Avell G1513 MAX: notebook gamer ou desktop portátil?

Por Pedro Cipoli
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Já analisamos alguns notebooks gamers aqui no Canaltech, modelos grandes, pesados, caros e, claro, com performance de sobra para praticamente qualquer tarefa que o usuário vá rodar, já que jogos, em especial, são as tarefas mais pesadas que um usuário comum realiza em um computador. Quem busca uma máquina de última geração não está muito preocupado com o custo-benefício, mas sim com o benefício, já que cada MHz, GB e conjunto de tecnologias novas podem ser o grande diferencial entre rodar bem um jogo ou não.

Brincamos com o G75VW da ASUS ainda no começo do ano passado, em seguida com o Titanium B155 e o Premier G1310 da Avell, e todos eles apresentam basicamente as características acima. Agora está na hora de colocarmos as mãos no G1513 MAX, modelo que em muitos aspectos lembra muito um G1310 de 15 polegadas, mas que, fora a configuração brutal, oferece uns extras bacanas e peca em poucos pontos. Vamos à análise!

Portátil? Mais ou menos

Modelos com tela de 15,6 polegadas já são naturalmente grandes, não cabendo em mochilas comuns tanto pelo comprimento quanto pela largura. No G1513 MAX esse problema passa de 2D para 3D, já que os 5,5 cm de espessura não são para qualquer mochila. Se couber, ótimo, agora é só conviver com o fato de ele pesar 3,3 kg na hora de carregá-lo por aí. Porém, vale considerar que, por se tratar de um modelo especificamente construído para jogos, essas dimensões são mais do que esperadas e não chegam a surpreender, sendo comuns nessa categoria.

Porém, se isso é algo esperado para um notebook, o tamanho da fonte realmente nos surpreendeu. Sabe a fonte externa do Xbox? Exatamente, é algo do tipo. A configuração do G1513 MAX exige bastante energia, naturalmente, agora não sabemos se um carregador desse tamanho é realmente necessário, já que ele não chega a ser tão pesado, o que mostra que há espaço não aproveitado dentro dele. As especificações mostram um fornecimento de energia de 19,5 V e 9,2 A (19,5 x 9,2 = 179/180 Watts), mas já vimos potência semelhante em fontes consideravelmente menores.

O corpo do G1513 MAX é inteiramente construído em plástico, com alguns diferenciais na tampa traseira, que é emborrachada, e na região de apoio dos braços, que é texturizada. Como todo notebook gamer, o visual é agressivo, com duas grandes caixas de som (que merecem um item à parte), LEDs para todos os cantos e linhas mais retas. Vale mencionar que ele é maior do que a maioria dos modelos de 15,6" comuns, já que seu corpo é maior, o que resulta em bordas de tela mais grossas.

Tela com cores de sobra

Depois de algum tempo analisando modelos da Avell, podemos dizer que um quesito em que eles mandam muito bem é a qualidade de tela. Ainda que modelos mais recentes já estejam chegando ao mercado com telas Quad-HD ou 4K (mesmo que raros e somente no mercado internacional) e ele utilize o bom e velo Full HD, a qualidade de reprodução de cores é muito superior à de um modelo convencional.

Temos a já conhecida tecnologia AHVA, opção em relação ao IPS que, considerando as implementações que já vimos, como a do G1513 MAX e G1310, nos parece uma opção melhor. A iluminação traseira é feita por LEDs, algo já esperado, e podemos dizer com alguma certeza que o usuário dificilmente sentirá falta de qualidade em jogos ou em tarefas comuns.

Teclado e touchpad

O G1513 MAX sofre de um mal comum em modelos gamer: um touchpad bastante pequeno. Fora o visual mais agressivo, ele não é muito diferente de um touchpad médio de um modelo de 13 polegadas, algo que talvez seja intencional, já que gamers costumam utilizar mouses externos. Pelo menos nunca ouvimos falar de um “touchpad gamer”.

Já o teclado tem uma “soma 0”. As teclas são extremamente ergonômicas, trazem retroiluminação, teclas de atalho exclusivamente voltadas para jogos (mais sobre isso adiante), e teclas numéricas. Agora vamos ao lado negativo. Em primeiro lugar temos o layout em inglês, algo que criticamos nos outros modelos da Avell (estamos no Brasil, então por que não utilizar o ABNT/ABNT2?).

No G1513 MAX tem outro ponto em especial: algumas teclas perdidas no teclado. O botão Windows, por exemplo, fica do lado esquerdo do Backspace, assim como a barra invertida, o que exige uma certa curva de aprendizagem para quem pretende utilizá-lo no dia a dia. O Delete foi posicionado acima das teclas numéricas, e normalmente estaria posicionado onde a Avell colocou o Pause/Break.

Uma mudança ou outra no layout padrão é até compreensível, comum dependendo do espaço disponível para colocar as teclas. Porém, essas mudanças, juntas, irão obrigar o usuário a “reaprender” a digitar em qualquer outro teclado. Muitos já se acostumaram a trocar de um layout americano para outro ABNT, mas mudar de um ABNT para outro americano com algumas teclas em lugares diferentes pode causar uma certa dor de cabeça.

Performance de desktop

Basta olhar de relance para o G1513 MAX para vermos que ele foi pensado para queimar MHz. Tamanho monstro mais uma fonte de energia capaz de atender um desktop mais básico resultam em uma configuração para lá de invejável. Recebemos um modelo* dentro de uma promoção da Avell, no qual ao invés do tradicional processador Intel Core i7-4700MQ temos uma atualização com clocks maiores:

*Lembrando que a configuração abaixo não é a padrão vendida pela Avell, mas sim uma customizada.

  • Processador: Intel Core i7-4810MQ, quatro núcleos e oito threads rodando a 2,8 GHz (Turbo Boost até 3,8 Ghz, 6 MB de cache L3);
  • Memória RAM: 16 GB Corsair Vengeance** (2 x 8 GB) rodando a 1600 MHz;
  • Placa de vídeo integrada: Intel HD 4600 (GT2, 20 unidades de execução rodando a 1350 MHz e memória integrada acessada por uma interface de 128 bits);
  • Placa de vídeo offboard: NVIDIA GeForce GTX 870M (1344 cores de processamento rodando a 941 MHz e 3 GB de memória RAM GDDR5 dedicada rodando a 5 GHz e acessada por uma interface de 192 bits);
  • Armazenamento primário: SSD Kingston V300 com 240 GB de capacidade;
  • Armazenamento secundário: HD Seagate de 1 TB de 7200 RPM (opcional).

**Nota: não encontramos essa opção na customização do G1513 MAX no site da Avell, ainda que a opção padrão (Kingston Impact) tenha um desempenho similar.

PCMark 7 (Futuremark)

O PCMark 7 realiza uma série de testes de desempenho, dividindo os resultados em categorias, como produtividade, entretenimento e assim por diante. Cada uma delas precisa de uma combinação diferente de processamento da CPU, memória RAM e placa de vídeo para alcançar a sua pontuação.

Benchmarks - Avell G1513 MAX

Neste teste o Avell 1513 MAX alcançou nada menos do que 5961 pontos, uma das maiores pontuações até o momento aqui no Canaltech. Isso significa que, além de equilibrada, a configuração é forte em todos os sentidos, uma combinação de uma CPU forte (subscore Computation), GPU que dificilmente deixará o usuário na mão (subscore Creativity), 16 GB de memória RAM em dual-channel.

Vale mencionar que o SSD ajudou bastante em todos os quesitos, conseguindo inclusive uma pontuação individual bastante expressiva, com mais de 5.000 pontos nos subscores System Storage e Raw System Storage.

PCMark 8 (Futuremark)

O PCMark 8 é a atualização da suíte de benchmarks da FutureMark em sistemas que rodam o Windows 8 ou 8.1. No teste Creative Conventional, que mede a capacidade de um sistema para executar tarefas gráficas, o Avell G1513 MAX pontou 3415, mostrando que a configuração testada é capaz de executar praticamente qualquer programa gráfico sem muitos problemas, seja áudio, imagem ou vídeo, embora não seja alta o suficiente para lidar com edição em 4K, ainda que as saídas de vídeo suportem essa resolução.

Benchmarks - Avell G1513 MAX

O teste Home Conventional mostra a capacidade de execução de programas de produtividade, ou mesmo tarefas comuns do dia a dia, e a pontuação de 3254 do Avell G1513 garante facilidade nesse tipo de aplicação, seja ao navegar na internet com várias abas abertas, seja em suítes de escritório.

Benchmarks - Avell G1513 MAX

3DMark 11 (Futuremark)

Esta é a suite de benchmark desenvolvida pela Futuremark para testar máquinas com suporte ao DirectX 11. Nas configurações "Extreme" (Full HD, vários filtros ativados), o Avell G1513 MAX se saiu surpreendentemente bem com uma pontuação de 2267, o que garante uma excelente jogabilidade em games em 1080p sem deixar de lado os filtro e efeitos.

Benchmarks - Avell G1513 MAX

3DMark (Futuremark)

A mais nova edição da suíte de benchmarks gráficos da Futuremark testa cada parâmetro utilizado nos games mais atuais, mostrando os resultados em uma numeração para comparação sintética. Basta olhar as pontuações para ver que o G1513 não deixará o usuário na mão na hora de rodar os games mais recentes, algo que não chega a surpreender, já que os resultados do 3DMark 11 já mostram que ele tem poder de fogo de sobra para isso.

Benchmarks - Avell G1513 MAX

CINEBENCH R15 (MAXON)

O Cinebench é um programa totalmente gratuito que testa a capacidade da máquina de executar gráficos OpenGL, disponibilizando o resultado em quantidades de frames por segundo (FPS). Aqui temos um resultado interessante, com um resultado de CPU muito próximo ao Core i7-4770K, processador da Intel versão desktop que é um dos mais potentes da primeira geração Haswell, mesmo se tratando de uma versão para notebook.

Benchmarks - Avell G1513 MAX

Benchmarks - Avell G1513 MAX

Benchmarks - Avell G1513 MAX

A GPU segue a mesma linha, se mostrando mais competente para rodar o OpenGL do que uma Quadro K4000M, representante da linha profissional de placas de vídeo da NVIDIA.

LuxMark 2 (Luxrender)

O Luxmark é um programa de código aberto multiplataforma que testa a capacidade da placa de vídeo de executar gráficos OpenCL, e, quanto maior a pontuação, melhor e mais poderosa é a máquina neste quesito. Este é um teste em que as placas de vídeo da NVIDIA se saem pior do que as da AMD: a combinação do Core i7-4810MQ, Intel HD 4600 e NVIDIA GTX 870M mal passam da metade da performance de uma R9 290X da AMD sozinha. De qualquer forma, é um resultado muito bom, garantindo uma boa execução do OpenCL.

Benchmarks - Avell G1513 MAX

Pontos importantes a se considerar

Sistema de som

Aqui temos um belo de um destaque, maior até do que no caso do G1310 com seu sistema da Onkyo. O G1513 MAX conta com um sistema de 4.1 canais: duas caixas na região da dobradiça, duas voltadas para o usuário e um pequeno subwoofer na parte de baixo, todas elas gerenciadas pelo driver de som Sound Blaster Cinema.

O resultado? O melhor sistema de som que vimos em um notebook até o momento. Som de qualidade precisa de “espaço para respirar”, e a Avell aproveitou bem o tamanho gigante para colocar caixas de alta fidelidade. Infelizmente, esperávamos um som um pouco mais alto. O volume máximo não chega a ser baixo, mas bem que poderia ser maior.

Sistema de refrigeração

Abrimos o G1513 MAX para dar uma olhada em seu interior. O sistema de refrigeração é fantástico, contando apenas com um cooler, mas um “senhor cooler”, que joga o ar quente da placa de vídeo para a parte de trás e o do processador para a lateral direita. Há um heatpipe que vai do processador até a saída traseira, provavelmente para desafogar a região esquerda quando o carga estiver muito alta.

Este é um ponto em que usuários devem prestar atenção na hora de comprar um notebook para ficar ligado "no talo". Ainda que alguns tenham configurações de respeito, não são projetados para ficar no máximo por muito tempo, muitas vezes apresentando “throttling”, que joga o desempenho para baixo até ficar mais frio, ou mesmo danificando o equipamento. Com o cooler ligado no máximo (há um botão exclusivamente para isso), os componentes internos mal esquentam, garantindo uma boa via útil para ele.

Conectividade

Um ponto que nos chamou a atenção foram as 4 saídas P2 de áudio, algo geralmente visto somente em desktop. Com isso, o usuário pode utilizar um sistema de som externo de até 7.1 canais de forma analógica, algo que dificilmente vemos como útil na prática, já que temos o HDMI. Mas é bom saber que essa opção é possível.

Por falar em HDMI, essa conexão fica na parte de trás junto com duas saídas mini DisplayPort, ou seja, é possível utilizar até 4 monitores simultâneos (contando com a tela do notebook), sendo que essas 3 saídas suportam resolução 4K. Ainda que a GTX 870M seja capaz de aguentar muita coisa, utilizar todos esses pixels vai limitar bastante o desempenho, sendo útil somente para uso comum.

São 4 portas USB ao todo: 3 no padrão 3.0 do lado esquerdo e uma 2.0 do lado direito. Vale destacar que duas delas do lado direito estão muito juntas e poderão atrapalhar dispositivos que sejam mais “gordinhos”, o que é uma má notícia, já que mouses gamers geralmente possuem um conector maior. Neste caso, a Avell poderia ter colocado uma em cima da outra, aproveitando a largura do G1513, ou simplesmente ter afastado mais as duas.

Outras conexões incluem uma porta Ethernet padrão Gigabit, Wi-Fi nos padrões B, G e N e Bluetooth 4.0 (lembrando que é possível customizar a antena), câmera de 3 megapixels que filma em HD com qualidade média e um drive de CD/DVD na configuração padrão. A bateria tem 9 células e capacidade de 7.800 mAh, o que em nossos testes acabou durando cerca de 2 horas, algo esperado, levando em conta a configuração.

Conclusão

A configuração que testamos, já incluindo o valor da licença do Windows 8.1, sai por R$ 6.435 no boleto (R$ 7150 em 12 vezes) e, embora seja um valor bem alto, não está longe do que esperaríamos pela configuração que o computador oferece. A versão mais básica começa com R$ 4.790, sendo possível customizar componente por componente até chegar na na configuração ideal para o usuário (e os valores aumentam com os upgrades).

O G1513 MAX cumpre o que se propõe, permitindo upgrades particulares por parte do usuário mesmo depois da compra (com muito, mas muito cuidado). Tanto processador quanto GPU e memória RAM são soquetados, com 4 slots de memória, o que permite até 32 GB de memória RAM em dois canais. É possível também fazer algumas coisas mais básicas, como colocar dois SSDs de 2,5, sem muito trabalho.

Quem está em busca de um notebook voltado para jogos já está acostumado com preços altos e tamanhos pouco portáteis, mas aqui temos uma relação custo-benefício até boa, além de 3 anos de garantia.

Vantagens

  • Capacidade de rodar a grande maioria dos jogos em 1080p;
  • 3 saídas de vídeo, todas elas suportando resolução 4K, totalizando até 4 monitores simultâneos;
  • Tela de altíssima qualidade;
  • Sistema de refrigeração plenamente capaz de aguentar a sua própria configuração;
  • Sistema de som de 4.1 canais com boa fidelidade sonora;
  • 3 anos de garantia.

Desvantagens

  • Fonte de alimentação monstruosa, mesmo considerando a quantidade de energia necessária para essa configuração;
  • Teclas “perdidas” aqui e ali, o que elimina as vantagens da retroiluminação e qualidade geral;
  • Duas portas USB muito próximas.