Toronto está de olho nas empresas que querem internacionalizar durante a crise

Por Rafael Romer | 08.12.2015 às 09:21
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Não é um segredo que a cidade canadense de Toronto está trabalhando pesado para provar para o mundo que tem potencial para ser um dos grandes hubs de negócios e eventos na América do Norte.

Toronto é hoje a mais populosa cidade do Canadá e capital da província de Ontário, com pouco mais de um terço dos habitantes do país e responsável por cerca de 38% do PIB do país - a região também abriga quase metade dos empregos do Canadá nos setores financeiro e de alta tecnologia.

A cidade quer ir além da tentativa de se mostrar como uma alternativa para empresas que estão de olho em mercados norte-americanos e vem se esforçando para mostrar que pode bater de frente com Nova Iorque, São Francisco e Chicago como uma sede viável para empresas interessadas em conquistar negócios nos Estados Unidos, Canadá e até México.

Um dos órgãos envolvidos no esforço para trazer novas empresas para Toronto é a Greater Toronto Marketing Alliance (GTMA), uma fundação sem fins lucrativos que reúne representantes do setor público e privado da cidade e tem como principal objetivo criar um "pouso suave" para empresas que buscam se internacionalizar em Toronto - ajudando com processos que vão desde criar laços entre a empresa-alvo e parceiros do setor privado na cidade até fornecer auxílio com aspectos legais para operar na região.

"O que nós vemos é que muitas empresas estão pensando nos Estados Unidos como o mercado chave para entrar na América do Norte, mas quando elas entram lá descobrem problemas, dificuldades e como pode ser caro montar a operação", comentou ao Canaltech o vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da GTMA, Gerald Pisarzowski. A principal estimativa é que o custo de operar no Canadá seja até 7,4% menor do que nos Estados Unidos.

Mas as vantagens apontadas pela GTMA não são apenas econômicas. A cidade é uma das mais cosmopolitas e multiculturais do mundo, com cerca de 50% da população nascida fora do Canadá - cerca de 42% dos brasileiros que residem hoje no Canadá estão em Toronto. Além disso, a população local é altamente capacitada, com índices de 64% da mão-de-obra local com nível secundário ou equivalente.

O Brasil entrou na mira da GTMA em 2010, quando o órgão realizou a primeira reunião exploratória no país com o objetivo de encontrar possíveis interessados na internacionalização via Canadá. Mas, neste ano, o momento de instabilidade econômica pelo qual o país passa tem surpreendido positivamente o órgão, que viu crescer o interesse de algumas empresas brasileiras nesse processo, com mais organizações interessadas em buscar novos mercados em crescimento enquanto o Brasil se antecipa para uma recessão.

Pisarzowski, que esteve em outubro no país para uma série de reuniões durante o evento de telecomunicações Futurecom, em São Paulo, tem se surpreendido com o número de empresas interessadas na iniciativa neste ano em relação aos anos anteriores. Até o final do ano, a expectativa é que seis novas companhias continuem em contato com a GTMA - duas delas já estão confirmadas para o programa de expansão.

Nos últimos cinco anos, a GTMA já auxiliou seis empresas brasileiras a fazerem o processo de internacionalização para a área de Toronto - a mais recente foi uma empresa do setor serviços de TI, a Acanto, que fechou a parceria no segundo trimestre deste ano e já está atuando em solo canadense.

"Os negócios estão sempre procurando por estabilidade, o que nós temos aqui no Brasil é um período de incerteza, e os negócios não gostam disso. O que eles estão fazendo é continuando os investimentos por aqui, mas toda a expansão está sendo levada para outros lugares", avaliou.

No Brasil, a GTMA tem focado principalmente em trazer empresas do setor de TI e de alimentos, principalmente organizações já estabelecidas no mercado nacional. Empresas inovadoras que possam aproveitar o ecossistema local de startups - Toronto é conhecida atualmente como o quarto melhor ambiente para startups no mundo, através apenas do Vale do Silício, de Nova York e Londres - também são visadas pela organização.

"O governo de Ontário investiu muito na infraestrutura de educação, inovação e transporte da cidade, e agora estamos procurando investimentos que possam ser estratégicos. O foco é em iniciativas que possam alavancar o que o governo investiu para criar empregos especializados e de alto valor agregado", comentou o executivo.