Sony pode demitir 2 mil empregados do setor de smartphones após recorde negativo

Por Felipe Demartini | 29 de Abril de 2019 às 13h10

Diante dos números negativos no envio de smartphones ao mercado e a pior performance de sua história nesse segmento, obtida no primeiro trimestre deste ano, a Sony estaria estudando medidas drásticas. De acordo com relatos ainda não confirmados, dois mil pessoas podem ser dispensadas do setor de celulares da companhia até 2020, representando metade da força de trabalho da divisão.

Os planos foram antecipados pela imprensa asiática e ainda não confirmados pela fabricante, mas são indicativos de novos esforços para conter a sangria. De acordo com as informações, enquanto a maioria dos funcionários efetivamente será demitido, outros podem ser realocados em outras divisões da Sony, com o segmento de smartphones sendo ainda mais reduzido em prol de um corte nos custos e um alinhamento de objetivos em busca de maior lucratividade.

São medidas que soam drásticas, mas fazem sentido quando se olha para os números. Ao revelar seus resultados financeiros para o recém-encerrado ano fiscal, a Sony informou que apenas 6,5 milhões de unidades de seus smartphones foram enviados às lojas de todo o mundo, um total já abaixo da perspectiva negativa de que apenas 10 milhões de aparelhos chegariam às prateleiras internacionais ao longo do ano. Essa meta foi revista ao longo dos trimestres, um indício de que a fabricante já enxergava os problemas.

Quando os números finais saíram, eles apenas se consolidaram, com direito à pior performance da história da marca, com apenas 1,1 milhão de unidades saindo das fábricas da companhia entre janeiro e março de 2019. Mesmo os lançamentos de novos modelos ao final de 2019 e a perspectiva de boas vendas no Natal ajudaram a erguer os números da fabricante, o que nos leva à atual situação de dificuldade.

O Xperia XZ2 foi o último smartphone da Sony lançado oficialmente no Brasil. Com problemas, empresa decidiu abandonar mercado (Imagem: Divulgação/Sony)

As mudanças drásticas também se encaixam em panoramas dados pela empresa em seu relatório fiscal. Admitindo os problemas, ela afirmou que as vendas devem continuar fracas em 2019, com apenas cinco milhões de aparelhos vendidos até março de 2020, quando se encerra mais um ano fiscal. Enquanto isso, a companhia vai trabalhar internamente para garantir mais eficiência e custos menores, de forma a retornar ao patamar de lucratividade. Isso, entretanto, deve acontecer apenas no ano fiscal seguinte, que se encerra no primeiro trimestre de 2021.

Enquanto isso, os relatos apontam para planos de uma redução de custos de pelo menos 50%, no que pode envolver não apenas a demissão de funcionários e executivos, mas também o fechamento de fábricas e o fim de parcerias. São medidas que a companhia já tomou antes diante de situações desse tipo e a indicação é que elas devem acontecer novamente ao longo deste ano.

Hoje, o setor mobile da Sony é um dos que apresentam a pior performance anual para a companhia. Ao final deste mês de março, foi registrada uma queda de 42,5% nas vendas e um aumento de 3,5% nas perdas, enquanto todos os outros segmentos negativos, como os relacionados a câmeras fotográficas e serviços relacionados a imagens, não passam da marca de um dígito negativo. Enquanto isso, na comparação, o segmento de videogame, que navega de vento em popa, apresentou crescimento de 53,5% em março de 2019 e aumentou seus ganhos em 44,3%.

A Sony não se pronunciou oficialmente sobre mudanças no setor mobile além das poucas informações sobre isso que já constam em seu relatório fiscal. Outras mudanças no segmento, entretanto, já foram confirmadas oficialmente, como a saída do mercado brasileiro e sul-americano, onde a companhia vai deixar de vender seus smartphones em prol de mercados em que já possui maior penetração.

Fonte: Nikkei Asia Review, Sony

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