Trump x Huawei | Quando e como as restrições aos chineses serão retiradas?

Por Felipe Ribeiro | 03 de Julho de 2019 às 22h00
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Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que iria aliviar as restrições comerciais sobre a Huawei, o mercado viu com bons olhos o fim do ferrolho contra os chineses — e não dá pra não dizer que a empresa também não comemorou.

Mas se o anúncio de Trump foi um alívio, ainda não está claro, mesmo dias depois, como essa ajuda será dada e como a retirada da "lista negra" será feita. As restrições da Casa Branca à Huawei continuam em vigor e, até agora, nenhuma isenção foi concedida. Além disso, o governo Trump não estabeleceu um plano claro para quando e quais restrições poderiam rertiradas.

"A pedido de nossas empresas de alta tecnologia e do presidente Xi, concordei em permitir que a empresa chinesa Huawei comprasse produtos que não afetariam nossa segurança nacional", escreveu Trump após uma reunião com o presidente chinês.

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Imagem: Huawei/Divulgação

No dia seguinte aos comentários do presidente, o consultor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, deu uma entrevista à CBS e prestou alguns esclarecimentos. As únicas vendas que seriam permitidas seriam para “mercadorias em geral” — bens e serviços amplamente vendidos sem implicações sérias para a segurança nacional. Isso inclui “vários chips, softwares e outros serviços disponíveis em todo o mundo, não específicos dos EUA”, disse Kudlow.

Em termos gerais, isso pode parecer uma reversão das restrições para uma versão anterior do bloqueio, quando os EUA efetivamente baniram a Huawei das redes de celular, mas não impediram que empresas dos EUA licenciassem tecnologia para os chineses.

Samm Sacks, uma especialista em política de segurança cibernética da New America, especula que a Huawei ainda pode não ser capaz de vender equipamentos usados ​​por provedores de redes sem fio, muitos dos quais usam equipamento acessível da Huawei. "Acho que vamos continuar vendo bloqueios em relação ao que é considerado mais sensível à segurança nacional: a infraestrutura de telecomunicações", diz Sacks.

Samm Sacks: "Acho que vamos continuar vendo bloqueios em relação a infraestrutura de telecomunicações"/ Imagem: New America

Por sua vez, as restrições mais preocupantes parecem que serão aquelas que, de fato, serão desfeitas — ou seja, aquelas relacionadas ao Android e ao Windows. Mas, até que o Departamento do Tesouro ofereça uma isenção para uma dessas empresas, qualquer acordo de licenciamento ainda será ilegal.

É sabido, no entanto, que nem a Google ou a Microsoft precisam anunciar grandes mudanças após o anúncio de Trump, já que havia uma espécie de liminar que garantia as operações e negócios da Huawei nos EUA.

Alívio

Esse passo atrás de Donald Trump foi um alívio e tanto para a Huawei. O fundador e CEO da Huawei, Ren Zhengfei, disse que a receita poderá ser US$ 30 bilhões (R$ 115,2 bilhões) menor do que o previsto para os próximos dois anos se a proibição continuar.

A Huawei alega estar desenvolvendo sistemas operacionais alternativos para seus computadores e telefones, mas esses sistemas colocariam a empresa em séria desvantagem para os concorrentes apoiados pelo Android e pelo Windows. Não está claro, também, se a Huawei pode sobreviver como uma empresa global de hardware para consumidores diretos sem essas licenças, o que significa que os detalhes da reversão prometida por Trump são uma questão de vida ou morte para a empresa.

Quando, afinal, a empresa sairá da lista?

Ninguém parece saber ao certo quando as mudanças anunciadas pelo governo entrarão em vigor. "Vamos saber muito mais nos próximos dias e semanas sobre como exatamente isso vai ser", diz Sacks. Larry Kudlow, repetindo uma fala do presidente, disse que as autoridades não "abordariam plenamente a Huawei" até que "o fim das negociações comerciais" aconteçam com a China.

Independentemente de quais mudanças ocorram, elas seriam temporárias, já que a administração Trump ainda não sabe muito bem como vai lidar com a Huawei. Embora seja improvável que o governo americano vá acabar com a proibição total dos produtos da gigante chinesa, é possível que aconteça uma proibição parcial, em que a Huawei concordaria com um monitoramento abrangente em troca de acesso limitado a algumas exportações dos EUA.

Em última análise, Trump pode ter de apaziguar duas facções: uma que quer uma separação clara de qualquer relacionamento com a China e outra que priorize um acordo comercial que supere isso. "Eu acho que existem grupos concorrentes dentro da administração e eles estão indo em direções opostas aqui", diz Sacks.

Os maiores opositores da Huawei, como o senador republicano Marco Rubio, da Flórida, já estão pressionando a Casa Branca a não recuar. “Se o presidente Trump, de fato, barganhou as restrições recentes à Huawei, então teremos que colocar essas restrições de volta no lugar através da legislação”, disse ele.

Enquanto isso, se o anúncio de Trump pareceu muito claro, podemos considerar que a Huawei é vista como um ponto de discórdia nas negociações comerciais entre a China e os EUA. Trump disse explicitamente que o destino da empresa poderia se tornar uma moeda de barganha em um acordo, apesar das questões sobre segurança nacional. Sem um anúncio concreto sobre a gigante chinesa, essas conversas podem ter parado completamente.

Fonte: The Verge

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