Shadow IT ainda preocupa metade das grandes empresas latino-americanas

Por Rafael Romer | 09.08.2016 às 23:29
photo_camera http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/setor-de-tecnolo

Na jornada de empresas para promoção da transformação digital, o fenômeno da Shadow IT, também conhecida como TI Invisível no Brasil, ainda é considerado o principal desafio para metade das grandes empresas latino-americanas, revelou nesta terça-feira (9) um relatório da consultoria Frost & Sullivan encomendado pela Progress, que consultou 507 grandes empresas da região.

A tendência tem crescido consideravelmente dentro de grandes corporações e é resultado da aproximação das áreas de negócio aos vendedores de tecnologia, agora sem o intermédio da setor de TI. Com ferramentas mais acessíveis, divisões não-técnicas de empresas têm adotado cada vez mais novas tecnologias de forma independente, sem a consulta ou aprovação prévia de CIOs ou CFOs.

Se por um lado essa difusão do poder de contratação de tecnologia tem o potencial de agilizar processos e trazer ganhos de negócios, a Shadow IT também tem criado algumas dores de cabeça, como iniciativas internas duplicadas e disrupção na geração de uma estratégia de tecnologia unificada.

"É um desafio e um ponto de atenção no processo de transformação digital. Vendedores estão acessando executivos de áreas de marketing, finanças, RH, que têm necessidades claras, mas não são especialistas", comentou o consultor da Frost & Sullivan, Jayme Faria. "Eles tomam decisões por conta própria, sem ter alinhamento com a empresa. Isso traz oportunidades para acelerar os negócios, mas traz problemas como a integração".

Para 35,3% das companhias consultadas, alinhar a equipe de TI com estratégias de negócios foi considerado uma das principais dificuldades do setor hoje – atrás apenas de desafios técnicos como lidar com ameaças de segurança e garantir a estabilidade de rede.

Em parte, o fenômeno se deve a uma característica da própria região, que não costuma adotar novas tecnologias cedo, mas quando inicia o processo, tende a fazê-lo de forma acelerada. "A região da América Latina e também no Brasil não é early adopter como os Estados Unidos ou a Europa, mas quando as tecnologias chegam aqui, nossas taxas de penetração e adoção são bastante agressivas", avaliou Faria.

Um dos exemplos dessa aceleração rápida observado pela consultoria é na área de computação de nuvem: hoje, a estimativa é que apenas 8% das empresas brasileiras não tenham migrado nenhum de seus workloads para a nuvem, mesmo que a movimentação tenha sido a adoção simples de cloud mail.

Para enfrentar o desafio da TI Invisível, uma das principais indicações é que setores de TI passem a agir cada vez mais como um "corretor" de serviços dentro das empresas. Ao invés de orientar ou limitar quais tecnologias devem ser adotadas, a equipe de TI deve ser responsável pela entrega de soluções de acordo com a demanda de outras áreas de negócio, mas sempre também focada em gestão e integração das tecnologias à estratégia ampla de negócios da companhia.