ASUS G750JX: Desempenho de sobra para quem tem bolso fundo

Por Pedro Cipoli
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Notebooks gamer estão se tornando cada vez mais comuns, trazendo uma configuração potente o suficiente para bater de frente mesmo com desktops sem deixar tanto de lado a portabilidade. Quer dizer, grande parte deles não é tão portátil assim, pois geralmente pesam vários quilos e não cabem em qualquer mochila, como é o caso do ASUS Republic of Gamers (ROG) G750JX que conheceremos hoje.

De antemão, dá para adiantar que tudo nele é extremo: processador, quantidade de memória RAM, dimensões e, claro, o preço.

Design e experiência de uso

O G750JX lembra muito o irmão mais velho G75VW (que analisamos aqui): ele tem as mesmas linhas gerais, mas com detalhes mais agressivos. Na tampa traseira temos somente o logo da ASUS e o símbolo ROG, que também está presente na parte traseira em baixo relevo, junto às saídas de ar. Ele é um modelo grande, com tela de 17,3 polegadas, o que em cima de uma mesa permite uma experiência de uso semelhante à de um desktop.

O teclado é digno de nota. Além de ter iluminação por LEDs, ideal para quem passa a madrugada jogando, possui teclas grandes como as dos desktops e macias com altíssima sensibilidade. Para nós, ele pareceu excelente tanto para digitação, em especial para quem está acostumado com o layout de teclas de um desktop, quanto para jogos. As teclas trazem um clique mais fundo, o que é bacana em games de FPS por sentir um feedback mais preciso sem precisar olhar para elas.

Temos também um touchpad gigante com duas teclas físicas, aproveitando muito bem o tamanho maior do modelo. Uma das nossas principais críticas aos modelos gamer da Avell que testamos até aqui foi o touchpad minúsculo, pois mesmo que gamers geralmente utilizem mouses na hora de jogar, é sempre bom poder contar com o touchpad em situações comuns, já que ele não será utilizado para games 100% do tempo. Isso permite uma portabilidade maior por não necessitar de um mouse.

Por contar com um sistema glacial de refrigeração, as dimensões do G750JX fazem dele um trambolho para carregar no dia a dia. Quer dizer, não é o tipo de notebook que você carrega por aí na hora de ir a faculdade, por exemplo. Estamos falando de 4,5 kg de peso, 41 cm de largura, 32 cm de profundidade e uma espessura máxima de 5 cm, algo já esperado e bastante comum em modelos voltados para jogos.

Refrigeração

Por falar em sistema de refrigeração, a ASUS caprichou aqui. Como é possível ver nas fotos, há duas saídas de ar na parte traseira, uma para o processador e outra para a GPU, que expulsam (provavelmente essa é a palavra mais adequada) o ar quente. Isso é comum em modelos gamers, mas grande parte deles utiliza uma entrada de ar na parte de baixo, enquanto o G750JX puxa o ar da parte da frente, criando um fluxo mais inteligente e evitando que as entradas sejam obstruídas ao se colocar a máquina em uma superfície irregular.

Em uso comum, navegando na internet e vendo vídeos do Youtube, mal é possível escutar o som do cooler, já que há dissipadores o suficiente para tirar parte do hardwork das ventoinhas. Ao rodar coisas mais pesadas, como jogos e benchmarks, as ventoinhas ligam estilo turbina de avião, mantendo uma boa temperatura de trabalho. Isso garante que o risco de danificar um componente por superaquecimento seja quase nulo, independente da aplicação, garantindo uns bons anos de uso sem apresentar problemas.

Tela

Encontramos algumas críticas ao ROG G750VW pelo fato dele trazer uma tela de 17,3 polegadas com resolução Full HD, geralmente dizendo que, pelo preço, ele deveria vir no mínimo com uma resolução de 2.560 x 1.440 pixels. Para nós, essa crítica não faz muito sentido, já que, em primeiro lugar, essa resolução é suficientemente grande para uma excelente experiência em jogos. Em segundo, garante que boa parte dos games rodem nela sem grandes problemas, em especial pela configuração que descreveremos no próximo item.

Fora que essa não é uma tela qualquer. A tecnologia LED utilizada é de altíssima qualidade com um painel anti reflexivo, trazendo uma altíssima saturação de cores para uma melhor experiência. Acreditem: por mais que uma resolução maior realmente melhorasse a experiência, a qualidade desse painel faz essa melhoria ser quase opcional.

Configuração

Naturalmente, o sistema de refrigeração é justificado por uma configuração parruda que necessita dele para funcionar com o seu potencial máximo, já que processadores e GPUs de alto desempenho geram bastante calor:

  • Processador: Intel Core i7-4700HQ, 4 núcleos rodando a 2,4 GHz, capaz de rodar 8 threads por vez (6 MB de cache L3, Turbo Boost até 3,4 GHz e TDP de 47 Watts);
  • Memória RAM: 32 GB (4 x 8 GB) de memória DDR3 rodando 1.600 MHz em dois canais;
  • Gráficos integrados: Intel HD 4600 (20 unidades de execução rodando a 1.350 MHz);
  • Gráficos dedicados: NVIDIA GeForce GTX 770M com 2 GB de memória RAM GDDR5 rodando 4 GHz e interface de 192 Bits (960 processadores de fluxo com suporte a CUDA rodando a 811 MHz, TDP de 75 Watts);
  • Disco primário: RAID 0 com dois SSDs de 256 GB SATA III;
  • Disco secundário: disco rígido de 1 TB de 5400 RPM SATA III;
  • Sistema operacional: Windows 8 64 bits

Basta olhar para as TDPs do ROG G750JX para ver que um sistema parrudo de refrigeração é mais do que necessário, ainda mais considerando que ele ficará boa parte do tempo rodando a 100%. Porém, não podemos deixar de mencionar que a GPU é relativamente antiga para os padrões de tecnologia. No momento em que escrevemos esta análise, a NVIDIA já estreou a sua série 900 de placas de vídeo para notebooks. Ainda que a diferença de desempenho seja relativamente pequena, poderia ser decisiva para rodar um jogo mais recente, além de, claro, modelos mais recentes consumirem menos energia e gerarem menos calor.

Outro ponto é que, considerando o preço, bem que ele poderia trazer um Intel Core i7-4900HQ, que oferece um clock maior e mais cache L3. De qualquer forma, desempenho não foi um problema em nenhum dos testes que realizamos, onde tanto jogos quanto benchmarks rodaram sem problema nenhum. Ficamos pouco tempo com ele, então conseguimos rodar apenas alguns jogos. No geral ele se saiu muito bem, aguentando Wolfstein: The New Order 2014 e Titanfall 2014 com uma média de 45 fps no Ultra. F1 2013 rodou liso, acima de 200 fps.

Benchmarks também não foram problema, mostrando que ele é capaz de lidar muito bem com aplicativos 3D pesados, além de ser uma excelente máquina para editar fotos e vídeos.

Conectividade e bateria

Um dos motivos que, para nós, faz com que a tela Full HD do ROG G750JX seja "ok" é a presença de duas saídas de vídeo opcionais: uma Thunderbolt e outra HDMI, onde é possível utilizar monitores com resolução de até 3.840 x 2.160 pixels, além de uma porta VGA, ainda que em um modelo nessa faixa de preços seja mais um item visual do que propriamente uma conexão útil. Há também 4 portas USB no padrão 3.0, uma entrada P2 para microfone, uma saída P2 para fones de ouvido/SPDIF, uma conexão RJ-45 padrão gigabit e uma trava Kensington.

Há também um leitor Blu-Ray e um leitor de cartões SD/MMC. As conexões sem fios incluem somente o Wi-Fi nos padrões B, G, N e AC e Bluetooth 4.0. A webcam é de 1,2 megapixel e é capaz de gravar vídeos em HD com boa qualidade, mas se comporta melhor com condições favoráveis de luz. Em ambientes muito escuros ou muito claros ela perde bastante definição.

A bateria tem 6 células e 5.900 mAh de capacidade. Surpreendentemente, mesmo considerando a configuração, conseguimos utilizá-lo por cerca de 5 horas e meia desconectado da tomada. Isso em atividades do dia a dia, já que em jogos a bateria vira um nobreak, aguentando cerca de 1 hora e 20 minutos de uso. É simples: ligou a GPU dedicada, a autonomia vai para o espaço, algo comum em placas de vídeo potentes.

Som

Como boa parte dos notebooks gamer mais avançados, o ROG G750JX traz um sistema de som 2.1 com um subwoofer na parte de baixo. Pelo preço, esperávamos um sistema 4.1, presente em alguns modelos da Avell mais acessíveis, mas esse sistema não faz feio. O drive de som é o SonicMaster, proprietário da ASUS, com suporte ao MaxxAudio, comum em notebooks da Dell. Tanto em jogos quanto em músicas, a experiência é excelente, em especial em momentos como uma batida no F1 2013.

Quem costuma utilizar fones de ouvido também não sai perdendo. Em nossos testes conseguimos escutar um som claro e sem distorções mesmo em fones de alta impedância, inclusive com uma boa separação de sons quando ligamos a emulação surround no driver.

Conclusão

Está na hora de falar do preço, um ponto bastante doloroso. O ASUS Republic of Gamers G750JX chegou ao Brasil por R$ 14.000, um preço bastante alto e que dificulta uma análise de custo-benefício positiva. Estamos falando de uma máquina realmente top de linha e, por experiência própria, que vai aguentar vários anos trabalhando no limite sem apresentar problemas, além de ter fôlego de sobra para rodar lançamentos mesmo com algum tempo de mercado.

Ainda que compará-lo com um desktop não faça muito sentido, já que são mercados diferentes, montar uma configuração com o mesmo poder de fogo sai por menos da metade do preço, já que boa parte dele é composta de um selo "Premium" de produtos. Comparar com o preço dos EUA, cerca de um terço desse valor convertido já incluindo os impostos de lá, também não ajuda, já que são realidades diferentes. No Brasil, o segmento high-end ainda é bastante inacessível, tanto pelos impostos cobrados por aqui quanto pelo custo Brasil e lucro Brasil, e com o ROG G750JX não é diferente.

Vale comprá-lo? Quem comprá-lo dificilmente vai se arrepender em algum quesito, já que é uma máquina realmente digna de ser chamada de high-end. Porém, tentar associar o preço com os benefícios que ela oferece não é a melhor estratégia.

Vantagens

  • Configuração de alto nível;
  • Sistema de refrigeração potente;
  • Tela de alta qualidade;
  • Teclado e touchpad extremamente confortáveis

Desvantagens

  • Muito, mas muito caro;
  • O sistema de som poderia ser 4.1;
  • A GPU poderia ser atualizada