA, a pesquisa do TechRadar Pro acompanhou as listagens dos aparelhos nos sites oficiais das fabricantes, em todas as categorias de preço, e observou que já não há variantes oferecidas com disco rígido — os mais de 100 notebooks avaliados continham SSDs como armazenamento principal, trazendo ao menos 64 GB de capacidade.

O portal atribui a mudança a três principais fatores: a racionalização dos chassis, com dimensões mais eficientes para transporte e uso; a baixa demanda por notebooks com HDD; e a queda de preços das memórias e outros componentes utilizados em SSDs e armazenamento baseado em eMMC (mais lento, mas menos suscetível a falhas decorrentes de quedas, impactos e outros fatores).

Como apontou pesquisa do TechRadar Pro, Dell, HP e Lenovo já não oferecem notebooks com HDD, listando apenas modelos com SSD (Imagem: Fábio Jordan/Canaltech)

Outro possível elemento causador dessas mudanças é a ascensão do armazenamento em nuvem, que possibilitou aos usuários guardar múltiplos arquivos e dados importantes com baixo custo e sem a preocupação de limpar o disco dos laptops, especialmente de aparelhos com menor capacidade do mercado de entrada.

Dito isso, o TechRadar Pro destaca como ainda há espaço para os discos rígidos. Além de ainda oferecerem maior capacidade com preços um pouco menos elevados, essas soluções são especialmente atraentes em dispositivos de armazenamento externo, em segmentos que manipulam quantidades massivas de dados, como servidores e data centers, e até mesmo em desktops, onde possuem maior velocidade e melhor construção.

Lojas das marcas no Brasil também abandonam HDD

Em uma pesquisa feita pelo Canaltech nos sites nacionais das três gigantes foi possível constatar que a situação é similar no Brasil. Mesmo os notebooks mais básicos saem equipados com SSDs de ao menos 128 GB de capacidade e conexão SATA III, também suportada em slots M.2 específicos. A exceção vai para os modelos de Chromebooks, que ainda assim não utilizam discos rígidos — todos adotam memória eMMC soldada.

Os filtros de pesquisa da Dell Brasil reforçam não haver notebooks com HDD disponíveis, apenas modelos com SSD (Imagem: Reprodução/Dell)

É importante destacar que as pesquisas não consideraram os modelos vendidos por varejistas, que ainda podem ter estoque de laptops mais antigos com compatibilidade com os HDDs. Mesmo assim, o fato de não vermos mais aparelhos de múltiplas marcas saindo de fábrica com o antigo componente de armazenamento já simboliza uma possível mudança do mercado.

As mudanças podem ser consequência de supostas modificações nos requerimentos mínimos do Windows 11 — confirmadas quase uma semana após relatos de fabricantes —, coletados pela empresa de análise de armazenamento da indústria Trendfocus, sugerirem que a Microsoft estaria as obrigando a substituir os HDDs como armazenamento principal pelos SSDs, com prazo de 2023 para conclusão da transição.

A HP Brasil segue tendência parecida, ao oferecer ao menos um SSD M.2 SATA III de 128 GB nos notebooks mais básicos (Imagem: Reprodução/HP)

Caso se confirme, o movimento não seria surpreendente, e poderia ter impactos positivos a longo prazo — SSDs, especialmente os que operam no padrão NVMe, são múltiplas vezes mais rápidos que os HDs e proporcionam melhorias significativas de fluidez na navegação e carregamento de tarefas do sistema. Com seu uso se tornando obrigatório, a Microsoft estaria buscando garantir que até as máquinas mais simples ofereçam uma boa experiência de uso.

Fonte: TechRadar, Tom's Hardware

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