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Análise | Acer Nitro 5 entrega bom desempenho em jogos sem comprometer o bolso

Por Sérgio Oliveira | 23 de Abril de 2019 às 11h53
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Investir em um PC gamer normalmente é sinônimo de desembolsar uma quantia considerável de dinheiro, sobretudo se você estiver procurando pelo máximo desempenho possível. Mas há quem não se importe tanto assim em ter "tudo do melhor" e se contente com máquinas menos caras, por assim dizer, porém competentes o suficiente para entregar uma boa experiência de gameplay.

O Acer Nitro 5 chega para atender justamente esse segmento de público com três modelos que entregam especificações básicas, de entrada e intermediárias. São eles:

  • Nitro 5 AN515-51-50U2: Intel Core i5-7300HQ, GeForce GTX 1050 com 4 GB, 8 GB de RAM DDR4 e 1 TB de HDD
  • Nitro 5 AN515-51-77FH: Intel Core i7-7700HQ, GeForce GTX 1050 com 4 GB, 8 GB de RAM DDR4 e 1 TB de HDD
  • Nitro 5 AN515-51-78D6: Intel Core i7-7700HQ, GeForce GTX 1050 Ti com 4 GB, 16 GB de RAM DDR4 e 1 TB de HDD

Aos olhos de pessoas menos familiarizadas com essa verdadeira sopa de letrinhas, as especificações são praticamente idênticas, exigindo um olhar mais cauteloso e até mesmo uma pesquisa mais aprofundada para se certificar de estar fazendo a compra certa. No caso do primeiro modelo, seu diferencial é justamente o processador Core i5, que entrega um desempenho bem mais modesto em relação às duas outras versões.

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Já o diferencial do segundo modelo é justamente o upgrade de processador, agora um Core i7, com mais poder de fogo que o i5 de sétima geração. Por fim, o último modelo apresenta dois upgrades importantes: além de vir com o dobro de memória RAM, traz uma GTX 1050 Ti, que conta com suporte a HDR e entrega um desempenho até 30% superior em relação à GTX 1050.

O Canaltech recebeu justamente esse modelo mais parrudo para avaliar quão bem ele se sai rodando os jogos mais atuais e executando tarefas no dia-a-dia do trabalho.

Design

A caixa do Acer Nitro 5 não comunica absolutamente nada que temos em mãos um notebook gamer. A opção aqui foi pela abordagem padrão de caixa sustentável de papelão, sem qualquer detalhe espalhafatoso que geralmente acompanha produtos dessa categoria.

Ao abri-la, encontramos a máquina muito bem acomodada em seu berço ao lado de um compartimento destinado para a fonte e o cabo de energia. Mais uma vez, simples e sem firulas.

Ao pegar o notebook em mãos, uma boa surpresa: ele pesa apenas 2,70kg e, por não ser tão pesado assim em comparação com outros equipamentos dessa categoria, pode ser carregado por aí até com uma certa facilidade. Outra característica que chamou bastante atenção foi o visual sóbrio e clean do Acer Nitro 5.

Suas linhas não são tão agressivas e a aposta da Acer foi na cor preta em contraste com a cor vermelha para conferir um "ar gamer" ao notebook. Por se tratar de um produto de entrada/intermediário, toda a carcaça é feita de plástico e a tampa tem uma textura que tenta imitar a de aço escovado.

Embora a parte superior da tampa tente imitar aço escovado, toda a estrutura do Acer Nitro 5 é feita de plástico
Embora a parte superior da tampa tente imitar aço escovado, toda a estrutura do Acer Nitro 5 é feita de plástico (Fotografia: Sergio Oliveira)

Abrindo a tampa, vemos um teclado completo montado com teclas "chiclete" e retroiluminação. Embora o teclado seja gostoso de usar e venha no padrão ABNT, a adição da parte numérica, um erro recorrente dos notebooks gamers, obrigou a Acer a espremer as teclas de seta e o shift direito — prepare-se para um tempinho de adaptação. A retroiluminação também merece uma observação: estranhamente, as teclas do Nitro 5 têm suas laterais um tanto transparentes, deixando a iluminação vermelha vazar. Esse pequeno erro de design torna quase impossível enxergar as teclas à noite, mesmo com a iluminação ligada.

Seguindo adiante, abaixo do teclado temos um touchpad grandalhão, medindo 10,4cm x 7,6cm. Durante nossos testes, ele se mostrou responsivo, macio e confortável para os momentos em que não há um mouse por perto. Mesmo assim, não o considere para jogar absolutamente nada.

Escolha por teclas com laterais transparentes faz retroiluminação vazar e prejudica visualização das teclas à noite
Escolha por teclas com laterais transparentes faz retroiluminação vazar e prejudica visualização das teclas à noite (Fotografia: Sergio Oliveira)

Acima da tela há uma câmera capaz de fazer capturas em HD e gravações a até 30 quadros por segundo. Para não fugir do padrão da maioria das câmeras empregadas em notebooks gamers, a qualidade das imagens é um tanto abaixo da média, apresentando muita granulação mesmo em condições satisfatórias de iluminação.

Fechando a tampa e de volta à estrutura do Acer Nitro 5, em sua lateral esquerda o notebook gamer emprega uma entrada Ethernet, uma entrada USB-C, uma saída HDMI, uma entrada USB 3.0 e um leitor de cartões SD. À direita, temos a entrada de energia, duas entradas USB 2.0 e uma entrada P2 combo de áudio+microfone.

Os alto-falantes foram instalados na parte frontal do notebook, exatamente na lombada que fica abaixo dos pulsos do usuário. Embora ele conte com tecnologia Dolby Audio Premium, ele é apenas um paleativo para quando não há um headset à disposição, sofrendo sobretudo para reproduzir agudos.

Finalmente, na parte inferior da máquina vemos que ela vem com duas aberturas que dão acesso aos pentes de memória RAM e à baía onde fica instalado o disco rígido. Sobre essa última, é possível usá-la para substituir o HDD e instalar um SSD SATA III. Uma boa notícia é que também há slot para SSD M.2, mas ele só é acessível se você remover o HDD, retirar os 17 parafusos que prendem a tampa inferior e removê-la — um trabalho dispendioso e de certa forma desnecessário, haja vista que o slot fica próximo aos de memória RAM e poderia ser facilmente acessado caso essa abertura fosse maior.

Parte inferior tem duas aberturas para acessar o disco rígido/SSD Sata III e os pentes de memória RAM
Parte inferior tem duas aberturas para acessar o disco rígido/SSD Sata III e os pentes de memória RAM (Fotografia: Sergio Oliveira)

Especificações

Agora que já demos uma olhada detalhada por fora, é hora de destrinchar o que o Acer Nitro 5 tem dentro dele — e já dá para adiantar que, como um todo, o conjunto de componentes escolhidos pela fabricante funciona muito bem.

Primeiro, o chipset. Temos aqui um Intel Core i7-7700HQ de sétima geração (Kaby Lake) que alcança clock de até 3,8 GHz. Mas o mais barato desse componente é que ele vem com quatro núcleos e compatibilidade com a tecnologia Hyper Threading, capaz de simular outros quatro núcleos de maneira lógica. Em miúdos, em algumas situações específicas o computador se comporta como um octa-core.

O 7700HQ não é o Core i7 de sétima geração mais poderoso lançado pela Intel, mas é bem competente e fica atrás apenas de outros três modelos na "fila do pão": o 7820HK, o 7820HQ e o 7920HQ.

O modelo do Nitro 5 que recebemos veio com 16 GB de memória RAM DDR4 de 2.400 MHz, que se mostraram mais do que suficientes para lidar com jogos como Resident Evil 2, Devil May Cry 5 e Forza Horizon 4. Se mesmo assim o usuário sentir que 16 GB não são suficientes, é possível fazer o upgrade com um outro pente de memória. O Acer Nitro 5 dispõe de dois soquetes, e mesmo nesse modelo com 16 GB, apenas um deles está ocupado. Então é só comprar um pente novo e espetar ele na placa-mãe para curtir até 32 GB de RAM — o máximo suportado pela máquina.

Acer Nitro 5 vem com apanas um pente de memória, permitindo ao usuário adicionar um segundo sem problemas
Acer Nitro 5 vem com apenas um pente de memória, permitindo ao usuário adicionar um segundo sem problemas (Fotografia: Sergio Oliveira)

Partindo para a GPU, temos à disposição uma Intel HD Graphics 630, muito competente (com 1 GB de memória e rodando a até 1,1 GHz) e utilizada pelo sistema para tarefas do cotidiano, que não exigem tanto desempenho assim. Já a placa de vídeo principal é uma GeForce GTX 1050 Ti.

Embora já não seja um modelo tão atual assim (ela foi anunciada em janeiro de 2017 e, desde então já surgiram por aí as RTX 20XX), a placa de vídeo dá muito bem conta do trabalho pesado. Seu núcleo opera a uma velocidade base de 1.493 MHz e pode chegar a até 1.620 MHz com boost, enquanto os 4 GB de memória GDDR5 operam a 7 GHz. Também chama a atenção as 768 unidades de shader da GTX 1050 Ti, sua compatibilidade com HDR, desempenho 30% superior em relação à GTX 1050 e comparável ao modelo da linha feito para desktops — desde que satisfazendo algumas condições de resfriamento, claro. Enfim, é poder de fogo de sobra para dar conta da maioria dos jogos que estão no mercado na atualidade, talvez não rodando nas configurações máximas, mas de maneira satisfatória pelo menos nas intermediárias.

Todos os gráficos processados por essa belezinha são exibidos num display IPS antirreflexo da AU Optronics de 15,6 polegadas e resolução Full HD. Há quem se queixe da escolha da Acer aqui, mas, honestamente, não há do que reclamar. Claro, há telas melhores por aí, mas empregar 4K ou até QHD num display desse tamanho seria desperdício de recurso e de dinheiro para os consumidores, então o IPS Full HD faz muito bem o trabalho de exibir gráficos, cores e contraste de qualidade e é condizente com a proposta do Nitro 5.

Display usado pela Acer não é dos melhores, mas também está longe de ser dos piores. Antirreflexo, ele oferece um bom ângulo de visão
Display usado pela Acer não é dos melhores, mas também está longe de ser dos piores. Antirreflexo, ele oferece um bom ângulo de visão (Fotografia: Sergio Oliveira)

Para além disso, temos um disco rígido Western Digital de 1 TB e 5.400 RPM e bateria LG de 4 células e capacidade de 3.200 mAh. Por fim, em matéria de conectividade, o Nitro 5 oferece o seguinte: Wi-Fi 802.11 ac, Bluetooth 5.0, Gigabit Ethernet, 2x USB 2.0, 1x USB 3.0, 1x USB-C, HDMI, leitor de cartão SD e entrada P2 combo.

Performance

OK, agora já conhecemos o que o Nitro 5 tem dentro e fora da carcaça. Mas como tudo isso funciona em conjunto? Dá bom ou dá ruim? Como já disse anteriormente, todos os componentes operam em perfeita harmonia e entregam uma boa experiência dentro da proposta da Acer para essa máquina.

Nos testes executados rodando o 3DMark Fire Strike, o notebook gamer da Acer ficou posicionado exatamente onde deveria estar: ali no meio. Graças ao combo GTX 1050 Ti + Core i7 + 16 GB de RAM, a máquina garantiu mais de 6.300 pontos de escore no teste de desempenho de gráficos 3D, mais de 1.000 pontos acima do seu irmão menor e de seu concorrente direto, o Samsung Odyssey.

O ponto negativo é que, apesar de ser uma máquina mais nova, o Nitro 5 ainda ficou atrás do antecessor Aspire VX5 e do Inspiron Gaming 15, modelo antigo de notebook gamer da Dell que foi substituído pelo G3 15 recentemente. Mesmo assim, a diferença ficou numa faixa aceitável de 500 pontos.

Teste de gráficos 3D coloca o Acer Nitro 5 exatamente onde ele deve estar: no meio (Gráfico: William Johnny)

Fora o teste de benchmark padrão, também executamos alguns testes de gameplay com alguns jogos. Quando o título possuía um teste de desempenho próprio, a medição foi feita por ele mesmo; quando não, utilizamos o software da própria Nvidia para exibir a taxa de quadros por segundo ao longo de cerca de 30 minutos de gameplay, sempre observando a taxa média, os picos e as quedas.

O primeiro jogo testado foi Resident Evil 2*, título lançado recentemente pela Capcom e que surpreendeu a todos pela qualidade gráfica exímia tanto nos consoles quanto no PC. Apesar de não possuir um teste de benchmark próprio, o game sugere ajustes gráficos recomendados baseados nas especificações do PC. No Acer Nitro 5, esses ajustes incluíam tela cheia com 1920 x 1080 pixels de resolução, taxa variável de quadros, anti-aliasing FXAA+TAA, texturas altas e todos os opcionais habilitados. Nesse cenário, a taxa de frames variou entre 40 e 60 quadros por segundo, chegando a alguns níveis críticos de 30 FPS principalmente quando havia muitos zumbis em tela e/ou partículas como névoa, fogo e faísca. Apesar dos engasgos, eles são momentâneos e não são determinantes.

Alternando os ajustes para as predefinições que priorizam desempenho (incluindo filtro de imagem TAA, texturas médias e opcionais desligados ou setados como "baixo"), Resident Evil 2 conseguiu manter-se rodando com taxas variando entre 55 e 60 FPS. Para olhos menos exigentes, mesmo nessa configuração o jogo se apresenta muito bonito e os "cortes" são apenas acessórios (um reflexo aqui, uma sombra acolá), não prejudicando nem um pouco a qualidade da jogatina.

O segundo jogo testado foi Devil May Cry 5*, também lançado recentemente pela Capcom. Assim como Resident Evil 2, o game se saiu muito bem rodando no Acer Nitro 5. Com os ajustes predefinidos e baseados nas especificações da máquina, jogamos cerca de 30 minutos com tela cheia, 1920 x 1080 pixels de resolução, V-Sync ativado, qualidade de texturas, filtros e malhas alta, anti-aliasing FXAA+TAA, efeitos médios e sombras altas. Nesse cenário, a gameplay se desenrolou a 60 FPS fixos, enquanto as cutscenes, renderizadas em tempo real, variaram entre 40 e 60 FPS. Em momentos de muita movimentação e que exibem muitas partículas, essa taxa topou e caiu momentaneamente para até 30 FPS.

Como o jogo de Dante, Nero e V se saiu bem rodando nos ajustes predefinidos, subimos os ajustes para o Ultra, com tudo rodando no máximo. Nesse cenário, a gameplay manteve-se rodando a 60 FPS fixos e as cutscenes apresentaram as mesmas variações. A diferença ficou por conta do tombo nos momentos "críticos": nesse caso houve queda para até 17 FPS, alguns travamentos e até desincronização de áudio e vídeo.

E como o Acer Nitro 5 lida com jogos de mundo aberto? Foi isso o que conferimos rodando Assassin's Creed Odyssey*, que possui um mapa gigantesco e superdetalhado. Rodando uma ferramenta própria de benchmark do jogo da Ubisoft, ele nos recomendou utilizar definições medianas, com o V-Sync desabilitado, FPS ilimitado, tela cheia e 1920 x 1080 pixels de resolução. Com esses ajustes, a taxa média de quadros por segundo foi de 40, com mínimo de 22 FPS e máximo de 72 FPS.

Buscando mais desempenho, derrubamos os ajustes para a definição "baixa". Nesse cenário, Assassin's Creed Odyssey apresentou uma leve melhora, rodando a 45 FPS e alcançando mínimo de 23 FPS e máximo de 82 FPS. Embora o game seja jogável em ambos os ajustes, é evidente que ele exigiu bem mais do notebook gamer da Acer do que os dois anteriores, e a máquina não correspondeu tão bem assim. Nesse caso, a sugestão é ativar a opção de Qualidade Adaptativa nos ajustes de AC Odyssey, que faz o ajuste in game da qualidade gráfica sempre que percebe que a máquina está com dificuldades para lidar com os gráficos.

Curiosamente, se formos frios em nossa análise, Forza Horizon 4 também é um jogo de mundo aberto, só que de carros, e ele se saiu muitíssimo bem nos testes de benchamrk no Acer Nitro 5. De cara, o jogo da Microsoft nos recomendou utilizar configurações baixas e executar um benchmark próprio do game para ver se estava tudo bem. Com esse ajuste, o game rodou a uma taxa média de 58 FPS e alcançou picos de 104 FPS.

Como nem mesmo as competições em chuva fizeram o game desacelerar, subimos a qualidade para "alta", que já traz sombras, reflexos e texturas mais detalhados, e, para surpresa, o game rodou a uma média de 59 FPS, alcançando picos de 83 FPS. Apesar do desempenho gráfico extremamente satisfatório, percebemos que houveram alguns problemas de áudio, com a trilha sonora engasgando e as vozes do jogo saindo robóticas em alguns momentos. Apesar de não ter conseguido observar um padrão para esse comportamento, ele certamente ocorreu porque os gráficos estavam "torrando" praticamente todos os recursos do notebook.

Forza Horizon 4 se saiu bem tanto com gráficos baixos quanto altos; diferença ficou por conta do áudio, que apresentou problemas quando o jogo passou a exigir mais da GPU (Imagens: Sergio Oliveira)

Também da Microsoft, porém mais antigo, Gears of War 4 também se saiu muito bem rodando no Acer Nitro 5. Por ter sido lançado em 2014, três anos antes do notebook gamer, o game rodou muitíssimo bem nas definições recomendadas (tela cheia, 1920 x 1080 pixels de resolução, FPS ilimitado, texturas e detalhes altos, detalhamento médio, iluminação e sombras médias), mantendo uma taxa média de 57 quadros por segundo e alcançando picos de 102.

Na qualidade "Ultra", Gears of War 4 manteve uma taxa de 42 FPS, mas apresentou alguns travamentos em momentos mais críticos com muitos personagens, partículas e explosões. Novamente, foram momentos bastante específicos e que podem incomodar a experiência de jogabilidade do usuário, mas que não são definidores. Em todo caso, o ideal é baixar um pouco os ajustes para ter uma gameplay mais fluída.

Gears of War 4 roda bem no Ultra, mas apresenta pontos de engasgo na gameplay; ideal é jogar com ajustes medianos como o deste teste
Gears of War 4 roda bem no Ultra, mas apresenta pontos de engasgo na gameplay; ideal é jogar com ajustes medianos como o deste teste (Imagem: Sergio Oliveira)

Por fim, não podíamos deixar de fora um dos títulos mais populares da atualidade. Conhecido entre os PC gamers por ser um beberrão, Fortnite tem um sistema que identifica automaticamente as melhores configurações para oferecer a melhor experiência de jogabilidade possível. No Acer Nitro 5, essas configurações incluem limite de taxa de quatros em 60 FPS, V-Sync desabilitado e todos os demais ajustes setados ou em "alto" ou em "épica". Nesse cenário, o Battle Royale oscilou entre 42 FPS e 58 FPS.

Reduzindo todos os ajustes para o nível médio, Fortnite oscilou sua taxa de quadros entre 70 e 93 FPS. Para ir além disso, só ou derrubando todos os ajustes para "baixo" ou realizando um pente fino para saber o que funciona melhor no notebook ou não. Como estamos falando de um título competitivo online, isso é relativamente comum, com pro players e criadores de conteúdo sacrificando a qualidade gráfica em detrimento de mais quadros por segundo. No Acer Nitro 5, o máximo que conseguimos alcançar foi entre 91 FPS e 124 FPS.

Além da execução de jogos, é possível que você também queira usar o notebook gamer da Acer para desempenhar tarefas de trabalho e do dia-a-dia. Aqui, infelizmente o notebook apresenta seus principais problemas de performance.

O grande culpado disso é a escolha de enfiar um disco rígido de 5.200 RPM para dar conta de uma máquina com esse poderio. O componente destoa, não acompanha a velocidade do combo Core i7 + 16 GB de RAM + GTX 1050 Ti e é o principal gargalo de desempenho do Nitro 5, comprometendo desde a inicialização até o carregamento de programas e jogos. A lerdeza é sintomática e pode fazer até você pensar que há algo de errado com o notebook, quando na verdade não há. Claro, é possível conviver e se acostumar com isso, mas se você atualizar para um SSD perceberá o salto gigantesco de desempenho. E foi isso o que fizemos.

Substituímos o HDD da Western Digital por um SSD M.2 NVMe da Crucial e o que vimos foi o surgimento de um Acer Nitro 5 completamente novo. Para você ter uma noção da diferença, executamos testes de boot com o Boot Racer, todos com a instalação padrão do Windows 10 que veio da fabricante. O resultado foi o seguinte (segure o queixo): com o disco rígido, as inicializações frias levaram cerca de 136 segundos para serem completadas, enquanto as reinicializações levaram em média 120 segundos. Com o SSD P1 da Crucial, esses números desabaram para 39 e 22 segundos, respectivamente.

Lentidão do disco rígido pode irritar alguns usuários. Solução pode ser a troca por um SSD Sata III ou M.2 NVMe, cuja entrada fica ao lado dos pentes de memória RAM
Lentidão do disco rígido pode irritar alguns usuários. Solução pode ser a troca por um SSD Sata III ou adição de um M.2 NVMe, cuja entrada fica ao lado dos pentes de memória RAM (Fotografia: Sergio Oliveira)

Estranhamente, no exterior a Acer comercializa uma versão do Nitro 5 que já vem com SSD, mas ela ficou de fora aqui no Brasil. Então, se você não quiser se frustrar com lerdeza e tiver um dinheirinho sobrando, considere comprar um SSD junto com este notebook — e nem precisa ser um grandalhão, basta um de 240 GB para uso em conjunto com o HDD.

Bateria e arrefecimento

Agora que sabemos do que o Nitro 5 é capaz, é hora de conferir o quanto isso impacta a autonomia da bateria e no arrefecimento do sistema como um todo.

Levando em consideração o ciclo de baterias de notebooks gamers como um todo, a bateria da LG de 3.200 mAh se saiu relativamente bem nos testes que fizemos com o PCMark 8 no modo Office - Bateria. O teste basicamente consiste em executar tarefas do dia a dia, como navegar por alguns sites, utilizar processadores de texto e lidar com algumas imagens — tudo isso sendo feito em loop até a bateria pedir arrego. Ao fim dos testes, o Acer Nitro 5 segurou 3h42 de tarefas, um pouquinho abaixo do que consideramos seu concorrente direto, o Samsung Odyssey, mas ainda assim dentro da expectativa para uma máquina desse tipo.

Teste de bateria do Acer Nitro 5 mostrou que ele se segura bem sem estar ligado na tomada por cerca de 3h42 (Gráfico: William Johnny)

Em relação ao arrefecimento, as duas ventoinhas dão conta de resfriar bem o sistema, mas apenas durante a execução de tarefas diárias e de trabalho. Quando abrimos qualquer jogo que exige mais poder de fogo, os coolers trabalham muito e a sensação é de que o notebook pode sair voando a qualquer instante.

Nos testes que executamos utilizando o BurnIn Test, o Core i7-7700HQ atingiuu picos de 97ºC, quase 10ºC acima de seu principal concorrente e acima até mesmo do Dell Inspiron Gaming 15, considerado o mais potente nos comparativos que fizemos.

Durante execução de tarefas mais pesadas, CPU do Acer Nitro 5 pode atingir temperaturas preocupantes (Gráfico: William Johnny)

Esse parece ser um problema específico desse modelo com Core i7 e GTX 1050 Ti, já que análises dos demais modelos não apontam qualquer indício de superaquecimento. Nos fóruns da comunidade da própria Acer, vários proprietários do Nitro 5 demonstram preocupação quanto a esses surtos de temperatura e muitos indicam que a única forma de contorná-los é realizar undervolting na CPU, que perde um pouquinho de desempenho, mas passa a operar numa zona de temperatura "segura", por assim dizer.

Não precisa nem dizer que esse é um processo que exige um pouco mais de conhecimento técnico e que cada um está por sua conta e risco, né? Independentemente disso, a verdade é que em nenhum dos nossos testes o pico de temperatura foi suficiente para fazer o sistema desligar ou algo do tipo.

Como a CPU gera calor excessivo, isso acaba afetando também a temperatura de operação da GeForce GTX 1050 Ti, que, ao processar gráficos mais pesados, alcançou picos de até 76ºC nos testes que realizamos com o 3DMark Fire Strike. Mais uma vez, o valor está acima do apresentado por qualquer outro concorrente.

Devido às altas temperaturas alcançadas pela CPU, a GPU também fica comprometida e funcionando em temperaturas elevadas (Gráfico: William Johnny)

Vale a pena?

Muito bem, antes de dar qualquer veredito é importante ter em mente que estamos falando de um notebook gamer de entrada/intermediário que não tem pretensão de rodar todos os jogos atuais no Ultra, mas sim oferecer uma boa experiência de gameplay em lançamentos, mesmo que às custas de uma resolução mais baixa ou gráficos setados para médios ou baixos. Tendo isso em mente, vamos colocar todas as características do Acer Nitro 5 numa balança.

Sem dúvidas há algumas questões que podem ser melhoradas no equipamento, mas elas não comprometem a experiência proporcionada pela máquina. Talvez o caso mais irritante seja mesmo do disco rígido, que é extremamente lento e dá a falsa sensação de que algo está errado com a máquina, impactando desde a inicialização até o uso diário e carregamento de jogos. Isso poderia ser solucionado oferecendo um modelo com pelos um SSD SATA III de fábrica para a máquina ter um desempenho melhor. Também vale mecionar a opção por um teclado completo, que acabou espremendo as teclas, e o sistema de resfriamento pensado para versões mais modestas, com Core i5 e GTX 1050 — no modelo que o Canaltech recebeu, as ventoinhas trabalharam muito e mesmo assim vimos temperaturas acima da média da concorrência.

Isso a parte, os demais componentes casaram muito bem com a proposta da Acer com o Nitro 5. Como foi possível ver em nossos testes, o notebook gamer se saiu bem até mesmo executando títulos recém-lançados como Resident Evil 2 e Devil May Cry 5, apresentando variação de desempenho dentro da expectativa e de sua proposta. Para quem busca qualidade gráfica, pode optar por rodá-los a uma taxa menor de quadros; já quem preza por desempenho, pode reduzir a resolução de tela e ajustar as configurações para intermediárias ou baixas que a máquina conseguirá rodar tudo tranquilamente.

Falando de preço, o modelo do Acer Nitro 5 que o Canaltech recebeu está à venda na loja oficial da Acer por R$ 4.575 à vista e no varejo online por a partir de R$ 4.929. É um valor acima do pedido pela Samsung com o Odyssey (R$ 4.445), mas que é justificado pela placa de vídeo Nvidia GTX 1050 Ti e o dobro de memória RAM do principal concorrente. Modelo equivalente da Dell, o G3 15 com 16 GB de RAM e GTX 1050 (o Inspiron Gaming 15 saiu de linha) sai por R$ 5.729, aproximando-se de opções de alto desempenho da Avell, por exemplo.

Diante disso tudo, o Acer Nitro 5 é o notebook gamer intermediário que se posiciona no meio desse segmento. Nem tão caro, nem tão barato; nem tão parrudo, nem tão básico. Ele é a opção ideal para quem busca portabilidade, competência no dia a dia, desempenho mediano em jogos atuais e um bom custo-benefício, sem comprometer o bolso.

*A análise do Acer Nitro 5 contou com a colaboração da Capcom, que nos forneceu uma cópia de Resident Evil 2 para PC, e da Nuuvem, maior loja de jogos digitais da América Latina, que nos enviou cópias de Devil May Cry 5 e Assassin's Creed Odyssey para testarmos no PC. Ambos os jogos estão à venda na plataforma.

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