Análise | Notebook 2AM Extreme é opção discreta para quem busca performance

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Quando entrevistamos Felipe Oliveira, diretor de produtos da estreante 2AM na BGS, uma das mensagens mais fortes foi a de parceria com o gamer. A ideia da nova marca, segundo ele, é entregar aquilo que os jogadores procuram e, principalmente, facilitar a vida de quem não entende muito do assunto, disponibilizando uma máquina que seja enviada “pronta”, bastando ligar, instalar os games e começar a jogar.

Ao recebermos o notebook Extreme, o topo de linha da 2AM nesse quesito, colocamos essa ideia à prova, e ela, efetivamente, é real. Bastou realizar a configuração inicial do Windows 10 e o download do launcher da Epic Games para estarmos, rapidamente, caindo de paraquedas em nossa primeira partida de Fortnite na máquina. O tempo entre desembalar o monstrinho e começar a jogar, realmente, só depende da velocidade da sua conexão.

Após configuração do Windows, o 2AM Extreme já está pronto para o jogo (Imagem: Felipe Demartini)

A simplicidade é percebida logo que se tira o equipamento da caixa. Apesar de estarmos falando de um notebook gamer, o equipamento é dos mais sóbrios. Os mais de 2,5 Kg de peso mostram a robustez necessária e indispensável nessa categoria, mas o fator Extreme de seu nome, entretanto, está por dentro. Levando em conta somente a aparência, temos um PC que poderia passar despercebido, constituindo, desde o início, uma boa escolha para quem também vai utilizar a máquina para trabalhar ou, simplesmente, deseja chamar pouca atenção para si.

O corpo do dispositivo é todo preto e a única indicação de se tratar de um notebook gamer, além das linhas com saídas de ar agressivas, é o logo da 2AM na tampa acompanhado da marca da Nvidia GeForce. O peso pode não fazer com que ele seja dos mais portáteis, mas são apenas 2,9 cm de espessura e uma tela de 15,6 polegadas, o que facilita a vida na hora de colocá-lo na mochila para ser carregado por aí.

Design fino e discreto chama a atenção no notebook 2AM Extreme (Imagem: Felipe Demartini)

A discrição termina, entretanto, quando se abre o equipamento, com o teclado mecânico e com LEDs RGB fazendo questão de nos lembrar de estarmos diante de um notebook gamer dos mais parrudos. O touchpad tem um tamanho considerável enquanto, logo acima, em um bonito detalhe em vermelho, há um botão dedicado apenas à ativação de ventoinhas para os momentos de maior atividade ou quando a temperatura do ambiente estiver elevada. É possível perceber o funcionamento delas quando se está por perto, mas o barulho não é alto o bastante para incomodar nem causar vibrações no corpo do aparelho.

Chama atenção, também, a presença de um teclado numérico, uma escolha que pode ser considerada pouco usual em um computador com tela de 15 polegadas. O resultado disso é um teclado que, apesar das teclas mecânicas e do bom feedback tátil, tem digitação desconfortável, talvez pelo fato de os botões serem juntos demais. A balança entre a presença dos números e a usabilidade do equipamento como um todo acaba sendo questionável nesse quesito.

O 2AM Extreme tem um número considerável de portas USB, incluindo uma do tipo C e também um leitor de cartões de memória (Imagem: Felipe Demartini)

O melhor, então, seria utilizar o notebook Extreme em uma mesa, com teclado conectado a uma das seis portas USB do dispositivo, com uma dupla de cada lado e mais duas na parte traseira, ambas do padrão 3.0, juntamente com um conector do tipo C. Em uma das laterais, há ainda um leitor para cartões de memória.

A ideia de que o Extreme funciona melhor quando fixo fica ainda mais sólida quando notamos que, durante nossos testes, o conector de energia acabou desplugando algumas vezes sem que a gente percebesse. Ele não é firme para resistir a pequenos movimentos da máquina, com o único indicador disso sendo a queda de performance devido à economia de energia ou a mensagem do Windows 10 indicando que ele está perto de morrer.

O notebook 2AM Extreme H700, no modelo enviado ao Canaltech para testes, custa R$ 6.209,10. As configurações são as seguintes:

Análise do CPU-Z revela mais detalhes do hardware do 2AM Extreme. Frequência da RAM exibida no teste é apenas metade do pente utilizado no equipamento, totalizando 2660 MHz (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)
  • Processador Intel Core i7-8750 Quad-Core, 2,20 GHz 9 MB Cache;
  • Placa de vídeo NVIDIA GeForce GTX 1060 6 GB DDR5;
  • 16 GB de memória RAM DDR4;
  • HD 1 TB SATA SSD;
  • Tela LCD Full HD (1.920 x 1.080 pixels) de 15,6 polegadas
  • Windows 10 Home;
  • Entradas: 2x USB 3.1, 1x USB 3.1 Tipo C, 4x USB 2.0, 2x P2 para áudio e microfone, 1x leitor de cartão de memória;
  • Webcam com resolução 720p;
  • Bateria Li-polymer 3 células 46 Wh;
  • Dimensões: 37,4 x 26 x 2,9 cm;
  • Peso: 2,4 Kg.

Rodando tudo (quase) no máximo

Os dados acima, entretanto, são apenas números se não colocados à prova. E, mais uma vez, seguindo a ideia de que os computadores da 2AM não apenas vêm prontos, mas são voltados diretamente aos gamers, executamos nossos testes com alguns dos principais jogos do mercado atual.

Isso se traduz em competitivos como o já citado Fortnite, além de Overwatch, Call of Duty: Black Ops IIII e PlayerUnknown’s Battlegrounds. Para colocar os componentes para trabalharem um pouco mais, também experimentamos a performance em dois jogos bastante exigentes do mercado recente: Assassin’s Creed Odyssey e Forza Horizon 4.

A boa notícia é que o notebook Extreme, da 2AM, foi capaz de rodar todos eles praticamente sem problemas nas configurações Alta ou Muito Alta. Já para levarmos a coisa ao padrão Ultra, algumas otimizações tiveram de ser feitas, principalmente no caso dos títulos mais exigentes, ou o jogador teria que se contentar com algo abaixo dos 60 FPS cravados e certa instabilidade nos quadros, caso preferisse uma melhor qualidade gráfica em seu lugar.

Detalhe do teclado mecânico do 2AM Extreme, que acompanha os botões numéricos e tem digitação desconfortável (Imagem: Felipe Demartini)

Confira as impressões a partir dos testes com cada um dos games:

  • PUBG: variando entre 50 e 60 FPS na configuração Ultra, estável em 60 FPS com gráficos no Very High, com quedas ocasionais durante a permanência no lobby até o fim da queda;
  • Overwatch: média de 55 FPS durante as partidas com todas as configurações no máximo, com quedas ocasionais para até 30 FPS. Estabilidade nos 60 FPS com os gráficos no Muito Alto;
  • Fortnite: variando entre 50 e 35 FPS na configuração épica, estável em 60 FPS com os gráficos em Alta, com quedas esporádicas para 55 FPS;
  • Assassin’s Creed Odyssey: variando entre 40 e 60 FPS durante as cutscenes e entre 30 e 40 FPS em configuração Very High; variações de 45 a 60 FPS em ambos com os gráficos no High;
  • Forza Horizon 4: estável em 30 FPS durante as corridas na configuração Ultra; variando entre 40 e 60 FPS na configuração Alta;
  • Call of Duty: Black Ops IIII: variações entre 50 e 60 FPS durante as partidas em configuração Muito Alta.

De todos os jogos, Forza Horizon 4 foi o que deu mais trabalho em termos de otimização. O título até apresentou performance estável com os gráficos no Ultra, mostrando variação apenas em configuração Alta e com uma maior contagem de quadros por segundo. Entretanto, severas reduções, levando a taxa a até 15 FPS, aconteciam após o final das corridas em ambos os casos, durante os períodos de carregamento e contagem de pontos de experiência.

Não seria um problema se, em tais momentos, o jogador não estivesse também dirigindo, com o resultado sendo, quase sempre, um carro na grama. Além disso, Forza Horizon 4 insistia sempre em abrir no modo janela, enquanto a configuração otimizada feita a partir do GeForce Experience gerou um conflito relacionado ao sistema de anti-aliasing, deixando o jogador com duas opções: reverter a melhoria feita pelo software da placa de vídeo ou jogar sem essa suavização.

Apesar das especificações, notebook gamer da 2AM apresentou alguns gargalos executando jogos mais recentes como Forza Horizon 4 (Imagem: Felipe Demartini)

Falando nele, vale a pena citar, como uma nota de rodapé, que o software não veio pré-instalado na máquina. Como essencial para quem quer acompanhar o desempenho de games em tempo real ou até mesmo fazer transmissões ao vivo de jogos, vale a pena perder alguns minutos para baixar o GeForce Experience.

Cores de sobra, pixels faltando

A possibilidade de realização de streamings ao vivo a partir da própria máquina também foi levada em consideração como parâmetro para testarmos a câmera e o microfone do notebook Extreme, da 2AM. Afinal de contas, com os jogos rodando e o GeForce Experience, podemos não apenas jogar, mas também transmitir nossa performance nos títulos utilizando apenas o que o computador oferece?

Câmera do 2AM Extreme deixa a desejar em fotos diurnas (esquerda) e noturnas (direita), seguindo o padrão de qualquer outro notebook (Imagens: Felipe Demartini)

E a resposta, como normalmente se espera de um conjunto padrão de notebook, é não. A câmera promete uma resolução de 720p nas imagens, mas, na prática, entrega a baixa qualidade que é costumeira em um produto desse tipo. As imagens diurnas são estouradas, enquanto as noturnas aparecem escuras demais.

No microfone, muito ruído ambiente e áudio estourado, com baixa qualidade. Os alto-falantes também deixaram a desejar, sendo baixos e com pouca fidelidade, decepcionando bastante e contrastando com um conjunto robusto em termos visuais e de design. Um bom headset ainda será seu melhor companheiro na hora de fazer streamings ou consumir mídia no Extreme.

O teclado com LEDs RGB traz as configurações padronizadas de um produto desse tipo, permitindo a customização de cores de acordo com as preferências do usuário e a criação de perfis dedicados a certas atividades e jogos. O conjunto retroiluminado permite visualização perfeita até mesmo no escuro, enquanto a intensidade das luzes pode ser reduzida de acordo com o gosto de cada jogador.

Teclado mecânico com RGB permite customização e tem destaque visual nas teclas WASD e setas (Imagem: Felipe Demartini)

Apesar de mecânica, a digitação não é barulhenta e as horas de jogo na madrugada não devem atrapalhar o sono de quem está na cama ao lado. O destaque para as teclas WASD é um detalhe que chama a atenção, mas voltamos a criticar o desconforto durante o uso do teclado. Ele tem a resposta adequada e sistema anti-ghosting, mas propicia os erros de digitação e é apertado, facilitando um deslize no trabalho e nos jogos.

Plugue um bom teclado, entretanto, e você se verá livre deste que é mais um defeito grave no notebook 2AM Extreme. A empresa, em sua linha de estreia no mercado brasileiro, faz bonito ao entregar performance e simplicidade, criando, efetivamente, uma máquina que pode ser adquirida até mesmo pelo gamer mais noob, pronta para ser utilizada nos games que ele quiser.

Otimizações podem ser necessárias aqui e ali, mas, de maneira geral, o desempenho é mais do que satisfatório tanto nos games competitivos, principal ponto de interesse do público atual, quanto nos lançamentos mais recentes e exigentes. A ideia, também, é de certa longevidade, com a máquina tendo componentes que ainda vão fazer bonito por alguns anos antes de precisarem de um upgrade, apesar de alguns gargalos terem sido detectados.

Disponível em diferentes versões, o notebook Extreme custa a partir de R$ 5.579. Todas as opções acompanham placa de vídeo GeForce GTX 1060, mas, nas versões mais básicas, o notebook vem com processador Intel Core i5 8300H. No site da 2AM, ainda, é possível adquirir acessórios, como o headset citado como indispensável ao lado do dispositivo, bem como escolher máquinas a partir do jogo preferido de cada usuário, além de seleções feitas pelo embaixador da marca, o pro-player de League of Legends YoDa.

Agradecimento especial à Activision e à Ubisoft por cederem cópias de Call of Duty: Black Ops IIII e Assassin's Creed: Odyssey para a realização dos testes com a máquina da 2AM.

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