Acer C720: um Chromebook com processador Intel Haswell

Por Pedro Cipoli

O Chrome OS cresce cada dia mais em popularidade, preenchendo uma lacuna deixada por dispositivos com Windows 8 e 8.1: notebooks baratos que servirão como segunda ou terceira máquina, apenas para se conectar à internet e realizar tarefas básicas. E por que o Windows está se saindo mal nessas áreas? Por uma combinação de motivos, como a péssima experiência de uso que ele fornece em configurações mais básicas, o grande impacto do valor da licença no preço final do produto, mesmo para OEMs, além da própria impopularidade das novas versões do Windows, semelhante ao que vimos no Windows Vista (AQUELE Windows Vista).

Ainda há uma luz no fim do túnel, já que a Microsoft prometeu melhorias no Windows 8.1 para quem usa teclado e mouse (ou touchpad), na MWC 2014, então resta esperar para ver. Enfim, essa é uma análise sobre o Acer C720, a segunda geração de Chromebooks da Acer (uma geração mais avançada do que o modelo C710 lançado aqui no Brasil), em que a principal diferença entre ambos é o processador. Ambos são Celeron, mas enquanto o C710 traz um modelo de segunda geração, Sandy Bridge, o C720 oferece a geração mais atual, Haswell, com ganhos significativos de performance e autonomia de bateria.

Caso você ainda não conheça o Chrome OS, criamos um artigo dedicado a explicar o que é e como funciona esse sistema operacional do Google, no qual o Chrome deixa de ser um navegador para se tornar um SO completo baseado em Linux.

Design

O Acer C720 possui basicamente o mesmo design do C710 com algumas poucas diferenças. Possui bordas um pouco mais finas, tanto que não há mais espaço para uma porta VGA como na geração anterior, mas não existe aqui uma preocupação tão grande em ser extremamente fino como o Samsung Chromebook. Isso não faz dele um modelo grosso, ou mesmo feio, mas a espessura é algo importante a se destacar, considerando as diferenças entre as dimensões de ambos, algo que a Samsung levou em consideração muito mais do que a Acer.

As conexões também receberam um upgrade. Como dissemos, a conexão VGA foi abandonada (aliás, os Chromebooks da Acer eram um dos poucos modelos que ainda traziam essa conexão), assim como a RJ-45 para o cabo de internet. Agora há somente a saída HDMI, uma porta USB 3.0 e outra 2.0, leitor de cartões SD, combo de microfone e fone de ouvido e o conector de energia, que também passou por uma bela dieta e é bem menor do que o do C710.

Já o teclado e o touchpad são exatamente os mesmos, e são claramente inferiores aos do Chromebook da Samsung. As teclas possuem um bom tamanho e são bem espaçadas, mas respondem de uma maneira estranha ao toque, sendo mais duras do que o recomendado para uma digitação rápida e precisa. Outro ponto, mais subjetivo, é a "mania" da Acer de dividir o botão Enter em duas partes: o Enter e os caracteres "|" e "", algo que demoramos um tempo até conseguirmos digitar sem erros. O touchpad não possui botões físicos e responde bem ao toque, mas acabamos utilizando um mouse de qualquer forma devido ao seu tamanho.

Como boa parte dos Chromebooks, a tela é de 11,6 polegadas e traz a resolução de 1366x768, o que resulta em uma densidade de pixels bastante boa. Esse é um ponto em que a Acer sai na frente em relação ao Chromebooks da Samsung, com cores mais vivas e um brilho mais intenso. As taxas de contraste e os ângulos de visão permanecem os mesmos. Pegamos a versão não-touchscreen, mas isso não atrapalhou a nossa experiência.

Desempenho

Um dos maiores destaques do Acer C720 é que ele vem equipado com a quarta geração de processadores Intel, de codinome Haswell. Tudo bem que é um Celeron, mas ainda assim é melhor do que o Celeron da geração Sandy Bridge, tanto pela arquitetura mais moderna quanto pelo clock mais alto. E temos que lembrar também que o Chrome OS é consideravelmente mais leve do que o Windows ou o Mac OS, não exigindo configurações poderosas na maioria das tarefas (também não haveria muito o que fazer com um desempenho maior, no final das contas).

Como processador temos um Intel Celeron-2955U, com dois núcleos rodando a 1,4 GHz (3 MB de cache L3, sem Hyperthreading ou Turbo Boost), 2 GB de memória RAM DDR3L de 1333 MHz (que trabalha com 1,35V ao invés de 1,50V) e gráficos integrados da Intel. Essa configuração é péssima para rodar o Windows, mas uma das melhores entre os Chrome OS (se não considerarmos o Chromebook Pixel). Um quesito padrão na maioria dos Chromebooks é o armazenamento de 16 GB em SSD – nisso o Acer C720 não é diferente e é algo esperado, considerando que o Chrome OS é um sistema que funciona com os Chrome Apps, não exigindo tanto armazenamento.

Essas especificações fazem dele um modelo consideravelmente mais rápido do que o Samsung Chromebook, mas apresenta lentidão de forma semelhante quando várias abas são abertas ao mesmo tempo devido aos 2 GB de memória RAM. As novas gerações de Chromebooks virão com 4 GB, e, com alguma esperança sobre o Google Docs funcionar de forma offline, farão do Chrome OS um concorrente sério ao Windows dos modelos de entrada.

Bateria e outros detalhes

O Acer C720 é um bom representante do caminho para o qual os notebooks e Ultrabooks estão rumando, abandonando conexões antigas, como a saída de vídeo VGA, e não trazendo a conexão RJ-45 para o cabo de internet, focando no que é importante (portas USB 3.0 e saída HDMI por padrão). Ainda que não seja tão mais fino que o Samsung Chromebook, ele é perceptivelmente menos espesso (1,9 cm de espessura) do que boa parte dos notebooks atuais, além de mais leve, com apenas 1,27 kg.

Outro destaque fica para a bateria. A Acer garante até 8,5 horas de uso para esse modelo, tempo suficiente para que o usuário trabalhe sem precisar ficar checando os níveis de bateria o tempo todo. Em nossos testes, com uso intenso e contínuo, conseguimos a marca de aproximadamente 7 horas, menor do que anunciado, mas ainda assim um valor considerável para uma bateria de 3 células.

A Acer equipou o C720 com seu driver proprietário de Wi-Fi, o InviLink Nplify, capaz de suportar os padrões A, B, G e N, bem como Bluetooth 4.0, e observamos uma latência ligeiramente menor do que o que estamos acostumados ao navegar na internet. Há duas caixas de som na parte de baixo que não surpreendem, mas também não decepcionam, capazes de reproduzir músicas em um volume surpreendentemente alto, considerando as pequenas dimensões desse notebook.

Conclusão

Nos Estados Unidos o Acer C720 pode se considerado um excelente negócio. Custa US$ 199 (cerca de R$ 470) e serve muito bem para o propósito que foi criado: um notebook simples, barato e ideal para tarefas casuais e com uma excelente autonomia de bateria. Mesmo sendo de uma geração mais avançada que o Acer C710 vendido aqui no Brasil, custa praticamente um terço do preço. Porém, caso ele chegue por aqui pelo mesmo preço (de R$ 1.299) ele é um péssimo, mas péssimo negócio, já que há notebooks mais robustos com Windows mais baratos (até da própria Acer!).

Vamos montar um cenário fictício onde os preços do Brasil façam sentido e ele chegue por honestos e justificáveis R$ 600 (e bota fictício nisso) – valeria a pena? Sim. Esta não é uma máquina de produção, que atenderia a usuários que usam o notebook para trabalhar, mas certamente cumpre seu papel como máquina secundária para acessar a internet sem se preocupar com a bateria. Aí uma análise de custo-benefício entraria em ação e justificaria a adoção do Chrome OS por aqui, mas fora isso, ele só vale a pena se você tiver a oportunidade de ir até os Estados Unidos para buscá-lo (ou conhecer alguém que possa trazer um para você quando for para lá).

Vantagens

  • Considerando o preço nos Estados Unidos, ele tem uma excelente relação custo-benefício;
  • Um dos melhores desempenhos entre os Chromebooks que já tivemos a oportunidade de testar;
  • Autonomia de bateria bem acima da média.

Desvantagens

  • Teclado estranho, com teclas desnecessariamente duras;
  • Ainda não é vendido no Brasil.
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