Smartphones comprados no Brasil ficaram 40% mais caros que em 2015, diz pesquisa

Por Rafael Romer | 19 de Julho de 2016 às 21h13

Os smartphones comprados pelo consumidor brasileiro neste ano ficaram em média 40% mais caros do que no ano passado, revelou a pesquisa encomendada pelo Grupo Eletrolar e realizada pela GfK, apesentada nesta terça-feira (19) durante o evento do setor de eletrônicos Eletrolar Show, em São Paulo.

No período analisado, entre janeiro e maio deste ano, os smartphones vendidos no país giraram na casa de R$ 891, quase R$ 300 de acréscimo em relação ao preço médio de R$ 603 observado no mesmo período do ano passado.

O aumento de preço do smartphone médio adquirido, aliás, foi o dobro da média de aumento entre todas as categorias observadas no estudo, que incluiu também a chamada Linha Marrom (aumento de 15%), a Linha Branca (5%), Informática (13%), Eletroportáteis (13%) e Ar Condicionado (3%).

De acordo com Oliver Römerscheidt, diretor da GfK para a indústria de tecnologia, o valor superior é resultado de fatores como a desvalorização do real frente ao dólar, da inflação e da suspensão temporária da Lei do Bem, entre fevereiro e abril deste ano.

Mas a mudança do padrão de consumo do brasileiro na hora de escolher seu smartphone também teve um reflexo no valor médio dos gadgets comercializados por aqui. Neste ano, 54,7% dos smartphones comprados no período foram da categoria 4G – uma participação muito superior aos 13,5% de 2015.

Apesar de uma queda relevante no preço médio destes dispositivos no período (de R$ 1.256 em 2015 para R$ 1.190), celulares 4G ainda são consideravelmente mais caros do que suas contrapartes em 3G e 2G, o que elevou o tíquete médio das compras dos consumidores nacionais. Para o ano que vem, a expectativa é que as vendas de celulares 4G continuem avançando em relação a outros modelos, atingindo um equilibro em torno de 70% e 30%, respectivamente.

O aumento do preço médio garantiu estabilidade no faturamento do setor de eletrônicos brasileiro no ano passado, enquanto todos os outros setores observaram uma queda média de 9% – de acordo com os dados da pesquisa, quatro de cada dez reais gastos pelo consumidor nacional já vão para smartphones.

Mas isso não significa necessariamente que o setor tenha motivos para comemorar. Mesmo com o aumento de preço e o faturamento estável, as vendas de smartphones caíram 28% em relação ao mesmo período analisado de 2015. Pelo segundo ano seguido, os gastos totais de consumidores finais com tecnologia caem no país e deverão continuar caindo até 2017 – quando a estimativa é que o faturamento total do mercado fique em R$ 73 bilhões, o mesmo valor observado em 2012.

O Brasil também tem perdido protagonismo no setor frente à América Latina, e agora responde só por 40% do faturamento de eletrônicos no continente, contra 43% do ano passado e 52% de 2014. No total, o faturamento do setor no mercado latino-americano deverá retrair em 12% neste ano.

"A gente vê uma estabilização para 2017, tanto para a América Latina quanto para o Brasil", comentou Römerscheidt. "Um consolo é que não estamos sozinhos, nos últimos anos gastou-se menos em todo o mundo. O mundo está ansioso por novas tecnologias. A grande pergunta é qual a próxima tecnologia que vai nos convencer a gastar mais".

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