Xerox promete demissões para convencer acionistas da HP a vender a empresa

Por Rafael Rodrigues da Silva | 11 de Dezembro de 2019 às 14h05
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Não é de hoje que a Xerox tem interesse em comprar a HP, mas, nesta semana, a empresa aumentou seus esforços nessa empreitada. Para isso, ela preparou um extenso documento de 33 páginas sobre o porquê a fusão entre as empresas ser algo interessante para todos e traz, inclusive, um programa extenso de demissões.

Entre os motivos apontados para a HP aceitar ser inteiramente vendida para a Xerox, são citados um retorno monetário imediato para os acionistas da empresa devido ao potencial de crescimento entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão que a junção significaria. Outro motivo para esse retorno monetário imediato é algo que deve agradar somente os acionistas, mas não os funcionários da empresa: a promessa de um programa de cortes - incluindo demissões - que, sozinho, economizará US$ 2 bilhões do caixa da nova empresa.

Esse plano de economia promete diminuir o número de fornecedores da companhia de 8000 para 3000, cortar os custos do departamento de TI de 4% da receita para apenas 1%, melhorar a gestão de inventário, simplificar a contagem de títulos de ação e vender 555 prédios da empresa, diminuindo o número de instalações da HP ao redor do mundo para 261. O documento ainda fala em acabar com a “duplicidade” de funções e em reduzir a quantidade de camadas organizacionais da empresa - duas coisas que são apenas nomes mais complicados para a palavra “demissão”.

Essa estratégia mais agressiva da Xerox acontece após meses de falha em convencer a HP a sentar para negociar uma proposta de venda, depois que suas primeiras ofertas foram rejeitadas. A última proposta de compra da HP girou em torno de US$ 33,5 bilhões, valor que incluiria um pagamento em dinheiro à vista de US$ 17 por cada título de ação da companhia adquirida, e ainda mais 48% das ações da nova empresa após a junção, cujo papel teria um valor estimado de US$ 14 por título. Considerando o valor agregado dessas duas formas de pagamento, a proposta da Xerox seria então pagar cerca de US$ 31 por ação da HP, bem acima dos US$ 20 que elas valem hoje no mercado.

A apresentação ainda afirma que a junção entre as empresas deverá manter o nível de crédito de ambas, e deverá ter um retorno de capital para os acionistas entre 50% e 75% do fluxo de caixa anual após o período necessário para acertar as contas. A Xerox ainda afirma que precisa de um período de três semanas para fazer essa confirmação, mas também garante que não exigirá nenhuma garantia financeira para o fechamento do negócio.

A maior preocupação da HP é de que todo esse plano ousado da Xerox nunca sairá do papel. Isso porque o faturamento da empresa diminuiu no último ano e essa fusão pode afetar de modo negativo o crédito da HP no mercado. Outro problema é que, quando perguntado sobre como ela conseguiria o dinheiro para finalizar o negócio, a Xerox apenas afirma que possui acordos informais com diversos investidores que a ajudarão a levantar o dinheiro, mas não revela quem são essas pessoas. Atualmente, o valor de mercado da HP é de US$ 30,4 bilhões, enquanto o da Xerox é de US$ 8,2 bilhões, então não é de estranhar que HP não queira nem negociar sem a existência de garantias.

Essa documentação, que inclui até mesmo uma apresentação com slides estilo Power Point, foi aceita pela Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos, e está sendo usado pela Xerox para entrar em contato direto com os acionistas da HP, para tentar convencê-los sobre a venda da empresa.

Fonte: The Register

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